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Autor: admin

Omartrose

Omartrose


A Omartrose é o termo médico utilizado para descrever a artrose (ou osteoartrite) do ombro. É uma doença degenerativa crónica que afeta a cartilagem articular da articulação glenoumeral (a principal articulação do ombro, entre a cabeça do úmero e a cavidade glenoidal da omoplata). Com o tempo, a cartilagem que reveste as extremidades dos ossos desgasta-se, levando ao atrito osso com osso, o que causa dor, rigidez e perda de função.


Sintomas

Os sintomas da omartrose desenvolvem-se geralmente de forma gradual e pioram com o tempo:

  • Dor: O sintoma mais proeminente. A dor é sentida profundamente no ombro e agrava-se com o movimento e com atividades que exigem o uso do braço. Pode ser uma dor surda e constante, mas também pode manifestar-se como pontadas agudas. É frequente a dor noturna, que pode dificultar o sono, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado.
  • Rigidez: O ombro torna-se progressivamente mais rígido, limitando a capacidade de mover o braço em todas as direções. Tarefas diárias como vestir-se, alcançar objetos altos ou pentear o cabelo tornam-se difíceis.
  • Crepitação: Pode sentir-se ou ouvir-se um som de “estalo”, “ranger” ou “raspar” (crepitação) ao mover o ombro. Isso ocorre devido ao atrito entre as superfícies ósseas desgastadas.
  • Perda de amplitude de movimento: A capacidade de mover o braço e o ombro é progressivamente reduzida, tanto ativamente (o que o paciente consegue mover) como passivamente (o que alguém consegue mover para o paciente).
  • Fraqueza: A dor e a limitação do movimento podem levar a uma fraqueza dos músculos ao redor do ombro, devido à falta de uso ou à própria progressão da doença.

Causas

A omartrose pode ser classificada em primária (sem causa aparente) ou secundária (com uma causa identificável):

  • Omartrose Primária:
    • Envelhecimento: É a causa mais comum. O desgaste natural da cartilagem ocorre com o passar dos anos. Não há uma causa específica identificada além do processo degenerativo inerente ao envelhecimento.
  • Omartrose Secundária:
    • Traumatismos Anteriores: Fraturas do ombro (especialmente da cabeça do úmero ou da cavidade glenoidal), luxações repetidas ou outras lesões na articulação podem danificar a cartilagem e acelerar o desenvolvimento da artrose.
    • Rotura do Manguito Rotador (Cuff Tear Arthropathy): Uma rotura crónica e extensa dos tendões do manguito rotador (especialmente o supra-espinhoso) altera a mecânica da articulação do ombro, levando a um atrito anormal e à degeneração da cartilagem.
    • Artrite Inflamatória: Doenças autoimunes como a artrite reumatoide, artrite psoriática ou espondilite anquilosante podem causar inflamação crónica que destrói a cartilagem.
    • Necrose Avascular da Cabeça do Úmero: Condição em que o suprimento sanguíneo para a cabeça do úmero é interrompido, levando à morte do tecido ósseo e colapso da superfície articular.
    • Infeções: Infeções anteriores da articulação (artrite séptica) podem destruir a cartilagem.
    • Uso excessivo ou sobrecarga: Atividades desportivas ou profissionais que colocam stress repetitivo e elevado sobre a articulação do ombro podem contribuir para o seu desgaste.

Diagnóstico

O diagnóstico da omartrose é feito por um médico (ortopedista) e baseia-se numa combinação de:

  • Histórico Clínico Detalhado: O médico irá questionar sobre o tipo de dor, a sua localização, intensidade, fatores que a agravam ou aliviam, a presença de rigidez, histórico de lesões no ombro, outras doenças e o impacto nos movimentos diários.
  • Exame Físico: O médico irá inspecionar o ombro, palpar para identificar áreas de dor ou inchaço, e avaliar a amplitude de movimento (ativa e passiva), a força muscular e a presença de crepitação ao mover a articulação.
  • Exames de Imagem:
    • Radiografias (RX): São os exames iniciais e mais importantes. As radiografias do ombro mostram o estreitamento do espaço articular (indicando perda de cartilagem), a formação de esporões ósseos (osteófitos) e outras alterações ósseas características da artrose. Podem ser realizadas em várias projeções.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Fornece imagens detalhadas da cartilagem, tendões, ligamentos e outros tecidos moles, sendo útil para avaliar a extensão da degeneração da cartilagem, a presença de roturas do manguito rotador associadas e outras patologias.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Pode ser utilizada para uma avaliação mais detalhada das estruturas ósseas e para o planeamento cirúrgico, especialmente em casos de deformidade óssea significativa.
  • Análises de Sangue: Podem ser solicitadas para descartar ou confirmar outros tipos de artrite (ex: artrite reumatoide) ou infeções, se houver suspeita.

Tratamento

O tratamento da omartrose visa aliviar a dor, melhorar a função e retardar a progressão da doença. A abordagem é geralmente progressiva, começando por medidas conservadoras e, se estas falharem, avançando para a cirurgia.

  • Tratamento Conservador (não cirúrgico – primeira linha):
    • Medicação:
      • Analgésicos: Paracetamol para alívio da dor.
      • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
      • Condroprotetores: Suplementos como glucosamina e condroitina, embora a sua eficácia seja variável e debatida.
      • Outros medicamentos: Em casos de artrite inflamatória (ex: artrite reumatoide), são utilizados medicamentos específicos (DMARDs, biológicos).
    • Modificação de atividades: Evitar ou adaptar atividades que agravam a dor e colocam stress excessivo no ombro.
    • Fisioterapia: É fundamental. Inclui:
      • Exercícios de alongamento e amplitude de movimento para manter a flexibilidade do ombro.
      • Exercícios de fortalecimento dos músculos do manguito rotador e da cintura escapular para melhorar a estabilidade e o suporte da articulação.
      • Modalidades para alívio da dor (calor, frio, ultrassom, eletroterapia).
    • Infiltrações intra-articulares:
      • Corticosteroides: Injeções diretamente na articulação podem proporcionar um alívio temporário e significativo da dor e inflamação.
      • Ácido Hialurónico (Viscossuplementação): Pode ser injetado para tentar melhorar a lubrificação da articulação, mas a sua eficácia no ombro é menos consistente do que noutras articulações (ex: joelho).
      • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Uma opção mais recente e ainda em estudo, com resultados variáveis.
  • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador não proporciona alívio suficiente da dor e a função do ombro está significativamente comprometida.
    • Artroscopia: Em casos de omartrose leve, pode ser utilizada para realizar uma “limpeza” da articulação (desbridamento, remoção de corpos livres) ou para tratar problemas associados.
    • Substituição da Articulação (Artroplastia do Ombro): É o tratamento mais eficaz para a omartrose avançada.
      • Artroplastia Total do Ombro: Substituição da cabeça do úmero e da cavidade glenoidal por próteses.
      • Hemiartroplastia: Substituição apenas da cabeça do úmero.
      • Artroplastia Reversa do Ombro: É uma opção mais recente e muito eficaz para omartrose associada a roturas extensas e irreparáveis do manguito rotador, ou em casos de artrose em que a glenóide está muito desgastada.
    • Reabilitação Pós-Cirúrgica: A fisioterapia intensiva é crucial após a cirurgia para recuperar a força e a amplitude de movimento do ombro.

Prevenção

A prevenção da omartrose foca-se em reduzir o desgaste da cartilagem e o risco de lesões no ombro:

  • Manter um peso saudável: Embora o ombro não seja uma articulação de suporte de peso, o excesso de peso pode afetar a saúde articular geral e contribuir para a inflamação sistémica.
  • Exercício físico regular: Fortalecer os músculos do ombro (especialmente o manguito rotador e os músculos da cintura escapular) e manter a flexibilidade através de alongamentos adequados.
  • Técnicas corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos e realizar atividades que envolvam o ombro, evitando sobrecarga ou movimentos bruscos e repetitivos.
  • Prevenção de lesões: Evitar quedas diretas sobre o ombro ou traumatismos. Usar equipamento de proteção em desportos de contacto.
  • Tratamento adequado de lesões prévias: Garantir que fraturas ou luxações do ombro são tratadas corretamente para minimizar o risco de artrose pós-traumática.
  • Controlo de doenças sistémicas: Gerir eficazmente doenças como a diabetes, doenças da tiroide ou artrite reumatoide, que podem afetar a saúde das articulações.
  • Fazer pausas: Em trabalhos ou atividades que envolvam movimentos repetitivos do ombro.

Se sentir dor persistente e rigidez no ombro, especialmente se houver limitação de movimento progressiva, é importante procurar um médico ortopedista para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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Omalgia

Omalgia


A Omalgia é o termo médico utilizado para descrever a dor no ombro. Não é um diagnóstico por si só, mas sim um sintoma comum de diversas condições que afetam a articulação do ombro e as estruturas circundantes, como músculos, tendões, ligamentos, bursas e ossos.


