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Autor: admin

Nevralgia do Trigémio

Nevralgia do Trigémio


A Nevralgia do Trigémio (NT) é uma doença neurológica crónica caracterizada por episódios súbitos e intensos de dor facial, que podem ser descritos como choques elétricos, pontadas ou ardor. Esta dor afeta uma ou mais ramificações do nervo trigémio (V nervo craniano), que é responsável pela sensibilidade da face e funções motoras como a mastigação. É considerada uma das condições de dor mais excruciantes.


Sintomas

Os sintomas da Nevralgia do Trigémio são distintivos e incluem:

  • Dor intensa e súbita: A dor é descrita como um choque elétrico, pontada, facada ou ardor, de intensidade muito elevada.
  • Duração curta dos ataques: Os ataques de dor são geralmente breves, durando de segundos a alguns minutos, mas podem ocorrer em salvas.
  • Localização unilateral: A dor afeta tipicamente apenas um lado da face (muito raramente é bilateral), seguindo o percurso de uma ou mais ramificações do nervo trigémio (maxilar, mandibular ou oftálmica).
  • Pontos de gatilho (trigger points): A dor pode ser desencadeada por atividades quotidianas aparentemente inocentes, como tocar no rosto, lavar os dentes, barbear, mastigar, falar, engolir, sorrir, aplicar maquilhagem ou até mesmo uma brisa no rosto.
  • Períodos de remissão: Os pacientes podem ter períodos sem dor, que podem durar semanas, meses ou até anos, especialmente no início da doença. No entanto, com o tempo, estes períodos tendem a encurtar e a intensidade da dor pode aumentar.
  • Dor em áreas específicas: As áreas mais frequentemente afetadas são a bochecha, mandíbula e dentes.

Causas

A causa mais comum da Nevralgia do Trigémio é a compressão neurovascular, ou seja, um vaso sanguíneo (geralmente uma artéria, como a artéria cerebelar superior) está em contacto com o nervo trigémio no ponto onde este sai do tronco cerebral, causando uma irritação constante. No entanto, existem outras causas:

  • Esclerose Múltipla (EM): Em doentes com EM, a mielina (a bainha protetora dos nervos) pode ser danificada, incluindo a do nervo trigémio, levando à dor.
  • Tumores: Raramente, um tumor pode comprimir o nervo trigémio.
  • Malformações arteriovenosas: Anomalias nos vasos sanguíneos podem também causar compressão.
  • Lesões: Traumatismos faciais ou cirurgias podem, em casos raros, levar ao desenvolvimento de NT.
  • Causas idiopáticas: Em alguns casos, não é possível identificar uma causa específica para a dor.

Diagnóstico

O diagnóstico da Nevralgia do Trigémio é principalmente clínico, baseado na descrição dos sintomas pelo paciente, que são bastante característicos.

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar exaustivamente sobre as características da dor (tipo, intensidade, duração, localização, fatores desencadeantes) e o histórico médico do paciente.
  • Exame neurológico: O exame físico geralmente é normal, mas o médico pode verificar a sensibilidade facial, os reflexos e a função motora para descartar outras condições.
  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) cerebral: É fundamental para:
    • Confirmar a presença de compressão neurovascular (um vaso sanguíneo a tocar no nervo).
    • Descartar outras causas secundárias, como tumores ou lesões da esclerose múltipla que possam estar a afetar o nervo trigémio.

Tratamento

O tratamento da Nevralgia do Trigémio visa o alívio da dor, e pode ser dividido em tratamento farmacológico e não farmacológico (incluindo procedimentos e cirurgia):

