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Autor: admin

Fratura do Capítulo Umeral

Fratura do Capítulo Umeral (Côndilo Umeral)


Esta fratura envolve a separação da superfície articular arredondada do úmero (o capítulo/côndilo) do restante osso do braço. É uma fratura intra-articular, o que significa que afeta a superfície da articulação, sendo crucial um alinhamento perfeito para evitar problemas futuros.


Sintomas

Os sintomas de uma fratura do capítulo umeral são:

  • Dor intensa e imediata: Dor aguda no cotovelo sentida no momento do traumatismo.

  • Inchaço (Edema): Inchaço rápido e significativo em torno da articulação do cotovelo, devido à hemorragia intra-articular.

  • Equimose: Pode surgir uma nódoa negra significativa à volta do cotovelo.

  • Limitação do Movimento: O paciente apresenta dificuldade ou incapacidade de mover o cotovelo, tanto para dobrar (flexão) quanto para esticar (extensão), devido à dor e ao bloqueio mecânico dos fragmentos.

  • Dor com a Rotação do Antebraço: Tal como na fratura da cabeça radial, a pronação e supinação (rotação do antebraço) são frequentemente dolorosas e limitadas.

  • Sensibilidade: Dor intensa ao toque na parte frontal e lateral do cotovelo.


Causas

A fratura do capítulo umeral ocorre tipicamente através do mesmo mecanismo da fratura da cabeça radial:

  • Queda sobre o Braço Estendido (Mão em Extensão): É a causa mais comum. A força de impacto transmitida através do antebraço e da cabeça radial, ao atingir a superfície articular do úmero (o capítulo), provoca a cisão e a separação do fragmento ósseo. Este fragmento é geralmente forçado para cima e para a frente.


Diagnóstico

O diagnóstico deve ser rápido e preciso, uma vez que estas fraturas requerem frequentemente intervenção cirúrgica:

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá avaliar a presença de dor, inchaço e a limitação de movimento. É crucial verificar o estado neurovascular, especialmente o nervo cubital e o nervo mediano, que podem ser afetados pela lesão.

  • Radiografias (RX): São o exame essencial. Devem ser tiradas múltiplas projeções (anteroposterior e lateral) do cotovelo. A projeção lateral é particularmente importante para visualizar o fragmento do capítulo umeral que se deslocou para a frente na articulação.

  • Tomografia Computorizada (TAC): É frequentemente necessária para classificar a fratura e determinar o número e o tamanho exato dos fragmentos, sendo fundamental para o planeamento cirúrgico da reconstrução articular.


Tratamento

O tratamento para a fratura do capítulo umeral é, na maioria dos casos, cirúrgico, devido à natureza intra-articular da lesão. O objetivo é restaurar a anatomia da articulação do cotovelo com a maior precisão possível para evitar a artrose e a rigidez.

  • Tratamento Cirúrgico (Fixação Aberta com Redução Interna – ORIF):

    • Redução Anatómica: O cirurgião reposiciona os fragmentos ósseos na sua posição exata.

    • Fixação: Os fragmentos são fixados firmemente com pequenos parafusos (muitas vezes parafusos de compressão sem cabeça) ou placas minúsculas.

    • Objetivo: Obter a estabilidade suficiente que permita a mobilização precoce do cotovelo.

  • Tratamento Não Cirúrgico:

    • Reservado apenas para fraturas não deslocadas ou minimamente deslocadas, o que é raro.

    • Mesmo nestes casos, a imobilização é mantida pelo menor tempo possível (geralmente menos de 1 semana) para prevenir a rigidez articular (a complicação mais temida no cotovelo).

  • Reabilitação Pós-Tratamento:

    • Fisioterapia: É essencial e deve começar o mais cedo possível, de acordo com as instruções do cirurgião, para restaurar a amplitude de movimento do cotovelo e, posteriormente, a força.


Prevenção

A prevenção da fratura do capítulo umeral é semelhante à prevenção de outras fraturas do cotovelo:

  • Prevenção de Quedas: Garantir a segurança em casa (remover obstáculos, boa iluminação) e evitar situações de alto risco, especialmente em superfícies escorregadias.

  • Equipamento de Proteção: Utilizar proteção adequada (cotoveleiras) em desportos ou atividades de risco (ex: skate, snowboard).

  • Saúde Óssea: Manter uma boa ingestão de cálcio e vitamina D e tratar a osteoporose para fortalecer a resistência óssea.

  • Consciência Corporal: Em desportos e atividades ao ar livre, manter a consciência da técnica correta para evitar o reflexo de cair com o braço esticado.

Se ocorrer uma lesão no cotovelo, procurar atendimento médico imediato é crucial para um diagnóstico e tratamento adequados, minimizando o risco de complicações a longo prazo, como a rigidez articular e a artrose.

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Fratura da tacícula radial

Fratura da tacícula radial


A Fratura da Cabeça Radial (ou Fratura da Tacícula Radial, como se refere a parte superior do osso rádio) é uma lesão óssea que ocorre na extremidade superior do rádio, um dos dois ossos do antebraço, na zona da articulação do cotovelo. A cabeça radial é uma estrutura essencial, pois permite a rotação do antebraço (pronação e supinação) e é crucial para a estabilidade do cotovelo. É uma das fraturas mais comuns na articulação do cotovelo.