Sintomas

A omalgia pode manifestar-se de várias formas, dependendo da causa subjacente. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor: Pode ser uma dor surda e constante, aguda e pontiaguda, ou em queimação. Pode agravar-se com o movimento, à noite ou em repouso.
  • Rigidez: Dificuldade em mover o ombro em todas as direções ou em direções específicas.
  • Limitação da amplitude de movimento: Incapacidade de levantar o braço acima da cabeça, alcançar as costas ou rodar o ombro.
  • Fraqueza: Dificuldade em levantar objetos ou realizar tarefas que exigem força no ombro.
  • Estalidos ou crepitação: Sons ou sensações de atrito ao mover o ombro.
  • Irradiação da dor: A dor pode espalhar-se para o pescoço, braço (geralmente não abaixo do cotovelo) ou mão, dependendo do nervo ou estrutura afetada.
  • Dor noturna: Frequentemente, a dor piora à noite, dificultando o sono, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado.

Causas

A omalgia é um sintoma inespecífico que pode ter uma vasta gama de causas, incluindo:

  • Problemas do Manguito Rotador:
    • Tendinopatia do Supra-espinhoso ou de outros tendões: Inflamação ou degeneração dos tendões do manguito rotador devido a uso excessivo ou envelhecimento.
    • Rotura do Tendão do Manguito Rotador: Rotura parcial ou completa de um ou mais tendões, frequentemente do supra-espinhoso.
    • Síndrome de Conflito Subacromial (Impingement): Compressão dos tendões do manguito rotador e da bursa subacromial sob o acrómio.
  • Bursite Subacromial: Inflamação da bursa, um saco cheio de líquido que amortece os tendões.
  • Capsulite Adesiva (Ombro Congelado): Espessamento e encurtamento da cápsula articular, levando a dor e perda progressiva de movimento.
  • Artrite do Ombro:
    • Osteoartrite (Artrose): Desgaste da cartilagem da articulação glenoumeral ou acromioclavicular.
    • Artrite Reumatoide: Doença autoimune que afeta as articulações.
  • Instabilidade do Ombro e Luxações: Sensação de que o ombro sai ou vai sair do lugar.
  • Lesões do Labrum: Roturas no anel de cartilagem (labrum) que aprofunda a cavidade glenoidal.
  • Fraturas: Fraturas da parte proximal do úmero, da clavícula ou da omoplata.
  • Dor Referida:
    • Problemas cervicais: Hérnias discais ou artrose na coluna cervical podem causar dor que irradia para o ombro (radiculopatia cervical).
    • Problemas cardíacos: Em casos raros, a dor no ombro esquerdo pode ser um sinal de angina ou enfarte do miocárdio.
    • Problemas abdominais: Como doenças da vesícula biliar ou do fígado, podem causar dor referida no ombro direito.

Diagnóstico

O diagnóstico da causa da omalgia requer uma avaliação médica completa:

  • Histórico Clínico Detalhado: O médico irá questionar sobre as características da dor (localização, tipo, intensidade, fatores que a agravam ou aliviam), o histórico de lesões, atividades profissionais ou desportivas, e outras doenças.
  • Exame Físico: O médico inspecionará o ombro, palpará a área para identificar pontos de dor ou espasmos, e avaliará a amplitude de movimento (ativa e passiva), a força muscular e a estabilidade. Serão realizados testes específicos para reproduzir a dor ou identificar a estrutura lesionada.
  • Exames de Imagem:
    • Radiografias (RX): Úteis para avaliar estruturas ósseas, como sinais de artrose, fraturas ou esporões ósseos.
    • Ecografia (Ultrassonografia): Permite visualizar os tendões do manguito rotador e as bursas em tempo real, detetando inflamação, tendinopatias e roturas.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Artro-RMN: O exame mais detalhado para avaliar tecidos moles (tendões, ligamentos, cápsula articular, labrum) e cartilagem. É crucial para diagnosticar roturas do manguito rotador, lesões do labrum ou capsulite adesiva.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Usada para avaliar estruturas ósseas de forma mais detalhada, especialmente em casos de traumatismo.
  • Outros Exames:
    • Análises de Sangue: Podem ser solicitadas para descartar ou confirmar causas inflamatórias (ex: artrite reumatoide) ou infecciosas.
    • Eletroneuromiografia (ENMG): Se houver suspeita de compressão nervosa (radiculopatia cervical).

Tratamento

O tratamento da omalgia visa aliviar a dor, restaurar a função do ombro e tratar a causa subjacente. A abordagem pode ser conservadora ou cirúrgica.

  • Tratamento Conservador (primeira linha na maioria dos casos):
    • Medicação:
      • Analgésicos: Paracetamol.
      • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
      • Relaxantes Musculares: Se houver espasmos.
    • Repouso Relativo: Evitar atividades que agravem a dor.
    • Aplicação de Calor ou Frio: O gelo pode ajudar a reduzir a inflamação na fase aguda, enquanto o calor pode relaxar os músculos e aliviar a rigidez.
    • Fisioterapia: É fundamental. Inclui:
      • Terapia manual (massagem, mobilizações articulares).
      • Exercícios de alongamento e fortalecimento progressivo dos músculos do manguito rotador e da cintura escapular.
      • Reeducação postural.
      • Uso de modalidades como ultrassom ou eletroterapia.
    • Infiltrações: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios potentes) e/ou anestésicos diretamente na bursa, articulação ou tendão afetado para alívio rápido da dor e inflamação.
  • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador não é eficaz após um período adequado, ou em casos de lesões estruturais que exigem reparação (ex: roturas extensas do manguito rotador, lesões do labrum, artrose avançada).
    • Artroscopia do ombro: Técnica minimamente invasiva para reparar tendões, remover tecidos inflamados ou corpos livres, ou realizar descompressão subacromial.
    • Cirurgia aberta: Em casos específicos, como a substituição articular (artroplastia) para artrite avançada.
    • Reabilitação Pós-Cirúrgica: A fisioterapia é essencial após a cirurgia para uma recuperação bem-sucedida.

Prevenção

A prevenção da omalgia foca-se na manutenção da saúde do ombro e na redução dos fatores de risco:

  • Manter uma Boa Postura: Consciente da postura no trabalho, em casa e durante atividades físicas. A ergonomia é crucial.
  • Aquecimento e Alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física que envolva os ombros, seguido de alongamentos suaves.
  • Fortalecimento Muscular Equilibrado: Fortalecer os músculos do manguito rotador e os músculos que estabilizam a omoplata para um suporte adequado do ombro.
  • Técnicas Corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos e realizar movimentos acima da cabeça, evitando sobrecarga ou movimentos bruscos.
  • Fazer Pausas: Em atividades que exigem movimentos repetitivos do ombro ou posturas prolongadas.
  • Prevenção de Lesões: Usar equipamento de proteção em desportos de contacto.
  • Gerir Doenças Crónicas: Controlar condições como diabetes ou doenças da tiroide, que podem aumentar o risco de problemas no ombro.
  • Gerir o Stress: O stress pode levar a tensão muscular no pescoço e ombros.

Em caso de dor persistente no ombro, é fundamental procurar um médico para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado, que evite a cronicidade do problema.

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Luxação do ombro

Luxação do ombro


A Luxação do Ombro ocorre quando a cabeça do úmero (o osso do braço) é completamente deslocada para fora da sua cavidade na omoplata (cavidade glenoidal). É a luxação de articulação mais comum do corpo humano, devido à grande mobilidade do ombro e à pouca profundidade da cavidade glenoidal.


Sintomas

Os sintomas de uma luxação do ombro são geralmente evidentes e incluem:

  • Dor intensa e súbita: A dor é aguda e imediata no momento da luxação.
  • Deformidade visível: O ombro parece “fora do lugar”, com uma perda do contorno arredondado normal e uma proeminência visível na frente ou atrás.
  • Incapacidade de mover o braço: O paciente é incapaz de mover o ombro ou o braço.
  • Espasmo muscular: Os músculos ao redor do ombro podem entrar em espasmo, contribuindo para a dor e dificuldade de movimento.
  • Dormência ou formigueiro: Pode ocorrer dormência ou formigueiro no braço ou mão se houver compressão ou estiramento de nervos ou vasos sanguíneos.
  • Inchaço e equimose (nódoa negra): Podem surgir na área afetada.

Causas

A luxação do ombro é quase sempre causada por um traumatismo significativo. A direção da luxação (anterior, posterior ou inferior) depende da força aplicada:

  • Luxação Anterior: É a mais comum (cerca de 95% dos casos). Ocorre geralmente quando o braço está levantado para o lado (abdução) e rodado para fora (rotação externa) de forma forçada, como em:
    • Quedas sobre o braço estendido ou sobre o ombro.
    • Desportos de contacto (rugby, futebol) ou desportos de arremesso (andebol, basquetebol).
    • Acidentes rodoviários.
  • Luxação Posterior: Menos comum, ocorre geralmente após convulsões, choque elétrico ou traumatismo direto na parte da frente do ombro.
  • Luxação Inferior (Luxatio Erecta): Muito rara, ocorre quando o braço é forçado a uma posição acima da cabeça.