  • Tratamento Farmacológico (primeira linha):
    • Carbamazepina: É o medicamento de primeira escolha e o mais eficaz para a maioria dos doentes.
    • Oxcarbazepina: Outro fármaco antiepilético que pode ser usado, com um perfil de efeitos secundários ligeiramente diferente da carbamazepina.
    • Outros medicamentos: Gabapentina, pregabalina, baclofeno ou lamotrigina podem ser utilizados como alternativas ou em combinação, especialmente se a carbamazepina não for eficaz ou bem tolerada.
  • Tratamento Não Farmacológico/Invasivo (para casos refratários):
    • Injeções de toxina botulínica: Podem ser úteis em alguns pacientes para reduzir a dor.
    • Rizotomia por Radiofrequência: Destrói seletivamente as fibras nervosas que transmitem a dor.
    • Glicerol Rizólise: Injeção de glicerol para danificar o nervo e interromper a transmissão da dor.
    • Compressão por balão: Um balão é insuflado para comprimir o nervo.
    • Radiocirurgia Estereotáxica (Gamma Knife ou CyberKnife): Um tipo de radioterapia que entrega uma dose de radiação focada no nervo trigémio, causando um dano que impede a transmissão da dor.
    • Descompressão Microvascular (DMV): É uma cirurgia que visa aliviar a compressão do nervo trigémio por um vaso sanguíneo. É considerada a opção mais eficaz para alívio a longo prazo da dor, especialmente em casos de compressão neurovascular confirmada. Consiste em colocar uma pequena almofada entre o nervo e o vaso sanguíneo.

Prevenção

A Nevralgia do Trigémio geralmente não é uma condição que possa ser prevenida no sentido tradicional, uma vez que a sua causa mais comum (compressão neurovascular) não está ligada a fatores de estilo de vida modificáveis. No entanto, algumas estratégias podem ajudar a gerir os sintomas ou a reduzir o risco de desencadear crises em pessoas já diagnosticadas:

  • Evitar os “gatilhos”: Identificar e evitar os fatores que desencadeiam os ataques de dor (ex: evitar alimentos muito quentes ou frios, proteger o rosto do vento, usar escovas de dentes macias).
  • Gerir o stress: O stress pode agravar a perceção da dor. Técnicas de relaxamento podem ser úteis.
  • Medicação profilática: Em alguns casos, a medicação pode ser ajustada para tentar prevenir as crises, embora o objetivo principal seja o controlo da dor quando esta ocorre.

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Hérnia cervical

Hérnia Cervical


Uma hérnia discal cervical, comummente referida como hérnia cervical, ocorre quando um dos discos que se encontram entre as vértebras da coluna cervical (pescoço) se danifica e o seu núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) extravasa ou protrui, pressionando os nervos adjacentes ou a medula espinhal. Estes discos funcionam como amortecedores e permitem o movimento flexível da coluna.


Sintomas

Os sintomas da hérnia cervical podem variar dependendo da localização da hérnia e se esta está a comprimir um nervo ou a medula espinhal:

  • Dor no pescoço: Frequentemente é o primeiro sintoma, podendo ser uma dor localizada ou que se espalha para os ombros e braços.
  • Dor irradiada para o braço (cervicobraquialgia): É um sintoma comum e ocorre quando a hérnia comprime uma raiz nervosa. A dor pode ser aguda, em “choque”, ou uma dor constante e surda, que se agrava com certos movimentos do pescoço.
  • Formigueiro, dormência ou “picadas”: Sensações anormais na mão, braço ou ombro, dependendo do nervo afetado.
  • Fraqueza muscular: Dificuldade em mover o braço ou a mão, ou em segurar objetos, devido à compressão do nervo que controla esses músculos.
  • Perda de reflexos: Os reflexos nos braços podem estar diminuídos ou ausentes.
  • Cefaleia: Dores de cabeça, especialmente na parte de trás da cabeça, podem ocorrer.
  • Sintomas de mielopatia (compressão da medula espinhal): Em casos mais graves, se a hérnia comprimir a medula, podem surgir sintomas como dificuldade em andar, perda de equilíbrio, fraqueza em ambos os braços e pernas, e problemas de controlo da bexiga ou intestino. Estes são sintomas de alarme que requerem atenção médica imediata.