Sintomas

Os sintomas de uma fratura da cabeça radial são geralmente imediatos e evidentes:

  • Dor intensa e súbita: Dor aguda no cotovelo e, por vezes, irradiada para o antebraço, sentida no momento da lesão.

  • Dor ao toque: Sensibilidade e dor ao pressionar a parte externa do cotovelo, onde se localiza a cabeça radial.

  • Inchaço (Edema): O cotovelo incha rapidamente devido à hemorragia dentro da articulação.

  • Incapacidade de movimento: Dificuldade ou incapacidade de dobrar (flexionar) ou esticar (estender) totalmente o cotovelo.

  • Dor com a rotação do antebraço: A rotação do antebraço (virar a palma da mão para cima ou para baixo) é particularmente dolorosa e, frequentemente, limitada.

  • Crepitação: Pode sentir-se um som ou sensação de rangido (crepitação) ao tentar mover o cotovelo, devido ao atrito entre os fragmentos ósseos.


Causas

A fratura da cabeça radial é quase sempre causada por um traumatismo e o mecanismo de lesão mais comum é:

  • Queda sobre o braço estendido (Mão em Extensão): O paciente cai e tenta amortecer o impacto com a mão aberta e o braço esticado. Esta força de impacto é transmitida ao longo do rádio até ao cotovelo, forçando a cabeça radial contra o úmero (o osso do braço).

  • Traumatismo direto: Um impacto direto e forte no cotovelo (embora menos comum).


Diagnóstico

O diagnóstico da fratura da cabeça radial é realizado por um médico (ortopedista) e inclui:

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá questionar sobre o mecanismo da lesão, avaliar a dor, o inchaço e a sensibilidade. A avaliação da capacidade de flexão/extensão e rotação do antebraço é crucial. É importante também verificar a função neurovascular do braço e da mão.

  • Radiografias (RX): São o exame essencial. São tiradas várias projeções (frentes e lados) do cotovelo para confirmar a fratura, determinar a sua gravidade, o número de fragmentos e se há deslocamento ou associação com outras lesões articulares.

  • Tomografia Computorizada (TAC): Pode ser solicitada em casos complexos, quando a fratura tem muitos fragmentos, quando há suspeita de lesões associadas (ex: fragmentos dentro da articulação) ou para um planeamento cirúrgico mais detalhado.

  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Raramente necessária para a fratura da cabeça radial em si, mas pode ser útil se houver suspeita de lesões associadas dos ligamentos (como a lesão do ligamento colateral medial ou lateral) que afetem a estabilidade do cotovelo.


Tratamento

O tratamento depende da classificação da fratura (usando a classificação de Mason, que distingue fraturas não deslocadas, deslocadas e cominutivas):

  • Tratamento Conservador (Não Cirúrgico):

    • Indicado para fraturas não deslocadas ou minimamente deslocadas (Mason Tipo I).

    • Imobilização: Uma ligadura simples ou sling pode ser usada por um período curto (cerca de 1 semana) para aliviar a dor. A imobilização prolongada é desaconselhada para evitar a rigidez.

    • Mobilização Precoce: O foco é iniciar o movimento do cotovelo e a rotação do antebraço o mais cedo possível (geralmente após a primeira semana), dentro dos limites da dor, para prevenir a rigidez articular (a complicação mais comum).

    • Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios para controlo da dor.

    • Fisioterapia: Essencial para restaurar a amplitude de movimento e a força muscular.

  • Tratamento Cirúrgico:

    • Indicado para fraturas deslocadas (Mason Tipo II), fraturas cominutivas (Mason Tipo III) ou quando a fratura está associada a instabilidade significativa do cotovelo.

    • Fixação Interna (Osteossíntese): Se o fragmento ósseo for grande e puder ser reconstruído, o cirurgião pode realinhar o fragmento e fixá-lo com pequenos parafusos e/ou placas.

    • Excisão (Remoção) da Cabeça Radial: Em fraturas cominutivas graves (muitos fragmentos) em pacientes mais idosos ou menos ativos, onde a reconstrução não é possível, a cabeça radial pode ser removida.

    • Substituição da Cabeça Radial (Prótese): Em fraturas cominutivas graves em pacientes mais jovens ou ativos, a cabeça radial é substituída por uma prótese metálica ou de silicone para manter a estabilidade do cotovelo.

    • Reabilitação Pós-Cirúrgica: A fisioterapia é crucial e começa logo após a cirurgia (ou de acordo com a orientação do cirurgião) para recuperar a mobilidade e a força.


Prevenção

A prevenção da fratura da cabeça radial foca-se principalmente na prevenção de quedas, que é o mecanismo de lesão mais comum:

  • Prevenção de Quedas:

    • Melhorar o equilíbrio e a força: Exercícios regulares, como ioga, tai chi ou treino de força, ajudam a manter a estabilidade.

    • Segurança em casa: Remover tapetes soltos, garantir boa iluminação e instalar barras de apoio em casas de banho e escadas.

  • Equipamento de Proteção: Em desportos de risco (ex: skate, snowboard), usar equipamento de proteção (ex: cotoveleiras).

  • Técnica de Queda: Aprender a cair corretamente, evitando amortecer o impacto com o braço totalmente estendido.