Diagnóstico

O diagnóstico da luxação do ombro é feito por um médico e inclui:

  • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre o mecanismo da lesão e os sintomas.
  • Exame físico: O ombro será inspecionado para observar a deformidade e a palpação revelará a dor e o espaço vazio onde a cabeça do úmero deveria estar. O médico também avaliará a sensibilidade, a força muscular e a circulação no braço para descartar lesões neurovasculares.
  • Radiografias (RX): São essenciais para confirmar a luxação, a direção do deslocamento e para descartar fraturas associadas (como a fratura da glenoide ou a lesão de Hill-Sachs no úmero).
  • Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Podem ser solicitadas após a redução para avaliar lesões de tecidos moles (ex: lesões do labrum glenoidal, como a lesão de Bankart) ou perdas ósseas que possam contribuir para a instabilidade recorrente.

Tratamento

O tratamento imediato de uma luxação do ombro visa recolocar a cabeça do úmero na sua posição normal (redução). O tratamento subsequente foca-se na reabilitação e prevenção de futuras luxações.

  • Redução: É o procedimento de realinhamento do ombro. Deve ser realizada por um profissional de saúde qualificado o mais rapidamente possível para aliviar a dor e evitar complicações. Pode ser feita com anestesia local ou sedação.
  • Imobilização: Após a redução, o ombro é imobilizado com uma tipóia ou sling por um período de 2 a 4 semanas, dependendo da idade do paciente e da presença de lesões associadas.
  • Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios para controlo da dor e inflamação.
  • Fisioterapia: Essencial após a fase inicial de imobilização. O programa de reabilitação inclui:
    • Exercícios de amplitude de movimento para recuperar a mobilidade do ombro.
    • Exercícios de fortalecimento dos músculos do manguito rotador e da cintura escapular para melhorar a estabilidade dinâmica do ombro.
    • Exercícios de proprioceção para melhorar o controlo neuromuscular do ombro.
  • Cirurgia: É considerada em casos de luxações recorrentes, em jovens e atletas com alto risco de recidiva, ou quando há lesões estruturais significativas (ex: lesão de Bankart extensa, grandes perdas ósseas). As técnicas cirúrgicas podem incluir a reparação artroscópica das estruturas lesionadas ou procedimentos abertos para restaurar a estabilidade.

Prevenção

A prevenção da luxação do ombro foca-se em reduzir o risco de novos eventos, especialmente após uma primeira luxação:

  • Fortalecimento muscular: Manter os músculos do manguito rotador e da cintura escapular fortes e equilibrados. Estes músculos são cruciais para a estabilidade dinâmica do ombro.
  • Exercícios de proprioceção: Melhoram a consciência do ombro no espaço e a capacidade de reação a movimentos de risco.
  • Técnicas corretas em desportos: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para evitar posições de risco que possam levar à luxação.
  • Uso de equipamento de proteção: Em desportos de contacto ou de alto risco.
  • Evitar posições de risco: Em atividades diárias, evitar posições extremas de abdução e rotação externa do braço.
  • Reabilitação adequada após a primeira luxação: Seguir rigorosamente o plano de fisioterapia para fortalecer o ombro e reduzir o risco de recorrência.

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Instabilidade do ombro

Instabilidade do ombro


A Instabilidade do Ombro ocorre quando a cabeça do úmero (osso do braço) não se mantém firmemente centrada na cavidade glenoidal da omoplata, uma cavidade rasa que faz parte da articulação do ombro. Esta condição faz com que o ombro seja propenso a deslizar parcial (subluxação) ou totalmente (luxação) para fora da articulação.


Sintomas

Os sintomas da instabilidade do ombro podem variar dependendo da gravidade e da frequência dos episódios de subluxação ou luxação:

  • Dor: A dor é um sintoma comum, especialmente durante ou após um episódio de subluxação ou luxação. Pode ser uma dor aguda e súbita ou uma dor constante e surda no ombro.
  • Sensação de “soltura” ou “desencaixe”: O paciente pode sentir que o ombro está prestes a sair do lugar ou que “salta” ao realizar certos movimentos.
  • Apreensão: Um medo ou receio de mover o braço em determinadas posições (especialmente abdução e rotação externa) porque sente que o ombro pode luxar novamente.
  • Estalos ou cliques: Pode ouvir ou sentir estalos ou cliques no ombro.
  • Fraqueza: A dor e a instabilidade podem levar a uma sensação de fraqueza no ombro ou no braço.
  • Perda de amplitude de movimento: Após um episódio de luxação, o ombro pode ficar rígido e doloroso, com dificuldade em mover o braço.
  • Deformidade (em caso de luxação): O ombro pode parecer visivelmente fora do lugar.

Causas

A instabilidade do ombro resulta de um ou mais fatores que comprometem a estabilidade da articulação. O ombro é a articulação mais móvel do corpo, mas esta mobilidade vem com um custo em termos de estabilidade. As causas mais comuns incluem:

  • Traumatismo (Instabilidade Traumática):
    • Luxação do ombro: É a causa mais comum. Uma luxação anterior (cabeça do úmero sai para a frente) é a mais frequente e ocorre geralmente quando o braço está em abdução (levantado para o lado) e rotação externa forçada (ex: queda sobre o braço estendido, desportos de contacto). Após uma primeira luxação, a probabilidade de recorrência é alta, especialmente em jovens.
    • Lesões associadas à luxação: A luxação pode causar danos às estruturas que estabilizam o ombro, como:
      • Lesão de Bankart: Rotura da parte anteroinferior do labrum glenoidal (um anel de cartilagem que aprofunda a cavidade glenoidal).
      • Lesão de Hill-Sachs: Uma pequena depressão ou fratura na parte posterior da cabeça do úmero, causada pelo impacto contra a borda da glenoide durante a luxação.
      • Rotura dos ligamentos glenoumerais: Alongamento ou rotura dos ligamentos que conectam a glenoide ao úmero.
  • Frouxidão Ligamentar (Instabilidade Atraúmatica ou Multidirecional):
    • Algumas pessoas nascem com ligamentos naturalmente mais flexíveis e “elásticos” em todo o corpo (hiperflexibilidade ou hipermobilidade articular). Nestes casos, o ombro pode luxar ou subluxar sem um traumatismo significativo, muitas vezes em várias direções (anterior, posterior e inferior).
  • Disfunção Muscular:
    • Fraqueza ou desequilíbrio dos músculos que estabilizam o ombro, como os músculos do manguito rotador e os músculos da cintura escapular, podem contribuir para a instabilidade.

Diagnóstico

O diagnóstico da instabilidade do ombro é realizado por um médico (ortopedista) e envolve:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá perguntar sobre luxações anteriores (quantas, como ocorreram, em que posição), sensações de “desencaixe”, dor, e nível de atividade física.
  • Exame físico: O médico irá avaliar a amplitude de movimento, a força muscular e a estabilidade do ombro. Serão realizados testes específicos para tentar reproduzir a sensação de instabilidade ou apreensão (ex: teste de apreensão, teste de recolocação, teste de sulco).
  • Exames de imagem:
    • Radiografias (RX): Podem mostrar sinais de luxação anterior, fraturas associadas (como a lesão de Hill-Sachs ou Bankart óssea) e artrose.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Artro-RMN: A RMN é o exame mais útil para avaliar as estruturas de tecidos moles do ombro, como o labrum (procurando lesões de Bankart), os ligamentos e os tendões do manguito rotador. A Artro-RMN (com injeção de contraste na articulação) é ainda mais sensível para detetar lesões do labrum.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou Artro-TAC: Pode ser utilizada para uma avaliação mais detalhada das estruturas ósseas e para quantificar perdas ósseas na glenoide ou no úmero.

Tratamento

O tratamento da instabilidade do ombro depende da causa, da gravidade, da frequência dos episódios e do nível de atividade do paciente. Pode ser conservador ou cirúrgico.

  • Tratamento Conservador (primeira linha, especialmente para o primeiro episódio de luxação ou instabilidade atraumática leve):

    • Imobilização: Após uma luxação aguda, o ombro é imobilizado com uma ligadura tipo sling por um curto período para permitir a cicatrização inicial dos tecidos.
    • Medicação: Analgésicos para controlo da dor.
    • Fisioterapia: É crucial. O objetivo é fortalecer os músculos do manguito rotador e os músculos da cintura escapular para melhorar a estabilidade dinâmica do ombro. A fisioterapia também ajuda a restaurar a amplitude de movimento e a proprioceção (a perceção da posição do corpo).
    • Modificação de atividades: Evitar movimentos ou posições que desencadeiam a instabilidade.
  • Tratamento Cirúrgico: É frequentemente recomendado em casos de instabilidade recorrente, em jovens e atletas (devido ao alto risco de novas luxações), ou quando há lesões estruturais significativas (ex: grandes lesões de Bankart, perdas ósseas importantes). O objetivo é restaurar a estabilidade da articulação.