Causas

A hérnia cervical é frequentemente o resultado do desgaste natural dos discos (degeneração discal) que ocorre com o envelhecimento. No entanto, pode ser precipitada ou agravada por:

  • Traumatismos: Acidentes (como o “efeito de chicote” em acidentes de viação), quedas ou lesões desportivas que causam impacto no pescoço.
  • Esforço repetitivo ou má postura: Atividades que envolvem movimentos repetitivos do pescoço ou manter posturas incorretas por longos períodos (ex: uso de computador, telemóvel) podem sobrecarregar os discos.
  • Levantamento de pesos de forma incorreta: Especialmente se envolver torção do tronco e pescoço.
  • Fatores genéticos: Algumas pessoas podem ter uma predisposição genética para problemas discais.
  • Tabagismo: O fumo pode reduzir o fluxo sanguíneo para os discos, acelerando a sua degeneração.
  • Obesidade: O excesso de peso pode aumentar a carga sobre a coluna.

Diagnóstico

O diagnóstico da hérnia cervical é feito através de uma combinação de:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá recolher informações sobre os sintomas, a sua duração, intensidade, fatores que os agravam ou aliviam, e histórico de lesões ou doenças.
  • Exame físico e neurológico: Avaliação da postura, palpação do pescoço, e avaliação da amplitude de movimento. O médico também realizará testes neurológicos para verificar a força muscular, sensibilidade, reflexos nos braços e pernas, e sinais de compressão da medula espinhal.
  • Exames de imagem:
    • Radiografia (RX): Pode mostrar o alinhamento da coluna e sinais de artrose, mas não visualiza diretamente a hérnia.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o exame de eleição para o diagnóstico da hérnia cervical, pois permite visualizar detalhadamente os discos, nervos, medula espinhal e outras estruturas de tecidos moles.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Pode ser usada para visualizar melhor as estruturas ósseas e, por vezes, a hérnia, especialmente se a RMN for contraindicada.
  • Eletromiografia (EMG) e Estudos de Condução Nervosa: Podem ser realizados para avaliar a função dos nervos e músculos, confirmando a compressão nervosa e a sua localização.

Tratamento

O tratamento da hérnia cervical é, na maioria dos casos, conservador (não cirúrgico).

  • Tratamento Conservador:

    • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor e o pescoço.
    • Medicação:
        • Analgésicos: Para alívio da dor.
        • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Para reduzir a inflamação e a dor.

      • Relaxantes musculares: Para aliviar espasmos.
      • Corticosteroides orais: Podem ser usados para reduzir a inflamação grave.
      • Antidepressivos tricíclicos ou gabapentinoides: Podem ser prescritos para dor neuropática.
    • Fisioterapia: Essencial para fortalecer os músculos do pescoço, melhorar a postura, alongar os músculos tensos e mobilizar a coluna. Pode incluir terapia manual, exercícios terapêuticos, tração cervical e modalidades como ultrassom ou eletroterapia.
    • Injeções: Infiltrações epidurais ou foraminais de corticosteroides e anestésicos podem ser utilizadas para aliviar a dor e a inflamação diretamente na zona afetada.
  • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador não é eficaz após várias semanas ou meses, ou se houver sinais de compressão grave da medula espinhal (mielopatia) ou défice neurológico progressivo (fraqueza crescente). As opções cirúrgicas incluem:

    • Discectomia cervical anterior com fusão (ACDF): A abordagem mais comum, onde o disco é removido e as vértebras são fundidas.
    • Artroplastia cervical (prótese de disco): Substituição do disco por uma prótese que permite manter alguma mobilidade.
    • Laminectomia/Laminoplastia: Em casos de compressão medular mais extensa.

Prevenção

Embora nem todas as hérnias cervicais possam ser prevenidas, especialmente as relacionadas com a degeneração natural, algumas medidas podem reduzir o risco:

  • Manter uma boa postura: Evitar posturas prolongadas que sobrecarreguem o pescoço, especialmente ao usar computadores ou telemóveis. Ajustar a ergonomia no local de trabalho.
  • Exercício físico regular: Fortalecer os músculos do pescoço, ombros e costas, e manter a flexibilidade através de alongamentos.
  • Evitar o tabagismo: O fumo compromete a saúde dos discos.
  • Controlar o peso: Manter um peso saudável para reduzir a carga sobre a coluna.
  • Técnicas de levantamento corretas: Usar as pernas para levantar pesos e evitar torcer o tronco e o pescoço ao levantar.
  • Dormir adequadamente: Usar um colchão e almofada que proporcionem um bom suporte para o pescoço e mantenham o alinhamento da coluna.
  • Gerir o stress: O stress pode levar a tensão muscular no pescoço.
  • Pausas em atividades repetitivas: Fazer pausas regulares para alongar e movimentar o pescoço em trabalhos que exigem posturas prolongadas.