  • Saúde óssea: Manter uma boa saúde óssea através de uma dieta rica em cálcio e vitamina D e, se necessário, tratamento para a osteoporose.

  • Evitar atividades de risco: Evitar atividades que possam resultar em queda sobre o braço estendido, especialmente em pessoas com saúde óssea comprometida.

Se sofreu uma queda ou tem dor e limitação de movimento no cotovelo, é essencial procurar um médico para um diagnóstico imediato, pois a mobilização precoce é crítica para evitar a rigidez do cotovelo.

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Epitroclite

Epitroclite


A Epitroclite é o nome dado à Epicondilite Medial, também conhecida popularmente como Cotovelo de Golfista.

É uma condição de dor e inflamação (ou degeneração) que afeta os tendões dos músculos flexores do antebraço, onde se inserem na epitróclea (ou epicôndilo medial), a proeminência óssea na parte interna do cotovelo.

Embora seja menos comum do que a Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista), a Epitroclite afeta os músculos responsáveis por fechar a mão e fletir o punho (como o flexor radial do carpo, palmar longo e pronador redondo).


Sintomas

Os sintomas da Epitroclite (Cotovelo de Golfista) desenvolvem-se geralmente de forma gradual:

  • Dor: O sintoma principal é dor e sensibilidade na parte interna (medial) do cotovelo, na área da epitróclea.

  • Irradiação da Dor: A dor pode irradiar para a parte da frente do antebraço e, por vezes, para o punho.

  • Dor com a Preensão e Flexão do Punho: A dor agrava-se com movimentos que envolvem a flexão (dobrar) do punho contra resistência, ou ao agarrar e levantar objetos (especialmente com a palma da mão virada para cima).

  • Fraqueza: Dificuldade em manusear objetos ou realizar tarefas que exigem força na preensão.

  • Rigidez: Pode haver alguma rigidez ao mover o cotovelo ou o punho.

  • Sintomas Nervosos: Devido à proximidade do nervo cubital (ulnar) na parte interna do cotovelo, pode haver sintomas associados de formigueiro e dormência no dedo anelar e dedo mínimo, especialmente em casos de inchaço significativo.


Causas

A Epitroclite é causada por uso excessivo e stress repetitivo nos tendões flexores do antebraço, levando a microtraumatismos e degeneração na sua inserção óssea.

  • Atividades Desportivas: O termo “Cotovelo de Golfista” deriva do stress causado pelo movimento de swing no golfe, que exige a contração intensa e repetitiva dos músculos flexores. É também comum em desportos de arremesso (ex: basebol, dardo) ou em levantamento de pesos (ex: exercícios de bíceps e antebraço).

  • Atividades Ocupacionais: Profissões que envolvem movimentos repetitivos e vigorosos de preensão e torção (ex: carpinteiros, canalizadores, trabalhadores de linha de montagem, uso intensivo de ferramentas manuais ou de jardinagem).

  • Má Técnica: A técnica incorreta em desportos ou o uso de equipamento inadequado (ex: pesos demasiado pesados) sobrecarrega os tendões.

  • Força Súbita: Uma força única e súbita, como tentar levantar um objeto muito pesado ou um movimento brusco.


Diagnóstico

O diagnóstico da Epitroclite é primariamente clínico, realizado por um médico (ortopedista ou fisiatra):

  • Histórico Clínico: O médico irá questionar sobre o tipo de dor, a sua localização, os fatores que a agravam e as atividades do paciente.

  • Exame Físico: O médico irá palpar o epicôndilo medial (epitróclea) para verificar a sensibilidade. O teste diagnóstico mais comum é a flexão do punho contra resistência (pedir ao paciente para fechar o punho e dobrá-lo para cima contra a resistência da mão do médico), que irá reproduzir a dor intensa na parte interna do cotovelo.

  • Exames de Imagem: Geralmente não são necessários, mas podem ser solicitados para:

    • Ecografia (Ultrassonografia): Confirma a degeneração do tendão (tendinose), o espessamento e, por vezes, a presença de calcificações ou pequenas roturas.

    • Radiografias (RX): Podem ser feitas para descartar fraturas ou esporões ósseos na área da epitróclea.


Tratamento

O tratamento da Epitroclite é quase sempre conservador e requer paciência e adesão ao programa de reabilitação.

  • Repouso e Modificação de Atividades: Evitar ou limitar as atividades que causam dor (as que envolvem a flexão e preensão vigorosa do punho).

  • Medicação:

    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Orais ou tópicos (em gel) para reduzir a dor e a inflamação na fase inicial.

    • Analgésicos: Para controlo da dor.

  • Aplicação de Gelo: Aplicação de gelo no cotovelo para reduzir a dor e a inflamação.

  • Fisioterapia: É crucial para a recuperação:

    • Exercícios: Inicialmente, alongamentos suaves; progredir para exercícios de fortalecimento excêntrico (o alongamento do músculo sob tensão) dos músculos flexores e pronadores.

    • Terapia Manual: Massagem de fricção, dry needling (agulhamento seco).

    • Modalidades: Ultrassom, eletroterapia.

  • Ortóteses: O uso de uma banda de contraforte no antebraço, um pouco abaixo do cotovelo, pode ajudar a aliviar a tensão nos tendões.

  • Infiltrações:

    • Corticosteroides: Injeções perto do tendão podem aliviar temporariamente a dor, mas são usadas com cautela e em número limitado.