    • Reparação artroscópica de Bankart: A abordagem mais comum, onde o labrum é reparado e os ligamentos são apertados através de pequenas incisões.
    • Outras técnicas artroscópicas: Como a capsuloplastia (apertamento da cápsula articular).
    • Cirurgias abertas: Em casos de grandes perdas ósseas na glenoide ou no úmero (ex: procedimento de Latarjet, onde um pedaço de osso da omoplata é transferido para a glenoide para aumentar a estabilidade).
    • Reabilitação pós-cirúrgica: A fisioterapia é intensiva e essencial após a cirurgia para recuperar a força, a amplitude de movimento e a função total do ombro.

Prevenção

A prevenção da instabilidade do ombro pode ser desafiante, especialmente se houver frouxidão ligamentar natural ou após uma primeira luxação. No entanto, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco:

  • Fortalecimento muscular: Manter os músculos do manguito rotador e os músculos da cintura escapular fortes e equilibrados. Estes músculos são cruciais para a estabilidade dinâmica do ombro.
  • Exercícios de proprioceção: Exercícios que melhoram o sentido de posição e movimento do ombro, ajudando o corpo a reagir mais rapidamente a movimentos de instabilidade.
  • Técnicas corretas em desportos: Aprender e aplicar as técnicas corretas em desportos que envolvem movimentos do ombro, evitando posições de risco.
  • Uso de equipamento de proteção: Em desportos de contacto, usar equipamento que proteja o ombro.
  • Após uma luxação: Seguir rigorosamente o plano de reabilitação com o fisioterapeuta para fortalecer o ombro e reduzir o risco de recorrência. Em jovens, considerar a cirurgia profilática após a primeira luxação traumática pode ser uma opção para prevenir recorrências.

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Fratura do úmero

Fratura do úmero


A Fratura do Úmero é uma lesão que ocorre no úmero, o osso longo que se estende do ombro ao cotovelo. As fraturas do úmero são classificadas de acordo com a sua localização:

  • Fratura da parte proximal do úmero: Ocorre perto do ombro (a mais comum em idosos).
  • Fratura da diáfise do úmero: Ocorre na parte média do osso (a mais comum em adultos jovens).
  • Fratura da parte distal do úmero: Ocorre perto do cotovelo (a menos comum).

Sintomas

Os sintomas de uma fratura do úmero podem incluir:

  • Dor intensa: No local da fratura, que piora com o movimento.
  • Inchaço: Na área afetada.
  • Equimose (nódoa negra): Pode aparecer no braço ou espalhar-se para o peito ou mão.
  • Deformidade: O braço pode parecer visivelmente deformado ou encurtado.
  • Dificuldade em mover o braço: Incapacidade ou dor severa ao tentar levantar ou mover omar o braço.
  • Crepitação: Pode sentir-se um “estalo” ou “raspar” (crepitação) ao tentar mover o braço.
  • Dormência ou formigueiro: Se a fratura estiver a afetar nervos próximos (ex: nervo radial na fratura da diáfise).

Causas

As causas das fraturas do úmero variam consoante a idade e o segmento do osso:

  • Quedas: São a causa mais comum, especialmente em idosos (fraturas proximais do úmero), que podem cair sobre o braço estendido. Em jovens, quedas de altura ou em desportos.
  • Traumatismos diretos: Impactos diretos no braço (ex: acidentes de viação, colisões em desportos).
  • Traumatismos de alta energia: Em pessoas mais jovens e ativas, resultam frequentemente de acidentes graves (automóvel, motociclismo).
  • Osteoporose: Em idosos, a fragilidade óssea causada pela osteoporose aumenta significativamente o risco de fraturas com traumatismos mínimos.
  • Patologias ósseas: Em alguns casos, a fratura pode ocorrer devido a uma doença que enfraquece o osso (fratura patológica), como tumores ósseos ou infeções.

Diagnóstico

O diagnóstico da fratura do úmero é feito por um médico e inclui:

  • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre o mecanismo da lesão, os sintomas e o histórico médico do paciente.
  • Exame físico: Avaliação da dor, inchaço, deformidade, integridade da pele, e exame neurovascular para verificar se há lesão de nervos ou vasos sanguíneos.
  • Radiografias (RX): São os exames de imagem iniciais e essenciais para confirmar a fratura, a sua localização, tipo (transversal, oblíqua, espiral, cominutiva) e o grau de desvio dos fragmentos. São geralmente tiradas em várias projeções.
  • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Pode ser solicitada para obter imagens mais detalhadas da fratura, especialmente em fraturas complexas perto das articulações (ombro ou cotovelo), ou para planeamento cirúrgico.
  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Raramente necessária para o diagnóstico da fratura em si, mas pode ser útil para avaliar lesões de tecidos moles associadas, como tendões do manguito rotador ou ligamentos.

Tratamento

O tratamento da fratura do úmero depende de vários fatores, incluindo a localização e tipo da fratura, o grau de desvio, a idade e o nível de atividade do paciente, e a presença de lesões associadas. Pode ser conservador ou cirúrgico.

  • Tratamento Conservador (não cirúrgico):
    • Imobilização: A maioria das fraturas do úmero, especialmente as sem grande desvio, podem ser tratadas com imobilização.
      • Fraturas proximais: Tala tipo velpeau ou imobilizador de ombro/braço.
      • Fraturas da diáfise: Gesso “em U” (coaptation splint) ou ortótese funcional de úmero (brace).
      • Fraturas distais: Gesso braquiopalmar (acima do cotovelo).
    • Medicação: Analgésicos para controlo da dor.
    • Fisioterapia precoce: Uma vez que a dor aguda esteja controlada e o médico autorize, a fisioterapia é crucial para manter a mobilidade das articulações livres (cotovelo, punho, dedos), prevenir a rigidez e fortalecer os músculos.
  • Tratamento Cirúrgico: É indicado em fraturas com grande desvio, instabilidade, lesões de nervos/vasos, fraturas expostas, ou quando o tratamento conservador não é adequado.
    • Redução aberta e fixação interna (RAFI): Os fragmentos ósseos são realinhados cirurgicamente e fixados com placas, parafusos ou varetas intramedulares.
    • Fixação externa: Usada em casos de fraturas expostas ou com grande lesão de tecidos moles.
    • Artroplastia (prótese): Em casos de fraturas complexas do úmero proximal em idosos, pode ser necessária a substituição da articulação do ombro (hemiartroplastia ou artroplastia total/reversa).
    • Reabilitação pós-cirúrgica: A fisioterapia é essencial e intensiva após a cirurgia para recuperar a força e a amplitude de movimento.

Prevenção

A prevenção da fratura do úmero foca-se na redução do risco de quedas e traumatismos, e na manutenção da saúde óssea:

  • Prevenção de quedas:
    • Em idosos: Remover tapetes soltos, melhorar a iluminação, usar corrimãos nas escadas, instalar barras de apoio na casa de banho.
    • Manter a atividade física para melhorar o equilíbrio e a força muscular.
    • Revisão da medicação que possa causar tonturas.
  • Fortalecimento ósseo (prevenção da osteoporose):
    • Dieta rica em cálcio e vitamina D.
    • Exposição solar adequada para síntese de vitamina D.
    • Exercício físico de carga (caminhada, corrida leve, musculação).
    • Em casos de osteoporose, seguir o tratamento médico prescrito (medicamentos para aumentar a densidade óssea).
  • Prevenção de traumatismos em desportos e atividades:
    • Usar equipamento de proteção adequado.
    • Praticar técnicas seguras em desportos de contacto.
  • Condução segura: Reduzir o risco de acidentes de viação.

É fundamental procurar atendimento médico imediato em caso de suspeita de fratura, para um diagnóstico e tratamento adequados que garantam a melhor recuperação funcional possível.

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Edema Linfático M. Sup

Edema Linfático M. Sup


O “Edema Linfático M. Sup” refere-se ao Linfedema do Membro Superior, ou seja, um inchaço crónico (edema) que ocorre no braço (membro superior) devido a uma acumulação anormal de líquido linfático. Isso acontece quando o sistema linfático, responsável por drenar esse líquido e resíduos do corpo, está danificado ou comprometido e não consegue funcionar corretamente.