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Cervicalgia

Cervicalgia


A cervicalgia é o termo médico para dor no pescoço. É uma condição muito comum que afeta uma grande percentagem da população em alguma altura da vida, sendo caracterizada por dor e rigidez na região cervical, que se estende da base do crânio até à parte superior das costas.


Sintomas

Os sintomas da cervicalgia podem variar em intensidade e localização, mas os mais frequentes incluem:

  • Dor no pescoço: Pode ser uma dor localizada, surda, constante ou aguda, que piora com o movimento.
  • Rigidez no pescoço: Dificuldade em movimentar a cabeça, especialmente ao virar ou inclinar.
  • Dor irradiada: A dor pode irradiar para os ombros, braços e até para as mãos (neste caso, pode ser um sinal de cervicobraquialgia, que envolve compressão nervosa).
  • Dores de cabeça: Muitas vezes, a dor no pescoço pode causar dores de cabeça, especialmente na parte de trás da cabeça (cefaleia cervicogénica).
  • Espasmos musculares: Contrações involuntárias e dolorosas dos músculos do pescoço.
  • Sensibilidade ao toque: A área afetada pode ser dolorosa ao ser tocada ou pressionada.
  • Formigueiro ou dormência: Se houver compressão nervosa, pode sentir-se formigueiro, dormência ou fraqueza nos braços e mãos.
  • Limitação de movimento: Dificuldade em realizar atividades diárias que exijam movimentação do pescoço.

Causas

A cervicalgia é geralmente multifatorial, mas as causas mais comuns incluem:

  • Má postura: Manter posturas incorretas por longos períodos (ex: ao usar o computador, telemóvel, ou ao dormir em posições inadequadas).
  • Tensão muscular e stress: O stress emocional pode levar à tensão crónica dos músculos do pescoço e ombros.
  • Lesões e traumatismos: Acidentes (como o “efeito de chicote” em acidentes de viação), quedas, lesões desportivas ou movimentos bruscos que afetam o pescoço.
  • Sobrecarga muscular: Esforço excessivo ou repetitivo dos músculos do pescoço, como levantar pesos de forma incorreta.
  • Desgaste das articulações (osteoartrite cervical): Com o envelhecimento, as articulações da coluna cervical podem desgastar-se, levando a dor e rigidez.
  • Hérnia discal cervical: Quando um disco intervertebral se desloca e comprime os nervos.
  • Doenças inflamatórias: Artrite reumatoide ou espondilite anquilosante podem afetar a coluna cervical.
  • Problemas estruturais: Menos comuns, como anomalias congénitas ou tumores (raro).

Diagnóstico

O diagnóstico da cervicalgia é feito através de:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá recolher informações sobre os sintomas, duração, intensidade, fatores que os agravam ou aliviam, e histórico de lesões ou doenças.
  • Exame físico: Avaliação da postura, palpação dos músculos do pescoço e ombros para identificar pontos de dor ou espasmos, e avaliação da amplitude de movimento do pescoço. O médico também pode realizar testes neurológicos para verificar a força, sensibilidade e reflexos dos braços e mãos, especialmente se houver suspeita de compressão nervosa.
  • Exames de imagem:
    • Radiografia (RX): Pode mostrar alterações ósseas, como artrose, alinhamento da coluna ou fraturas.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Fornece imagens mais detalhadas dos ossos e pode ajudar a identificar estenoses (estreitamentos) ou hérnias.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o exame mais útil para visualizar os tecidos moles, como discos intervertebrais, nervos, músculos e ligamentos, sendo essencial para detetar hérnias discais, inflamação ou outras lesões.
  • Eletroneuromiografia (ENMG): Pode ser solicitada para avaliar a função dos nervos e músculos, especialmente se houver sintomas neurológicos como formigueiro ou fraqueza.