    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Injeção de fatores de crescimento para promover a reparação do tendão.

  • Cirurgia: Raramente necessária, é reservada para casos crónicos e graves que não melhoraram após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso. A cirurgia envolve a remoção do tecido tendinoso degenerado.


Prevenção

A prevenção da Epitroclite foca-se na correção da técnica, ergonomia e fortalecimento:

  • Fortalecimento muscular: Fortalecer os músculos do antebraço e punho, garantindo um equilíbrio entre os flexores e os extensores.

  • Técnica correta: Em desportos (golfe, arremesso) ou no trabalho, garantir que a técnica de movimento está correta para não sobrecarregar excessivamente a parte interna do cotovelo.

  • Aquecimento e alongamento: Realizar alongamentos e aquecimento adequados dos músculos do antebraço e punho antes de atividades repetitivas ou que exijam esforço.

  • Progressão gradual: Aumentar a intensidade dos exercícios ou o tempo de atividade de forma progressiva.

  • Ergonomia: Ajustar as ferramentas ou o posto de trabalho para minimizar a tensão no cotovelo e antebraço.

  • Fazer pausas: Em tarefas repetitivas, fazer pausas regulares para alongar e descansar os músculos.

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Epicondilite

Epicondilite


A Epicondilite é uma condição inflamatória ou degenerativa que afeta os tendões que se inserem nos epicôndilos, as proeminências ósseas no cotovelo. Existem dois tipos principais, dependendo da área do cotovelo afetada:

  1. Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista): Afeta os tendões extensores no lado externo (lateral) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo lateral. É a forma mais comum.

  2. Epicondilite Medial (Cotovelo de Golfista): Afeta os tendões flexores no lado interno (medial) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo medial.

Vou detalhar a Epicondilite Lateral por ser a mais comum, mas a descrição é similar para a Epicondilite Medial, alterando apenas a localização e os grupos musculares envolvidos.


Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista)

É uma tendinopatia (condição do tendão) que envolve principalmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo no cotovelo.


Sintomas

Os sintomas da epicondilite lateral (cotovelo de tenista) incluem:

  • Dor: O sintoma principal é dor na parte externa (lateral) do cotovelo, que se irradia para o antebraço e, por vezes, para o punho.

  • Sensibilidade: Dor e sensibilidade ao toque no epicôndilo lateral (a protuberância óssea na parte de fora do cotovelo).

  • Dor com a preensão: A dor agrava-se com movimentos que envolvem o punho e os dedos, especialmente ao agarrar ou torcer objetos (ex: abrir um frasco, pegar numa chávena, apertar as mãos, levantar pesos).

  • Fraqueza: Pode sentir-se fraqueza ao tentar levantar ou segurar objetos.

  • Dor noturna: Em casos mais avançados, pode ocorrer dor durante a noite.

  • Rigidez: Pode haver alguma rigidez no cotovelo, embora não seja o sintoma predominante.


Causas

A epicondilite é causada por uso excessivo e stress repetitivo nos músculos e tendões do antebraço. Este stress leva a microtraumatismos, degeneração e, por vezes, a inflamação dos tendões na sua inserção óssea.

  • Atividades repetitivas: É comum em profissões que envolvem movimentos repetitivos do punho e dos dedos (ex: canalizadores, carpinteiros, pintores, cozinheiros, talhantes, trabalhadores de linha de montagem).

  • Desportos: Uso incorreto da técnica ou de equipamento inadequado em desportos de raquete (ténis, squash), onde há repetição de movimentos de extensão do punho.

  • Má técnica ou ergonomia: Uso incorreto do teclado e do rato do computador, ou ferramentas inadequadas.

  • Força repentina: Raramente, um evento de força única e súbita pode desencadear a lesão.

  • Idade: Mais comum entre os 30 e os 50 anos.


Diagnóstico

O diagnóstico da epicondilite é primariamente clínico, baseado na avaliação do médico:

  • Histórico Clínico: O médico irá questionar sobre o tipo de dor, a sua localização, os fatores que a agravam e as atividades profissionais ou desportivas do paciente.

  • Exame Físico: O médico irá palpar o epicôndilo lateral para verificar a sensibilidade. Serão realizados testes específicos, como a extensão do punho contra resistência, que tipicamente reproduz a dor na inserção do tendão no cotovelo.

  • Exames de Imagem: Geralmente não são necessários para um diagnóstico de epicondilite simples, mas podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da degeneração ou descartar outras causas de dor no cotovelo:

    • Ecografia (Ultrassonografia): Pode visualizar a degeneração do tendão (tendinose), o espessamento e a presença de calcificações ou pequenas roturas.

    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Usada em casos persistentes ou atípicos, para descartar outras patologias (ex: compressão nervosa) e confirmar a extensão da lesão tendinosa.

    • Radiografias (RX): Podem ser feitas para descartar fraturas ou avaliar sinais de artrose.


Tratamento

O tratamento da epicondilite é quase sempre conservador e requer paciência, pois a recuperação pode ser lenta.

  • Repouso e Modificação de Atividades: Evitar ou limitar as atividades que causam dor (as que envolvem a extensão e torção do punho).

  • Medicação:

    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Orais ou tópicos (em gel) para reduzir a dor e a inflamação na fase inicial.