Sintomas

Os sintomas do Linfedema do Membro Superior podem desenvolver-se gradualmente ao longo do tempo e incluem:

  • Inchaço (Edema): O principal sintoma é o inchaço do braço, que pode afetar o ombro, o braço, o antebraço e/ou a mão. Inicialmente, o inchaço pode ser intermitente e desaparecer durante a noite, mas com o tempo torna-se mais persistente.
  • Sensação de peso ou aperto: O braço afetado pode parecer pesado, tenso ou cheio.
  • Dor ou desconforto: A dor pode variar de leve a intensa.
  • Alterações na pele: A pele pode tornar-se tensa, brilhante, endurecida (fibrose), espessa ou com alterações na coloração. Podem surgir dobras de pele mais profundas.
  • Redução da flexibilidade: Dificuldade em mover as articulações do ombro, cotovelo, punho ou dedos.
  • Sensação de formigueiro ou dormência: Se o inchaço comprimir os nervos.
  • Risco aumentado de infeções (celulite): A pele com linfedema é mais vulnerável a infeções bacterianas, que causam vermelhidão, calor, dor e febre.

Causas

O Linfedema do Membro Superior é classificado em primário ou secundário:

  • Linfedema Primário:
    • É raro e resulta de um desenvolvimento anormal do sistema linfático desde o nascimento (malformações congénitas). Pode manifestar-se logo na infância ou surgir mais tarde na vida.
  • Linfedema Secundário:
    • É a causa mais comum e ocorre devido a danos no sistema linfático. As principais causas de linfedema do membro superior são:
      • Cirurgia para o cancro da mama: É a causa mais frequente. A remoção de gânglios linfáticos na axila (linfadenectomia axilar) durante a cirurgia do cancro da mama, ou a radioterapia que afeta essa região, pode danificar os vasos linfáticos e prejudicar a drenagem.
      • Radioterapia: Pode causar fibrose e danos aos vasos e gânglios linfáticos em qualquer área tratada.
      • Infeções graves: Infeções que afetam os vasos linfáticos (linfangite) ou gânglios linfáticos (linfadenite), especialmente se forem recorrentes.
      • Traumatismos ou lesões graves: Que danificam os vasos linfáticos (ex: queimaduras, fraturas graves).
      • Tumores: Um tumor pode comprimir ou bloquear os vasos e gânglios linfáticos.

Diagnóstico

O diagnóstico do linfedema do membro superior é feito por um médico e envolve:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre o histórico de cancro (especialmente cancro da mama), cirurgias, radioterapia, infeções, o início do inchaço e outros sintomas.
  • Exame físico: Avaliação do braço afetado, comparação com o outro braço para medir a diferença de volume ou circunferência. Observação das alterações na pele e sensibilidade.
  • Medição do volume/circunferência do braço: Para quantificar o inchaço.
  • Exames complementares (para confirmar o diagnóstico ou excluir outras causas):
    • Linfocintigrafia: É o exame de eleição para avaliar a função do sistema linfático. Um corante radioativo é injetado, e as imagens mostram o fluxo linfático e a presença de bloqueios ou danos.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Pode ajudar a visualizar o edema, a fibrose e a diferenciar o linfedema de outras causas de inchaço.
    • Ecografia (ultrassonografia): Pode ser usada para descartar outras causas de inchaço, como trombose venosa profunda.

Tratamento

O tratamento do linfedema do membro superior visa reduzir o inchaço, gerir os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Geralmente, é um tratamento contínuo e não há cura, mas sim controlo da condição. A terapia mais eficaz é a Terapia Descongestiva Complexa (TDC):

  1. Drenagem Linfática Manual (DLM): Uma técnica de massagem suave e rítmica realizada por um fisioterapeuta especializado, que estimula o fluxo linfático e ajuda a mover o líquido acumulado.
  2. Enfaixamento Compressivo (Bandagem Multicamadas): Após a DLM, o braço é enfaixado com ligaduras de baixa elasticidade, o que ajuda a manter a redução do inchaço e a prevenir a sua acumulação.
  3. Terapia de Compressão (Vestuário Compressivo): Após a fase de redução do inchaço, são utilizadas mangas de compressão feitas por medida, que devem ser usadas diariamente para manter o braço sem inchaço.
  4. Exercícios Terapêuticos: Exercícios específicos e suaves que ajudam a bombear o líquido linfático, melhoram a mobilidade e fortalecem os músculos.
  5. Cuidados com a pele: Manter a pele hidratada, limpa e protegida para prevenir infeções.
  • Outras abordagens:
    • Cirurgia: Em casos selecionados e avançados, a cirurgia pode ser considerada, como a transferência de gânglios linfáticos ou a anastomose linfático-venosa, para tentar melhorar a drenagem linfática. A lipossucção pode ser usada para remover o excesso de tecido fibroso e gordura em casos crónicos.
    • Medicamentos: Não há medicamentos que curem o linfedema, mas podem ser usados antibióticos para tratar infeções (celulite).

Prevenção

A prevenção do linfedema do membro superior é crucial, especialmente para pessoas em risco (ex: após cirurgia para cancro da mama). As medidas incluem:

  • Educação e monitorização: Pessoas em risco devem ser informadas sobre o linfedema e monitorizadas para detetar os primeiros sinais de inchaço.
  • Cuidados com o braço em risco:
    • Evitar lesões na pele: Proteger o braço de cortes, arranhões, picadas de insetos, queimaduras solares e infeções. Usar luvas ao fazer jardinagem ou trabalhos domésticos.
    • Evitar medições de tensão arterial, injeções ou colheitas de sangue no braço em risco.
    • Manter a pele limpa e hidratada: Prevenir secura e fissuras.
    • Evitar roupas apertadas ou joias: Que possam restringir o fluxo linfático.
    • Manter um peso saudável: A obesidade é um fator de risco para o linfedema.
    • Exercício físico regular e suave: Com o braço em risco, sob orientação profissional, para promover o fluxo linfático.
    • Elevação do braço: Elevar o braço sempre que possível, especialmente durante o repouso.
    • Evitar calor excessivo: Banhos muito quentes ou saunas prolongadas podem dilatar os vasos e agravar o inchaço.

A adesão a estas medidas preventivas e o tratamento precoce do linfedema, caso surja, são essenciais para gerir a condição e melhorar a qualidade de vida.

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Contratura Muscular

Contratura Muscular


Uma Contratura Muscular no Ombro é uma contração involuntária, contínua e persistente de um ou mais músculos da região do ombro e pescoço. Esta contração leva ao encurtamento das fibras musculares, tornando o músculo rígido, tenso e doloroso ao toque, como se tivesse um “nó”. Não é uma lesão aguda como uma distensão, mas sim um estado de contração prolongada.


Sintomas

Os sintomas de uma contratura muscular no ombro são bastante característicos:

  • Dor localizada: O principal sintoma é uma dor surda, constante ou aguda na zona do músculo afetado, que pode irradiar para o pescoço ou braço.
  • Massa palpável ou “nó”: Ao toque, o músculo apresenta-se endurecido e é possível sentir uma área mais tensa ou um “nó” no seu interior.
  • Rigidez: O ombro e/ou o pescoço ficam rígidos, limitando a amplitude de movimento, dificultando tarefas como levantar o braço, virar a cabeça ou alcançar objetos.
  • Sensibilidade ao toque: A área da contratura é dolorosa quando pressionada.
  • Dor à movimentação: A dor pode piorar ao tentar alongar o músculo afetado ou realizar movimentos específicos.
  • Fraqueza muscular: Em alguns casos, a dor e a rigidez podem levar a uma sensação de fraqueza no braço ou ombro.

Causas

As contraturas musculares no ombro são multifatoriais e frequentemente resultam de uma combinação de fatores:

  • Sobrecarga ou esforço excessivo: Atividades que exigem o uso repetitivo ou intenso dos músculos do ombro e pescoço, como levantar pesos, desportos de arremesso, ou trabalhos que envolvem movimentos acima da cabeça.
  • Má postura: Manter posturas incorretas por longos períodos (ex: ao usar o computador com os ombros curvados, dormir em posições inadequadas, ou carregar mochilas pesadas num só ombro).
  • Stress e tensão emocional: O stress e a ansiedade levam à tensão muscular crónica, especialmente na região do pescoço e ombros.
  • Fadiga muscular: Músculos fatigados são mais suscetíveis a contrações involuntárias.
  • Exposição ao frio ou correntes de ar: Pode levar à contração protetora dos músculos.
  • Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos: A falta de água e de minerais essenciais (como magnésio e potássio) pode comprometer a função muscular.
  • Movimentos bruscos ou incorretos: Um movimento súbito ou realizado de forma errada pode desencadear uma contratura.
  • Lesões anteriores: Um músculo que já sofreu uma lesão pode ter maior propensão a desenvolver contraturas.