Tratamento

O tratamento da cervicalgia visa aliviar a dor, restaurar a função do pescoço e prevenir recorrências:

  • Medidas conservadoras (primeira linha de tratamento):
    • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor.
    • Medicação:
      • Analgésicos: Paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para alívio da dor e inflamação.
      • Relaxantes musculares: Podem ser prescritos para aliviar espasmos musculares.
      • Outros medicamentos: Em casos específicos, como dor neuropática, podem ser usados medicamentos específicos.
    • Aplicação de calor ou frio: O calor ajuda a relaxar os músculos, enquanto o frio pode ser útil para reduzir a inflamação aguda.
    • Fisioterapia: É fundamental. Inclui terapia manual (massagem, mobilizações articulares), alongamentos, exercícios de fortalecimento dos músculos do pescoço e ombros, técnicas de reeducação postural, e uso de modalidades como ultrassom ou eletroterapia.
    • Modificação de atividades: Ajustar a ergonomia do local de trabalho, melhorar a postura e evitar movimentos que desencadeiem a dor.
  • Tratamentos complementares: Acupuntura, osteopatia ou quiroprática podem ser consideradas, mas a sua eficácia deve ser avaliada individualmente e complementam o tratamento convencional.
  • Infiltrações: Em casos de dor persistente, podem ser realizadas infiltrações com corticosteroides perto das raízes nervosas ou articulações facetárias.
  • Cirurgia: É uma opção rara e é considerada apenas em casos graves e persistentes que não respondem ao tratamento conservador, especialmente quando há compressão nervosa significativa com défice neurológico progressivo ou instabilidade da coluna.

Prevenção

A prevenção da cervicalgia envolve a adoção de hábitos saudáveis e a correção de fatores de risco:

  • Manter uma boa postura: Consciência postural ao sentar, caminhar e trabalhar. Usar cadeiras ergonómicas e ajustar monitores de computador à altura dos olhos.
  • Ergonomia no local de trabalho: Adaptar o ambiente de trabalho para evitar sobrecargas no pescoço.
  • Exercício físico regular: Fortalecer os músculos do pescoço, ombros e costas. Incluir alongamentos para manter a flexibilidade.
  • Gerir o stress: Técnicas de relaxamento, como meditação, ioga ou mindfulness, para reduzir a tensão muscular.
  • Dormir adequadamente: Usar um colchão e almofada que proporcionem um bom suporte para o pescoço e mantenham o alinhamento da coluna.
  • Evitar carregar pesos excessivos: Distribuir o peso de forma equilibrada.
  • Fazer pausas: Em atividades que exijam longos períodos na mesma posição, fazer pausas regulares para alongar e movimentar o pescoço.
  • Hidratação e nutrição: Manter-se bem hidratado e ter uma dieta equilibrada.

Se a dor no pescoço for persistente, intensa, ou acompanhada de sintomas como formigueiro, dormência ou fraqueza nos braços, é crucial procurar um médico para um diagnóstico e tratamento adequados.

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Contraturas Musculares

Contraturas Musculares


As contraturas musculares são endurecimentos de um músculo ou parte dele, que se mantêm mesmo em repouso. São como um “nó” no músculo, que se torna palpável e causa dor. Resultam de uma contração muscular involuntária, contínua e persistente, que impede o relaxamento normal das fibras musculares.


Sintomas

Os sintomas mais comuns de uma contratura muscular incluem:

  • Dor localizada: A dor é o sintoma principal, geralmente na zona do músculo afetado. Pode ser uma dor surda, constante ou aguda ao toque.
  • Massa palpável ou “nó”: O músculo, ou parte dele, apresenta-se endurecido e é possível sentir uma espécie de “nó” ou banda tensa ao toque.
  • Rigidez: O músculo fica rígido, limitando a amplitude de movimento da articulação próxima. Por exemplo, uma contratura no pescoço pode dificultar o movimento da cabeça.
  • Sensibilidade ao toque: A área afetada é dolorosa ao ser tocada ou pressionada.
  • Fraqueza muscular: Em alguns casos, o músculo pode apresentar-se mais fraco.