    • Analgésicos: Para controlo da dor.

  • Aplicação de Gelo: Aplicação de gelo no cotovelo para reduzir a dor e a inflamação.

  • Fisioterapia: É o pilar do tratamento a longo prazo:

    • Exercícios: Inicialmente, alongamentos suaves; progredir para exercícios de fortalecimento excêntrico (o alongamento do músculo sob tensão) dos músculos do antebraço e extensores do punho.

    • Terapia Manual: Massagem de fricção transversal, mobilização.

    • Modalidades: Ultrassom, eletroterapia, laser.

  • Ortóteses (Cotoveleiras):

    • Banda de contraforte (braçadeira): Uma banda colocada no antebraço, um pouco abaixo do cotovelo, que alivia a tensão no tendão.

  • Infiltrações:

    • Corticosteroides: Injeções perto do tendão podem aliviar temporariamente a dor, mas são usadas com cautela devido ao potencial de enfraquecimento do tendão.

    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Injeção de fatores de crescimento para promover a reparação do tendão.

  • Cirurgia: Reservada para casos crónicos e graves que não melhoraram após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso. A cirurgia envolve a remoção do tecido tendinoso degenerado e, por vezes, a reinserção do tendão no osso.


Prevenção

A prevenção da epicondilite foca-se na correção da técnica, ergonomia e fortalecimento:

  • Fortalecimento muscular: Fortalecer os músculos do antebraço, punho e ombro para aumentar a sua resistência ao stress.

  • Técnica adequada: Em desportos (ténis, golfe) ou no trabalho, garantir que a técnica de movimento está correta. O equipamento (ex: o tamanho do punho da raquete, o peso da ferramenta) deve ser o adequado.

  • Aquecimento e alongamento: Realizar alongamentos e aquecimento adequados dos músculos do antebraço e punho antes de atividades repetitivas ou que exijam esforço.

  • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho, especialmente o uso do teclado, rato e ferramentas, para minimizar a tensão no cotovelo e antebraço.

  • Fazer pausas: Em tarefas repetitivas, fazer pausas regulares para alongar e descansar os músculos.

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Síndrome do Túnel Cubital (Compressão do Nervo Cubital no Cotovelo)

Síndrome do Túnel Cubital (Compressão do Nervo Cubital no Cotovelo)

É uma neuropatia por compressão na qual o nervo cubital (ulnar) fica irritado, inflamado ou comprimido à medida que passa através do túnel cubital na parte interna do cotovelo.


Sintomas

Os sintomas manifestam-se na área inervada pelo nervo cubital, que inclui a mão e os dedos:

  • Parestesias (Formigueiro e Dormência): Sensação de formigueiro ou dormência no dedo anelar e no dedo mínimo (quinto dedo). Frequentemente, isto é notado primeiro ao acordar ou ao dobrar o cotovelo por longos períodos.

  • Dor: Dor ou sensibilidade na parte interna do cotovelo.

  • Fraqueza: Dificuldade em agarrar ou manusear objetos, fraqueza na preensão e dificuldade em realizar movimentos finos com os dedos (ex: abotoar uma camisa, pegar em moedas).

  • Atrofia muscular (em casos avançados): Em estágios crónicos e graves, pode haver perda de volume muscular na mão (músculos intrínsecos), levando a um aspeto “em garra” dos dedos.

  • Descoordenação: Perda de destreza, tornando as tarefas manuais mais desajeitadas.


Causas

A compressão ou irritação do nervo cubital no cotovelo pode ocorrer devido a:

  • Pressão prolongada: Apoiar-se frequentemente nos cotovelos (ex: numa secretária) pode comprimir diretamente o nervo.

  • Flexão prolongada do cotovelo: Manter o cotovelo dobrado por longos períodos (ex: ao dormir com o cotovelo fletido, ou ao usar o telemóvel) alonga o nervo e o comprime no túnel cubital.

  • Traumatismo: Fraturas anteriores do cotovelo, luxações ou traumatismos diretos na área podem causar inflamação, inchaço ou a formação de tecido cicatricial que comprime o nervo.

  • Anatomia óssea: Algumas pessoas têm uma anatomia óssea que torna o túnel cubital mais estreito ou são mais propensas a que o nervo “salte” da sua posição normal ao dobrar o cotovelo (subluxação do nervo cubital).

  • Artrite ou esporões ósseos: A artrite do cotovelo pode levar à formação de esporões ósseos que ocupam espaço e comprimem o nervo.

  • Cistos ou tumores: Mais raramente, cistos ou outras massas na área podem causar a compressão.


Diagnóstico

O diagnóstico é realizado por um médico (neurologista, ortopedista ou fisiatra) e inclui:

  • Histórico clínico e exame físico: O médico irá avaliar os sintomas e realizar testes específicos:

    • Teste de Tinel: Tocar ou bater suavemente sobre o túnel cubital no cotovelo. Se causar formigueiro nos dedos anelar e mínimo, sugere compressão.

    • Teste de Flexão do Cotovelo: Manter o cotovelo totalmente fletido por um minuto. Se provocar ou intensificar os sintomas, sugere compressão.

    • Avaliação da Força e Sensibilidade: Teste da força muscular da mão e avaliação da sensibilidade nos dedos.