Diagnóstico

O diagnóstico de uma contratura muscular no ombro é primariamente clínico, baseado na avaliação do médico:

  • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre os sintomas, a sua localização, intensidade, duração, fatores desencadeantes e aliviadores, e o histórico de atividades físicas ou profissionais.
  • Exame físico: A palpação do músculo é crucial para identificar a área endurecida, o “nó” ou banda tensa, e a sensibilidade ao toque. O médico também avaliará a amplitude de movimento do ombro e pescoço para identificar limitações.
  • Exames complementares: Geralmente, não são necessários exames de imagem para diagnosticar uma contratura simples, pois estas não são visíveis em RX ou TAC. No entanto, se houver suspeita de outra condição subjacente (como uma tendinite, rotura do manguito rotador ou problema na coluna cervical que cause dor referida), o médico poderá solicitar:
    • Ecografia (ultrassonografia): Pode, por vezes, mostrar alterações na estrutura muscular, mas não é rotineiramente usada para contraturas simples.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Mais usada para excluir outras lesões do ombro (tendões, ligamentos, cartilagens) se o diagnóstico não for claro ou se os sintomas forem persistentes e atípicos.

Tratamento

O tratamento das contraturas musculares no ombro visa aliviar a dor, relaxar o músculo e restaurar a sua função normal:

  • Aplicação de calor: Bolsas de água quente, compressas quentes ou duches quentes ajudam a aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo, promovendo o relaxamento e alívio da dor.
  • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor. No entanto, o repouso completo e prolongado não é recomendado, pois pode levar à rigidez.
  • Massagem: Massagens localizadas na área da contratura podem ajudar a desfazer o “nó” muscular e a promover o relaxamento das fibras.
  • Alongamentos: Realizar alongamentos suaves e progressivos do músculo afetado, sempre dentro dos limites da dor.
  • Medicação:
    • Analgésicos: Para alívio da dor.
    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Podem ser usados para reduzir a inflamação, se presente.
    • Relaxantes musculares: Podem ser prescritos em casos de dor mais intensa ou contraturas persistentes, mas devem ser usados com cautela devido aos seus efeitos secundários (ex: sonolência).
  • Fisioterapia: É um componente fundamental do tratamento, especialmente para contraturas recorrentes ou persistentes. O fisioterapeuta pode utilizar:
    • Técnicas de terapia manual (massagens terapêuticas, mobilizações).
    • Eletroterapia (TENS, ultrassom).
    • Cinesioterapia (exercícios de alongamento e fortalecimento específicos).
    • Reeducação postural.
  • Acupuntura: Em alguns casos, pode ser uma opção para o alívio da dor e relaxamento muscular.

Prevenção

A prevenção das contraturas musculares no ombro passa pela adoção de hábitos saudáveis e pela correção de fatores de risco:

  • Manter uma boa postura: Consciência postural ao sentar, trabalhar e durante as atividades diárias. Ajustar a ergonomia do posto de trabalho (altura do monitor, cadeira, teclado).
  • Aquecimento e alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física e alongamentos no final.
  • Fortalecimento muscular: Manter os músculos do ombro, pescoço e das costas fortes e equilibrados.
  • Gerir o stress: Praticar técnicas de relaxamento como ioga, meditação, mindfulness ou outras atividades que ajudem a reduzir a tensão emocional.
  • Hidratação adequada: Beber bastante água ao longo do dia para garantir a hidratação dos músculos.
  • Alimentação equilibrada: Garantir uma ingestão suficiente de nutrientes, incluindo minerais como magnésio e potássio.
  • Evitar a sobrecarga: Não exceder os limites dos músculos, aumentando a intensidade e a duração do exercício gradualmente.
  • Fazer pausas: Em atividades que exigem longos períodos na mesma posição, fazer pausas regulares para alongar e movimentar os músculos.
  • Proteger do frio: Agasalhar-se adequadamente em ambientes frios ou com correntes de ar.

Se as contraturas forem frequentes, muito dolorosas ou não melhorarem com as medidas de autocuidado, é aconselhável procurar um médico ou fisioterapeuta para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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Capsulite adesiva (ombro congelado)

Capsulite adesiva (ombro congelado)


A Capsulite Adesiva, vulgarmente conhecida como “Ombro Congelado”, é uma condição caracterizada por dor e perda progressiva da amplitude de movimento da articulação do ombro. Ocorre devido ao espessamento e encurtamento da cápsula articular (o tecido que envolve a articulação glenoumeral), o que restringe significativamente o movimento.


Sintomas

A capsulite adesiva geralmente progride em três fases distintas, e os sintomas variam em cada uma delas:

  1. Fase Dolorosa (Fase de Congelamento):

    • Dor progressiva: A dor no ombro aumenta gradualmente e piora com o movimento.
    • Dor noturna: A dor é frequentemente mais intensa à noite, dificultando o sono.
    • Rigidez incipiente: Começa a haver alguma perda de movimento, embora a dor seja o sintoma predominante nesta fase. Esta fase pode durar de 6 semanas a 9 meses.
  2. Fase de Congelamento (Fase Rígida):

    • Rigidez acentuada: A dor pode diminuir um pouco, mas a rigidez e a perda de movimento tornam-se mais severas. A capacidade de mover o braço (tanto ativa como passivamente) é significativamente limitada em todas as direções.
    • Dificuldade em tarefas diárias: Atividades simples como vestir-se, pentear o cabelo ou alcançar objetos tornam-se muito difíceis.
    • Esta fase pode durar de 4 a 12 meses.
  3. Fase de Descongelamento (Fase de Resolução):

    • Melhoria gradual da dor: A dor começa a diminuir significativamente.
    • Recuperação gradual da amplitude de movimento: O movimento do ombro começa lentamente a melhorar, embora a recuperação completa possa levar tempo.
    • Esta fase pode durar de 5 a 26 meses, e a recuperação total pode demorar até 2-3 anos em alguns casos.

Causas

A causa exata da capsulite adesiva não é totalmente compreendida em todos os casos (idiopática). No entanto, existem fatores de risco e condições associadas:

  • Idiopática (Primária): Na maioria dos casos, não há uma causa clara.
  • Imobilização prolongada: Manter o ombro imobilizado por um período prolongado após uma lesão, cirurgia ou AVC, aumenta o risco.
  • Diabetes Mellitus: É um fator de risco significativo; pessoas com diabetes têm maior probabilidade de desenvolver capsulite adesiva, e esta pode ser mais grave e difícil de tratar.
  • Outras condições médicas:
    • Doenças da tiroide: Hipotiroidismo e hipertiroidismo.
    • Doença de Parkinson.
    • Doenças cardíacas e cirurgia cardíaca.
    • AVC (Acidente Vascular Cerebral).
  • Traumatismos ou cirurgias prévias no ombro: Podem, por vezes, desencadear a capsulite adesiva, embora a imobilização seja um fator mais direto nestes casos.
  • Sexo e idade: Mais comum em mulheres entre os 40 e 60 anos.

Diagnóstico

O diagnóstico da capsulite adesiva é principalmente clínico, baseado nos sintomas característicos e no exame físico, e na exclusão de outras condições.

  • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre a progressão da dor e da rigidez, o histórico de lesões, cirurgias ou doenças.
  • Exame físico: É crucial. O médico irá avaliar a amplitude de movimento do ombro, tanto ativa (o que o paciente consegue mover) como passiva (o que o médico consegue mover). Na capsulite adesiva, há uma perda de movimento significativa em todas as direções, tanto na mobilidade ativa quanto passiva, o que a distingue de outras condições como tendinopatias ou roturas.
  • Exames de imagem:
    • Radiografias (RX): Geralmente normais nos estágios iniciais, mas podem ajudar a descartar outras causas de dor no ombro, como artrose ou fraturas.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Pode mostrar o espessamento da cápsula articular e ajudar a excluir outras lesões do manguito rotador ou alterações ósseas. Pode também revelar a inflamação da cápsula.
    • Artrografia por RMN: Um corante é injetado na articulação antes da RMN para visualizar melhor a cápsula articular e confirmar a sua contração.

Tratamento

O tratamento da capsulite adesiva é focado no alívio da dor, na recuperação da amplitude de movimento e na gestão das fases da doença. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador.

  • Medidas Conservadoras:
    • Medicação:
      • Analgésicos: Para controlar a dor.
      • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
    • Fisioterapia: É o pilar do tratamento, embora possa ser dolorosa nas fases iniciais. O objetivo é restaurar gradualmente a amplitude de movimento através de:
      • Exercícios de alongamento suave e progressivo.
      • Mobilizações articulares (passivas e assistidas).
      • Técnicas de terapia manual.
      • Modalidades para alívio da dor (calor, frio, ultrassom, eletroterapia).
      • Exercícios de fortalecimento à medida que a mobilidade melhora.
    • Infiltrações intra-articulares: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios) e anestésicos diretamente na articulação do ombro podem proporcionar um alívio significativo da dor e da inflamação, especialmente na fase dolorosa, permitindo que a fisioterapia seja mais eficaz.
    • Terapia com calor/frio: Ajuda a aliviar a dor e a rigidez.
  • Tratamentos Invasivos (para casos refratários ou graves):
    • Hidrodistensão (Distensão Articular): Injeção de uma grande quantidade de soro fisiológico (com corticosteroide e anestésico) na cápsula articular para esticá-la e romper algumas aderências.
    • Manipulação sob Anestesia: O cirurgião move o ombro de forma forçada sob anestesia geral para romper as aderências. Este procedimento tem riscos e é menos comum atualmente.
    • Liberação Capsular Artroscópica: É um procedimento cirúrgico, realizado por artroscopia (minimamente invasivo), onde o cirurgião corta e remove as aderências da cápsula articular. É reservado para casos graves e refratários, especialmente se a dor persistir e a mobilidade não melhorar após 6-12 meses de tratamento conservador. Após a cirurgia, a fisioterapia intensiva é crucial.