Causas

As contraturas musculares são multifatoriais e podem ser causadas por:

  • Sobrecarga ou esforço excessivo: Exceder os limites do músculo, seja através de exercício físico intenso, levantamento de pesos ou atividades repetitivas.
  • Má postura: Manter posturas incorretas por longos períodos, seja no trabalho (ex: uso de computador), ao dormir ou no dia a dia.
  • Stress e tensão emocional: O stress leva à tensão muscular crónica, especialmente nos ombros, pescoço e costas.
  • Frio: A exposição ao frio pode levar à contração involuntária dos músculos.
  • Desidratação e má nutrição: A falta de água e de eletrólitos essenciais (como magnésio e potássio) pode comprometer o funcionamento muscular.
  • Fadiga muscular: Músculos fatigados são mais propensos a desenvolver contraturas.
  • Movimentos bruscos ou incorretos: Realizar um movimento de forma repentina ou errada.
  • Lesões anteriores: Um músculo que sofreu uma lesão anterior pode ser mais propenso a contraturas.

Diagnóstico

O diagnóstico da contratura muscular é maioritariamente clínico e baseia-se em:

  • Histórico clínico: O médico irá questionar sobre os sintomas, a sua localização, intensidade, duração e os fatores que os desencadeiam ou aliviam.
  • Exame físico: A palpação do músculo é crucial para identificar a área endurecida, o “nó” e a sensibilidade ao toque. O médico também avaliará a amplitude de movimento da articulação afetada.
  • Exames complementares: Raramente são necessários exames de imagem como RX, TAC ou RMN para diagnosticar uma contratura simples, pois estas não aparecem visíveis. No entanto, podem ser solicitados para excluir outras condições mais graves, como lesões ósseas ou discais, se houver suspeita.

Tratamento

O tratamento das contraturas musculares visa aliviar a dor e promover o relaxamento do músculo:

  • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor.
  • Aplicação de calor: Bolsas de água quente, toalhas quentes ou duches quentes ajudam a relaxar o músculo e a aumentar o fluxo sanguíneo.
  • Massagem: Massagens localizadas podem ajudar a desfazer o “nó” e a relaxar as fibras musculares.
  • Alongamentos: Realizar alongamentos suaves e progressivos do músculo afetado, sempre dentro dos limites da dor.
  • Medicação:
    • Analgésicos: Para alívio da dor.
    • Anti-inflamatórios: Para reduzir a inflamação, se presente.
    • Relaxantes musculares: Podem ser prescritos em casos de dor mais intensa ou contraturas persistentes, mas devem ser usados com precaução devido aos seus efeitos secundários.
  • Fisioterapia: Um fisioterapeuta pode utilizar diversas técnicas como ultrassons, eletroterapia, terapia manual e exercícios específicos para ajudar na recuperação e prevenção.
  • Acupuntura: Em alguns casos, pode ser uma opção para alívio da dor e relaxamento muscular.

Prevenção

Prevenir as contraturas musculares passa pela adoção de hábitos saudáveis e pela correção de fatores de risco:

  • Aquecimento e alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física e alongamentos no final.
  • Postura correta: Manter uma boa postura no trabalho, ao sentar, ao caminhar e ao levantar objetos. Ajustar a ergonomia do local de trabalho.
  • Evitar o stress: Praticar técnicas de relaxamento, como ioga, meditação ou mindfulness.
  • Hidratação adequada: Beber bastante água ao longo do dia.
  • Alimentação equilibrada: Garantir uma ingestão suficiente de nutrientes, incluindo minerais como magnésio e potássio.
  • Não exceder os limites: Evitar sobrecarregar os músculos, especialmente em atividades físicas intensas. Aumentar a intensidade e a duração do exercício gradualmente.
  • Descanso suficiente: Dar tempo aos músculos para recuperar após o esforço.
  • Proteção contra o frio: Agasalhar-se adequadamente em ambientes frios.