  • Estudos de Condução Nervosa e Eletromiografia (ENMG): Estes são os exames confirmatórios.

    • O Estudo de Condução Nervosa mede a velocidade com que os impulsos elétricos viajam através do nervo. A compressão no cotovelo resulta numa condução mais lenta nesta área.

    • A Eletromiografia (EMG) avalia a atividade elétrica dos músculos inervados pelo nervo cubital (na mão e no antebraço), podendo identificar sinais de desnervação (perda de fibras nervosas).


Tratamento

O tratamento depende da gravidade da compressão. Casos leves a moderados são geralmente tratados de forma conservadora.

  • Tratamento Conservador:

    • Modificação de atividades: Evitar apoiar-se no cotovelo e evitar atividades que envolvam flexão prolongada.

    • Tala noturna: Usar uma tala no cotovelo durante o sono para o manter reto (ou ligeiramente fletido), prevenindo a compressão.

    • Fisioterapia: Exercícios de deslizamento neural e mobilização do cotovelo.

    • Medicamentos: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ajudar na fase inicial.

  • Tratamento Cirúrgico: É recomendado quando:

    • O tratamento conservador não alivia os sintomas após um período de 6 a 12 semanas.

    • A compressão está a causar fraqueza muscular significativa ou atrofia.

    • As técnicas cirúrgicas mais comuns incluem:

      • Descompressão do Nervo Cubital no Cotovelo: Remover as estruturas que estão a comprimir o nervo.

      • Transposição do Nervo Cubital: Mover o nervo da sua posição original para uma posição mais à frente no cotovelo, onde estará menos sujeito a estiramento ou compressão com o movimento.

    • Após a cirurgia, a fisioterapia é essencial para a recuperação da força e da destreza da mão.


Prevenção

A prevenção foca-se em evitar a pressão e o estiramento excessivo do nervo cubital no cotovelo:

  • Evitar a pressão direta: Não apoiar os cotovelos em superfícies duras por longos períodos. Se for necessário, usar almofadas ou acolchoamento.

  • Evitar a flexão prolongada: Manter o cotovelo esticado ao dormir (usando uma toalha enrolada ou uma tala), e estar atento à postura do braço ao usar o telemóvel ou ao conduzir.

  • Ergonomia: Ajustar cadeiras e secretárias no local de trabalho para evitar que os cotovelos fiquem apoiados de forma inadequada.

  • Manter o movimento: Fazer pausas e esticar os cotovelos durante tarefas repetitivas ou prolongadas.

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Bursite olecraniana

Bursite olecraniana


A Bursite Olecraniana é a inflamação da bursa olecraniana, um pequeno saco cheio de líquido localizado na parte de trás do cotovelo, entre a pele e a ponta óssea do cotovelo (o olecrânio). A função da bursa é permitir que a pele deslize suavemente sobre o osso durante os movimentos do cotovelo e absorver o impacto. Quando esta bursa inflama, acumula líquido e causa inchaço e dor.


Sintomas

Os sintomas da bursite olecraniana são bastante distintivos:

  • Inchaço (Edema): O sintoma mais proeminente é um inchaço visível e palpável na parte de trás do cotovelo, que pode variar de tamanho, por vezes formando uma protuberância semelhante a um “ovo” ou “bola de golfe”.
  • Dor: A dor pode ser leve a moderada, especialmente com a pressão direta sobre a bursa ou ao dobrar o cotovelo. Em casos de bursite infetada, a dor pode ser intensa.
  • Sensibilidade ao toque: A área inchada é sensível e dolorosa à palpação.
  • Vermelhidão e Calor: Se a bursa estiver infetada (bursite séptica), a pele sobre a bursa pode ficar vermelha e quente ao toque.
  • Limitação de movimento: A flexão completa do cotovelo pode ser limitada devido à dor e ao inchaço, embora a extensão total possa ser menos afetada.
  • Febre e mal-estar: Em casos de bursite infetada, podem ocorrer sintomas sistémicos como febre, calafrios e mal-estar geral.

Causas

As causas da bursite olecraniana podem ser várias:

  • Traumatismo Direto: Um impacto direto na ponta do cotovelo (ex: cair sobre o cotovelo, bater o cotovelo numa superfície dura).
  • Pressão Repetitiva: Apoiar-se frequentemente nos cotovelos em superfícies duras (ex: estudar, trabalhar numa secretária), o que lhe confere o apelido de “cotovelo de estudante” ou “cotovelo de oleiro”.
  • Atividade Repetitiva: Movimentos repetitivos do cotovelo que causam atrito na bursa.
  • Infeção: Uma ferida, arranhão ou picada de inseto na área do cotovelo pode permitir a entrada de bactérias na bursa, levando a uma bursite séptica (infetada). É uma causa comum e grave que requer atenção médica imediata.
  • Condições Inflamatórias: Doenças como artrite reumatoide, gota ou pseudogota podem causar inflamação da bursa.
  • Pequenas roturas dos tendões do tricípite: Embora não seja uma causa direta, pode haver uma associação com a inflamação da bursa.