Prevenção

A prevenção da capsulite adesiva nem sempre é possível, especialmente em casos idiopáticos ou associados a doenças sistémicas. No entanto, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, particularmente em pessoas com fatores predisponentes:

  • Controlo de doenças subjacentes: Pessoas com diabetes, doenças da tiroide ou outras condições associadas devem gerir bem a sua doença.
  • Mobilização precoce após lesão ou cirurgia: Se o ombro tiver sido imobilizado (por fratura, cirurgia ou AVC), é crucial iniciar exercícios de mobilidade o mais rapidamente possível, sob orientação médica ou de fisioterapeuta, para prevenir a rigidez.
  • Evitar imobilização prolongada: Manter o ombro em movimento, mesmo com exercícios suaves, se houver um período de inatividade forçada.
  • Exercício físico regular: Manter a amplitude de movimento e a força do ombro através de exercícios regulares.

Apesar de ser uma condição que pode ser frustrante e dolorosa, a maioria das pessoas com capsulite adesiva recupera a maior parte da sua amplitude de movimento e função, embora o processo possa ser longo e exija paciência e adesão ao tratamento.

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Bursite Acrómio-clavicular

Bursite Acrómio-clavicular


    A Bursite Subacromial é a inflamação da bursa subacromial, um pequeno saco cheio de líquido localizado no ombro, entre os tendões do manguito rotador (especialmente o supra-espinhoso) e o acrómio (osso do ombro). A sua função é reduzir o atrito durante o movimento do braço.


    Sintomas

    Os sintomas da Bursite Subacromial incluem:

    • Dor no ombro: Localizada na parte externa e frontal do ombro, que pode irradiar para o lado do braço, mas raramente abaixo do cotovelo.
    • Dor com movimentos: A dor piora ao levantar o braço acima da cabeça (abdução ou elevação frontal) ou ao alcançar objetos, especialmente num “arco doloroso” entre 60º e 120º.
    • Dor noturna: Frequentemente, a dor é mais intensa à noite, dificultando o sono, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado.
    • Sensibilidade ao toque: A área sobre a ponta do ombro pode ser dolorosa à palpação.
    • Fraqueza aparente: A dor pode limitar a capacidade de usar o braço, dando uma sensação de fraqueza.

    Causas

    A Bursite Subacromial é geralmente causada por:

    • Movimentos repetitivos: Atividades que envolvem elevação repetitiva do braço acima da cabeça (ex: desportos como natação, ténis, voleibol; profissões como pintores, eletricistas, carpinteiros).
    • Traumatismos: Quedas sobre o ombro ou impactos diretos.
    • Conflito subacromial (Impingement Syndrome): Quando o espaço entre o acrómio e os tendões do manguito rotador (onde a bursa se encontra) é estreito, causando compressão e inflamação da bursa e/ou dos tendões. Pode ser devido a esporões ósseos no acrómio.
    • Roturas do manguito rotador: Uma rotura de um tendão do manguito rotador pode levar à inflamação da bursa adjacente.
    • Má postura: Contribui para um desalinhamento que pode aumentar o atrito na bursa.
    • Doenças inflamatórias: Mais raramente, pode ser parte de uma doença sistémica como artrite reumatoide ou gota.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por um médico (ortopedista ou fisiatra) e inclui:

    • Histórico clínico: O médico irá perguntar sobre os sintomas, atividades, e histórico de lesões.
    • Exame físico: Avaliação da amplitude de movimento, força do ombro, e realização de testes específicos (ex: teste de Neer, teste de Hawkins) que reproduzem a dor ao comprimir a bursa.
    • Exames de imagem:
      • Radiografia (RX): Pode mostrar esporões ósseos no acrómio que contribuem para o conflito.
      • Ecografia (ultrassonografia) do ombro: É muito útil para visualizar a bursa inflamada (espessamento, líquido) e os tendões do manguito rotador, procurando por tendinopatias ou roturas.
      • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Oferece uma visão detalhada da bursa, tendões e outras estruturas moles do ombro, sendo útil para confirmar a inflamação e descartar outras lesões.

    Tratamento

    O tratamento visa reduzir a inflamação, aliviar a dor e restaurar a função do ombro. A maioria dos casos responde a tratamento conservador:

    • Medicação:
      • Analgésicos e Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para controlar a dor e a inflamação.
    • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor.
    • Aplicação de gelo ou calor: O gelo na fase aguda para reduzir a inflamação; o calor pode ser útil mais tarde para relaxar os músculos.
    • Fisioterapia: Essencial para:
      • Reduzir a dor e a inflamação (com modalidades como ultrassom, eletroterapia).
      • Restaurar a amplitude de movimento através de alongamentos.
      • Fortalecer os músculos do manguito rotador e da cintura escapular para melhorar a estabilidade e a mecânica do ombro.
      • Reeducação postural e técnica de movimentos.
    • Infiltrações: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios potentes) e anestésicos diretamente na bursa subacromial podem proporcionar um alívio rápido da dor e da inflamação.
    • Cirurgia: Raramente é necessária apenas para a bursite isolada. É considerada se o tratamento conservador não for eficaz, especialmente se houver um conflito subacromial significativo devido a um esporão ósseo que não responde, ou se a bursite estiver associada a uma rotura do manguito rotador que necessita de reparação. A cirurgia é geralmente artroscópica (minimamente invasiva).

    Prevenção

    A prevenção da Bursite Subacromial foca-se em reduzir a sobrecarga e o atrito no ombro:

    • Aquecimento e alongamento: Antes de qualquer atividade física que envolva os ombros.
    • Fortalecimento muscular: Manter os músculos do manguito rotador e da cintura escapular fortes e equilibrados.
    • Técnicas corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos e realizar movimentos acima da cabeça, evitando sobrecarga ou posições forçadas.
    • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho e as atividades diárias para manter uma boa postura e evitar stress repetitivo no ombro.
    • Fazer pausas: Em atividades que exijam movimentos repetitivos do ombro.
    • Evitar dormir sobre o ombro afetado: Se houver dor.

    Artrite da Articulação Acromioclavicular (AC)

    A Artrite da Articulação Acromioclavicular (AC) é a inflamação e degeneração da cartilagem da articulação onde o acrómio (parte da omoplata) se encontra com a clavícula (osso da “saboneteira”). É uma causa comum de dor na parte superior do ombro.


    Sintomas

    Os sintomas da Artrite da Articulação AC incluem:

    • Dor localizada: A dor é sentida na parte superior do ombro, diretamente sobre a articulação AC. Pode ser aguda ou uma dor constante e surda.
    • Dor ao cruzar o braço: A dor agrava-se ao mover o braço através do corpo (adução horizontal) ou ao levantar o braço acima da cabeça.
    • Sensibilidade à palpação: A articulação AC é dolorosa ao toque ou à pressão.
    • Estalos ou crepitação: Pode haver um som de “estalo” ou “crepitação” ao mover o ombro.
    • Inchaço: Pode haver um inchaço visível na articulação AC.

    Causas

    As causas da Artrite da Articulação AC são geralmente:

    • Desgaste degenerativo (Osteoartrite): É a causa mais comum, resultado do desgaste natural da cartilagem ao longo do tempo.
    • Lesões anteriores: Luxações da articulação AC (separação do ombro) ou fraturas na clavícula/acrómio podem levar ao desenvolvimento de artrite pós-traumática.
    • Movimentos repetitivos ou sobrecarga: Atividades que colocam stress repetitivo na articulação AC, como levantamento de pesos ou desportos de arremesso.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por um médico e inclui:

    • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre a localização da dor, fatores que a agravam, e histórico de lesões ou atividades.
    • Exame físico: Palpação da articulação AC para identificar sensibilidade, e realização de testes específicos (ex: teste de adução horizontal) que reproduzem a dor.
    • Exames de imagem:
      • Radiografias (RX): Essenciais para visualizar o estreitamento do espaço articular, esporões ósseos ou sinais de artrose na articulação AC. Podem ser feitas radiografias comparativas ou com peso para avaliar instabilidade.
      • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Pode ser usada para avaliar a cartilagem e descartar outras patologias associadas.
    • Infiltração diagnóstica: A injeção de um anestésico local na articulação AC pode confirmar o diagnóstico se houver alívio significativo da dor.