Se as contraturas forem frequentes, intensas ou não melhorarem com as medidas de autocuidado, é aconselhável procurar um médico ou fisioterapeuta para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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Disfunção da Articulação Temporomandibular (ATM)

Disfunção da Articulação Temporomandibular (ATM)


Disfunção da Articulação Temporomandibular

O que é?

A disfunção da ATM é um conjunto de distúrbios que afetam os músculos mastigatórios e estruturas associadas. É complexa de diagnosticar e tratar, predominante em mulheres, e causa dor intensa com restrição do movimento da mandíbula.

Sintomas

Incluem dor na face, ATM e músculos mastigatórios, além de dores de cabeça, ouvido e pescoço. Há uma forte ligação com a coluna cervical, podendo também causar zumbidos, redução da audição e vertigem. A dor varia em frequência e intensidade, e pode haver limitações na abertura da boca, bloqueio e dificuldades na mastigação.

-Dor ou desconforto na mandíbula e/ou nos músculos mastigatórios
-Dores de cabeça, no ouvido e pescoço
-Dificuldade para abrir ou fechar a boca
-Zumbido no ouvido e sensação de redução de audição
-Vertigem e sensação de rosto cansado

Causas

Geralmente multifatorial, as causas incluem traumatismos (acidentes), patologias articulares (artrite), bruxismo (ranger os dentes) e tensão muscular/emocional.

-Bruxismo (apertar ou ranger os dentes)
-Trauma na região da mandíbula
-Stresse emocional e tensão muscular
-Má oclusão
-Hábitos como roer unhas ou morder os lábios

Diagnóstico

Baseia-se em exame físico (palpação muscular e da ATM, avaliação de movimentos e ruídos articulares, análise da saúde oral) e, complementarmente, exames como RX, TAC e RMN.

Tratamento

A maioria dos casos (cerca de 90%) é resolvida com tratamento conservador: medicação, goteiras de relaxamento, fisioterapia e reprogramação postural. Cirurgia é reservada para situações específicas.

Prevenção

Para evitar a dor na mandíbula:

  • Reduzir o stress para controlar o bruxismo.
  • Evitar alimentos que exijam mastigação excessiva (pastilhas, gomas, caramelos).
  • Evitar alimentos duros (nozes, frutos inteiros, gelo).

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Cefaleias Cervicais

Cefaleias Cervicais


A cefaleia cervical, ou cefaleia cervicogénica, é uma dor de cabeça que tem origem em problemas na coluna cervical (pescoço) e/ou nos ombros. É uma dor secundária, o que significa que é causada por uma disfunção ou lesão nessas regiões, podendo afetar os componentes ósseos, discais, musculares e nervosos.


Sintomas

A dor da cefaleia cervicogénica geralmente começa na nuca ou no pescoço e irradia para a parte da frente da cabeça, podendo atingir as têmporas, a testa ou a zona atrás dos olhos. As suas características incluem:

  • Dor unilateral ou bilateral: Pode afetar um lado da cabeça, mas a dor pode começar no pescoço e espalhar-se.
  • Intensidade variável: A dor pode ser ligeira a moderada ou intensa.
  • Rigidez no pescoço: Acompanhada de limitação da amplitude de movimento do pescoço.
  • Piora com movimentos do pescoço: A dor agrava-se ao movimentar o pescoço ou com certas posturas.
  • Dor referida: Pode sentir-se dor na face, à volta dos olhos, ou no ombro/braço do mesmo lado.
  • Outros sintomas: Náuseas, vómitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), e em alguns casos, tonturas ou visão turva.

É importante notar que, ao contrário da enxaqueca, a dor cervicogénica não é tipicamente pulsátil e raramente acorda a pessoa durante o sono.