Diagnóstico

O diagnóstico da bursite olecraniana é maioritariamente clínico, baseado no histórico do paciente e no exame físico:

  • Histórico Clínico: O médico irá questionar sobre o início do inchaço, se houve traumatismo, atividades diárias ou profissionais, e a presença de dor, vermelhidão ou febre.
  • Exame Físico: O médico irá inspecionar e palpar a parte de trás do cotovelo para avaliar o inchaço, a sensibilidade, a temperatura da pele e a presença de vermelhidão. A amplitude de movimento do cotovelo também será avaliada.
  • Aspiração da Bursa (Punção): Se houver suspeita de infeção (vermelhidão, calor, dor intensa, febre) ou gota, o médico pode aspirar o líquido da bursa com uma agulha. O líquido é então enviado para análise laboratorial para identificar bactérias ou cristais (em caso de gota/pseudogota).
  • Exames de Imagem: Raramente são necessários para o diagnóstico da bursite simples. No entanto, podem ser solicitados para descartar outras condições ou complicações:
    • Radiografias (RX): Podem ser feitas para descartar fraturas ou esporões ósseos no olecrânio.
    • Ecografia (Ultrassonografia): Pode visualizar a bursa inflamada, a quantidade de líquido e a presença de corpos estranhos.

Tratamento

O tratamento da bursite olecraniana depende da sua causa (inflamatória ou infeciosa) e da gravidade dos sintomas:

  • Tratamento Conservador (para bursite não infetada):
    • Repouso e Proteção: Evitar atividades que coloquem pressão ou stress no cotovelo. Pode ser usado um cotoveleira protetora ou um acolchoado para proteger a área.
    • Gelo: Aplicação de compressas frias ou gelo na área afetada para reduzir o inchaço e a dor, especialmente nas primeiras 24-48 horas.
    • Medicação:
      • Analgésicos: Paracetamol para controlo da dor.
      • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Ibuprofeno, naproxeno para reduzir a dor e a inflamação.
    • Aspiração da Bursa: O médico pode aspirar o excesso de líquido da bursa para aliviar a pressão e o inchaço. No entanto, o líquido pode voltar a acumular-se.
    • Infiltração de Corticosteroides: Após a aspiração, pode ser injetado um corticosteroide (anti-inflamatório potente) na bursa para reduzir a inflamação.
    • Fisioterapia: Uma vez que a inflamação aguda diminua, exercícios suaves de amplitude de movimento podem ser recomendados para manter a flexibilidade do cotovelo.
  • Tratamento para Bursite Sética (Infetada):
    • Antibióticos: São essenciais e devem ser iniciados rapidamente, geralmente após a aspiração do líquido para cultura. Podem ser administrados oralmente ou, em casos mais graves, por via intravenosa.
    • Aspiração e Drenagem: A bursa pode precisar de ser aspirada repetidamente ou, em casos mais graves, ser drenada cirurgicamente para remover o pus.
    • Cirurgia (Bursectomia):
      • Remoção da bursa (bursectomia): É considerada se a bursite for crónica, persistente, recorrente, se não responder a tratamentos conservadores, ou em casos de infeção que não respondem aos antibióticos e drenagem. A bursa pode ser removida cirurgicamente. A bursa geralmente volta a formar-se normalmente após a remoção.

Prevenção

A prevenção da bursite olecraniana foca-se em evitar a pressão e o traumatismo repetitivo no cotovelo:

  • Evitar pressão prolongada: Evitar apoiar-se nos cotovelos em superfícies duras por longos períodos. Utilizar almofadas ou acolchoamento nos cotovelos se a sua atividade profissional ou passatempo exigir.
  • Proteger o cotovelo: Usar cotoveleiras protetoras durante atividades desportivas ou trabalhos que envolvam risco de impactos diretos no cotovelo.
  • Evitar traumatismos diretos: Ter cuidado para não bater o cotovelo em objetos duros.
  • Higiene de feridas: Limpar e desinfetar adequadamente qualquer arranhão ou ferida na parte de trás do cotovelo para prevenir infeções.
  • Gerir condições médicas subjacentes: Se tiver artrite reumatoide ou gota, seguir o tratamento médico para controlar a doença e reduzir o risco de inflamação das bursas.

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Rotura Muscular do Peitoral

Rotura Muscular do Peitoral


A Rotura Muscular do Peitoral (geralmente referindo-se ao músculo peitoral maior) é uma lesão que ocorre quando as fibras musculares ou o tendão que liga o peito ao braço se rasgam. Esta lesão é mais frequente em homens entre os 20 e os 50 anos, sendo muitas vezes associada à prática de musculação (especialmente no exercício de supino).

Dependendo da gravidade, a rotura pode ser parcial (apenas algumas fibras) ou completa (o tendão separa-se totalmente do osso).


Sintomas

Os sinais de uma rotura do peitoral surgem de forma súbita e traumática:

  • Dor Aguda: Uma dor lancinante sentida imediatamente no peito ou na parte frontal do ombro.

  • Sensação de “Estalo”: Muitos atletas relatam ter ouvido ou sentido um estalo audível no momento da rotura.

  • Hematoma e Inchaço: Aparecimento de uma “nódoa negra” extensa que pode descer pelo braço ou espalhar-se pelo tórax.

  • Deformidade Visível: Em caso de rotura completa, o músculo parece “encolhido” em direção ao centro do peito, criando um aspeto de “vazio” junto à axila.

  • Fraqueza: Dificuldade acentuada em realizar movimentos de empurrar ou de cruzar os braços à frente do corpo.