    Tratamento

    O tratamento da Artrite da Articulação AC visa aliviar a dor e manter a função:

    • Tratamento Conservador (primeira linha):
      • Medicação: Analgésicos e AINEs para controlo da dor e inflamação.
      • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor.
      • Aplicação de gelo ou calor: Para alívio sintomático.
      • Fisioterapia: Exercícios de mobilidade e fortalecimento dos músculos do ombro para apoiar a articulação e melhorar a mecânica.
      • Infiltrações: Injeções de corticosteroides diretamente na articulação AC podem proporcionar alívio temporário da dor.
    • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador falha e a dor é incapacitante.
      • Resseção distal da clavícula (Procedimento de Mumford): É a cirurgia mais comum, onde uma pequena porção da extremidade distal da clavícula é removida para criar mais espaço na articulação AC e eliminar o atrito ósseo. Pode ser realizada por via aberta ou artroscópica.

    Prevenção

    A prevenção da Artrite da Articulação AC foca-se em reduzir o stress e o desgaste da articulação:

    • Prevenção de lesões: Evitar quedas diretas sobre o ombro ou traumatismos que possam lesar a articulação AC. Usar equipamento de proteção em desportos.
    • Técnicas de levantamento de pesos: Evitar levantar pesos excessivos que coloquem grande stress na articulação AC, especialmente acima da cabeça.
    • Fortalecimento muscular: Manter os músculos do ombro e da cintura escapular fortes e equilibrados para dar suporte à articulação.
    • Manter um peso saudável: Embora o ombro não seja uma articulação de suporte de peso, o bem-estar geral contribui para a saúde articular.

    Se sentir dor persistente na parte superior do ombro, é importante procurar um médico para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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    Artrite do ombro

    Artrite do ombro


    A Artrite do Ombro é uma condição caracterizada pela inflamação e degeneração da cartilagem que reveste as superfícies das articulações do ombro. O ombro possui duas articulações principais: a articulação glenoumeral (entre a omoplata e o úmero, a principal articulação do ombro) e a articulação acromioclavicular (entre o acrómio da omoplata e a clavícula). A artrite pode afetar uma ou ambas. A forma mais comum é a osteoartrite (ou artrose), uma condição degenerativa, mas outras formas de artrite também podem afetar o ombro.


    Sintomas

    Os sintomas da artrite do ombro geralmente desenvolvem-se gradualmente e podem variar de intensidade:

    • Dor: É o sintoma principal. A dor é frequentemente profunda no ombro e piora com a atividade, especialmente com movimentos que exigem o uso do braço acima da cabeça ou ao levantar pesos. Pode também ser mais intensa à noite, dificultando o sono.
    • Rigidez: O ombro torna-se rígido, limitando a amplitude de movimento. Pode ser difícil realizar tarefas diárias como vestir-se, pentear o cabelo ou alcançar objetos.
    • Crepitação: Pode sentir-se ou ouvir-se um som de “estalo”, “ranger” ou “raspar” (crepitação) ao mover o ombro, devido ao atrito entre as superfícies ósseas sem cartilagem.
    • Perda de mobilidade: A capacidade de mover o braço e o ombro é progressivamente reduzida.
    • Fraqueza: A dor e a perda de movimento podem levar a uma fraqueza dos músculos do ombro.
    • Inchaço: Em alguns tipos de artrite (como a artrite reumatoide), pode haver inchaço e calor na articulação.

    Causas

    As causas da artrite do ombro dependem do tipo de artrite:

    • Osteoartrite (Artrose):
      • Envelhecimento: É a causa mais comum, resultado do desgaste natural da cartilagem ao longo do tempo.
      • Traumatismos anteriores: Fraturas, luxações do ombro ou outras lesões na articulação podem acelerar o desenvolvimento da osteoartrite.
      • Uso excessivo/repetitivo: Atividades que colocam stress repetitivo nas articulações do ombro (ex: certos desportos ou profissões).
    • Artrite Reumatoide: Uma doença autoimune crónica em que o sistema imunitário ataca as próprias articulações do corpo, causando inflamação e destruição da cartilagem. Afeta geralmente múltiplas articulações de forma simétrica.
    • Artrite Pós-traumática: Desenvolve-se após uma lesão significativa no ombro, como uma fratura ou luxação, que danifica a cartilagem.
    • Artrite do Manguito Rotador (Cuff Tear Arthropathy): Ocorre quando uma rotura crónica e de longa data do manguito rotador leva a uma degeneração avançada da articulação do ombro, devido à perda de estabilidade e ao atrito anormal.
    • Outros tipos de artrite: Menos comuns, como artrite psoriática, gota, ou artrite infecciosa.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da artrite do ombro é realizado por um médico e inclui:

    • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre os sintomas (início, duração, intensidade, fatores que os agravam ou aliviam), histórico de lesões no ombro, doenças pré-existentes (como artrite reumatoide) e atividades diárias/profissionais.
    • Exame físico: O médico irá inspecionar o ombro, palpar para identificar áreas de dor ou inchaço, e avaliar a amplitude de movimento (ativa e passiva), força e presença de crepitação.
    • Exames de imagem:
      • Radiografias (RX): São os primeiros exames a serem feitos. Podem mostrar o estreitamento do espaço articular, alterações ósseas (osteófitos) e sinais de artrose.
      • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Fornece imagens detalhadas dos tecidos moles (cartilagem, tendões, ligamentos, músculos) e pode ajudar a avaliar a extensão da degeneração da cartilagem e a identificar roturas do manguito rotador.
      • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Pode ser útil para avaliar a estrutura óssea de forma mais detalhada.
    • Análises de sangue: Podem ser solicitadas para descartar ou confirmar outros tipos de artrite (ex: fator reumatoide e anti-CCP para artrite reumatoide).
    • Aspiração articular: Em alguns casos, especialmente se houver suspeita de artrite infecciosa ou gota, pode ser recolhida uma amostra do líquido sinovial da articulação para análise.

    Tratamento

    O tratamento da artrite do ombro visa aliviar a dor, melhorar a função e retardar a progressão da doença. A abordagem pode ser conservadora ou cirúrgica.

    • Tratamento Conservador (primeira linha, especialmente para osteoartrite leve a moderada):
      • Medicação:
        • Analgésicos: Paracetamol para alívio da dor.
        • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
        • Outros medicamentos: Em casos de artrite reumatoide, são utilizados medicamentos modificadores da doença (DMARDs) e biológicos.
      • Fisioterapia: É fundamental. Inclui exercícios de alongamento para manter a amplitude de movimento, exercícios de fortalecimento dos músculos do manguito rotador e da cintura escapular, e modalidades como calor/frio, ultrassom, eletroterapia.
      • Modificação de atividades: Evitar atividades que agravam a dor e sobrecarregam o ombro.
      • Infiltrações: Injeções de corticosteroides diretamente na articulação podem proporcionar alívio temporário da dor e da inflamação. Injeções de ácido hialurónico (viscossuplementação) podem ser usadas em alguns casos, embora com eficácia variável no ombro.
    • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador falha em aliviar os sintomas e a dor é incapacitante.
      • Artroscopia: Em casos de artrite leve, pode ser realizada para remover fragmentos de cartilagem soltos (corpos livres) ou para limpar o espaço articular.
      • Substituição da articulação (Artroplastia do Ombro): É a cirurgia mais comum e eficaz para a artrite avançada do ombro.
        • Artroplastia Total do Ombro: Substituição da cabeça do úmero e da cavidade glenoidal por próteses.
        • Hemiartroplastia: Substituição apenas da cabeça do úmero.
        • Artroplastia Reversa do Ombro: Uma opção para artrite associada a roturas extensas do manguito rotador.

    Prevenção

    A prevenção da artrite do ombro, especialmente da osteoartrite, foca-se em reduzir o risco de desgaste da cartilagem e de lesões:

    • Gerir o peso: Manter um peso saudável para reduzir o stress nas articulações, embora o ombro seja menos afetado pelo peso corporal do que as articulações dos membros inferiores.
    • Exercício físico regular: Fortalecer os músculos do ombro e do manguito rotador para proporcionar suporte e estabilidade à articulação.
    • Técnicas adequadas: Aprender e aplicar as técnicas corretas ao levantar pesos e ao realizar atividades desportivas ou profissionais que envolvam o ombro, para evitar sobrecarga ou movimentos incorretos.
    • Prevenção de lesões: Usar equipamento de proteção em desportos de contacto e ter cuidado para evitar quedas.
    • Tratamento adequado de lesões prévias: Garantir que fraturas ou luxações do ombro são tratadas corretamente para minimizar o risco de artrite pós-traumática.
    • Controlo de doenças sistémicas: Gerir eficazmente doenças como a diabetes ou a artrite reumatoide, que podem afetar a saúde das articulações.

    Em caso de dor persistente e rigidez no ombro, é fundamental procurar um médico para um diagnóstico e um plano de tratamento adequados.

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