Causas

As causas são diversas e geralmente estão relacionadas com problemas musculoesqueléticos na região cervical:

  • Lesões e traumatismos: Acidentes (como “efeito de chicote” em acidentes de viação), quedas ou lesões desportivas que afetam o pescoço.
  • Disfunções articulares: Problemas nas articulações da coluna cervical, como a articulação atlantoaxial ou a osteoartrite cervical.
  • Hérnias discais: Na região cervical, que podem comprimir nervos.
  • Irritação nervosa: Nervos comprimidos ou irritados na região do pescoço.
  • Tensão muscular e postura incorreta: Stress, má postura prolongada (ex: usar o computador ou telemóvel com a cabeça muito baixa), dormir em posições inadequadas.
  • Bruxismo ou problemas na ATM: A disfunção da articulação temporomandibular pode estar ligada a dores cervicais.

Diagnóstico

O diagnóstico da cefaleia cervicogénica requer uma avaliação cuidadosa, pois pode ser confundida com outros tipos de dores de cabeça. O processo inclui:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre os sintomas, a sua localização, intensidade, duração e fatores que os agravam ou aliviam.
  • Exame físico: Palpação da musculatura e das articulações do pescoço, avaliação da amplitude de movimento cervical, e verificação de pontos de dor ou sensibilidade.
  • Testes específicos: Testes como o de flexão-rotação do pescoço podem indicar limitação de movimento nas vértebras cervicais superiores.
  • Exames de imagem: RX, TAC (tomografia axial computorizada) ou RMN (ressonância magnética nuclear) da coluna cervical podem ser solicitados para identificar problemas estruturais como artrose, hérnia discal ou outras doenças na coluna.
  • Bloqueios diagnósticos: Em alguns casos, a injeção de anestésico em nervos ou articulações específicas do pescoço pode confirmar a origem da dor se houver alívio temporário dos sintomas.

Tratamento

O tratamento visa aliviar a dor de cabeça e resolver o problema subjacente no pescoço:

  • Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados para o alívio da dor. Em alguns casos, relaxantes musculares ou outros medicamentos específicos podem ser prescritos.
  • Fisioterapia: É um pilar fundamental do tratamento. Inclui exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos do pescoço e ombros, terapia manual, mobilizações articulares e técnicas de reeducação postural.
  • Reprogramação postural: Correção de hábitos posturais inadequados no dia a dia e no trabalho.
  • Bloqueios nervosos ou articulares: Injeções de anestésicos ou corticosteroides em nervos ou articulações específicas podem proporcionar alívio da dor.
  • Radiofrequência: Em casos em que os bloqueios são eficazes, mas o efeito é temporário, a denervação por radiofrequência pode ser uma opção para um alívio mais duradouro.
  • Terapia de relaxamento e controlo do stress: Para gerir a tensão muscular associada.
  • Cirurgia: Raramente necessária, é reservada para casos muito específicos e que não respondem a outros tratamentos.

Prevenção

A prevenção da cefaleia cervicogénica passa pela adoção de hábitos saudáveis e pela correção de fatores de risco:

  • Manter uma boa postura: Evitar posturas prolongadas que sobrecarreguem o pescoço e os ombros, especialmente ao usar computadores, telemóveis ou ao ler. Ajustar a ergonomia do local de trabalho.
  • Atividade física regular: Fortalecer os músculos do pescoço e das costas através de exercícios físicos. Alongamentos regulares do pescoço e ombros.
  • Controlar o stress: Técnicas de relaxamento, meditação ou outras atividades que ajudem a reduzir a tensão emocional podem diminuir a tensão muscular.
  • Dormir bem: Usar uma almofada adequada que mantenha o alinhamento da coluna cervical. Evitar dormir em posições que causem torção ou flexão excessiva do pescoço.
  • Hidratação: Manter-se bem hidratado.
  • Evitar sobrecarga física: Não carregar pesos excessivos de forma incorreta.
  • Deixar de fumar: O tabagismo pode afetar a saúde dos discos intervertebrais.

Se sentir dores de cabeça persistentes ou dores no pescoço que irradiam para a cabeça, é fundamental procurar um médico para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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