Causas

O músculo peitoral maior é extremamente forte, mas pode ceder sob carga excessiva ou movimentos bruscos:

  1. Levantamento de Pesos: O exercício de supino (bench press) é o responsável pela maioria das roturas, ocorrendo geralmente na fase de descida da barra, quando o músculo está alongado e sob tensão máxima.

  2. Desportos de Contacto: Impactos diretos ou movimentos forçados no rugby ou artes marciais.

  3. Contração Excêntrica Súbita: Tentar segurar um objeto pesado que cai inesperadamente.


Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas requer confirmação por exames para determinar a extensão da lesão:

  • Exame Físico: O médico ortopedista avalia a simetria do peito e a força do braço.

  • Ecografia: Útil para identificar coleções de sangue (hematomas) e roturas superficiais.

  • Ressonância Magnética (RMN): É o exame de eleição. Permite distinguir se a rotura foi no meio do músculo (menos grave) ou no tendão junto ao osso (que geralmente exige cirurgia).


Tratamento

A escolha do tratamento depende da idade, do nível de atividade do paciente e do tipo de rotura.

Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)

Indicado para roturas parciais ou pacientes menos ativos:

  • Gelo e Repouso: Nas primeiras 48-72 horas para controlar a inflamação.

  • Imobilização: Uso de um braço ao peito (tipo sling) por algumas semanas.

  • Fisioterapia: Essencial para recuperar a mobilidade e fortalecer os músculos auxiliares sem comprometer a cicatriz.

Tratamento Cirúrgico

É o tratamento preferencial para roturas completas do tendão em atletas ou indivíduos ativos:

  • Procedimento: Consiste em reinserir o tendão no osso (úmero) através de âncoras ou túneis ósseos.

  • Recuperação: É um processo lento (4 a 6 meses) até ao retorno completo ao treino de força.


Prevenção

Para evitar esta lesão grave, deve focar-se em:

  1. Aquecimento Progressivo: Nunca inicie séries pesadas sem preparar a articulação e o músculo.

  2. Técnica Correta: No supino, evite descer a barra excessivamente se não tiver flexibilidade, e mantenha os cotovelos numa posição segura (não totalmente abertos a 90°).

  3. Cuidado com a Fadiga: A maioria das lesões ocorre quando o músculo está cansado e a técnica falha.

  4. Evitar Esteroides Anabolizantes: Estes podem aumentar a força muscular mais rápido do que a resistência dos tendões, tornando-os mais propensos a roturas.

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Tendinopatia supra-espinhoso

Tendinopatia supra-espinhoso


A Tendinopatia do Supra-espinhoso é uma condição comum que afeta o tendão do músculo supra-espinhoso, um dos quatro tendões que formam a coifa dos rotadores (ou manguito rotador) no ombro. Este músculo é crucial para iniciar o movimento de elevação do braço e para a estabilidade do ombro. A tendinopatia envolve a inflamação, irritação e/ou degeneração deste tendão.


Sintomas

Os sintomas da tendinopatia do supra-espinhoso geralmente desenvolvem-se gradualmente e pioram com o tempo:

  • Dor no ombro: É o sintoma principal, sentida na parte frontal ou lateral do ombro, que pode irradiar para o lado do braço, mas raramente desce abaixo do cotovelo. A dor pode ser surda e constante, ou aguda com certos movimentos.
  • Dor ao levantar o braço: A dor agrava-se ao levantar o braço acima da cabeça (abdução) ou ao alcançar objetos. É comum um “arco doloroso”, ou seja, a dor é sentida especialmente entre os 60 e os 120 graus de elevação lateral do braço.
  • Dor noturna: Frequentemente, a dor piora à noite, dificultando o sono, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado.
  • Fraqueza: Dificuldade em levantar objetos ou realizar tarefas que exigem força no ombro.
  • Rigidez: Pode haver alguma rigidez ou limitação da amplitude de movimento.
  • Crepitação: Sensação de estalo ou ranger no ombro ao movê-lo.

Causas

A tendinopatia do supra-espinhoso é geralmente causada por:

  • Uso excessivo e movimentos repetitivos: Atividades que envolvem elevação repetitiva do braço acima da cabeça (ex: desportos como natação, ténis, andebol; profissões como pintores, eletricistas) podem causar microtraumatismos e desgaste no tendão.
  • Envelhecimento (Degeneração): Com a idade, os tendões perdem elasticidade e a sua capacidade de cicatrização diminui, tornando-os mais suscetíveis a lesões mesmo com atividades diárias. É uma causa muito comum em pessoas com mais de 40 anos.
  • Conflito subacromial (Impingement): Ocorre quando o espaço entre o acrómio (uma projeção óssea da omoplata) e o tendão do supra-espinhoso é estreito. Isso pode ser devido a esporões ósseos no acrómio ou a alterações na cinemática do ombro, levando à compressão e atrito repetitivo do tendão durante o movimento.
  • Traumatismos: Quedas sobre o ombro ou impactos diretos, embora mais frequentemente causem roturas do que apenas tendinopatia.
  • Má postura: Uma postura curvada para a frente pode reduzir o espaço subacromial, contribuindo para o conflito.
  • Fraqueza muscular: Desequilíbrio ou fraqueza dos músculos da coifa dos rotadores (incluindo o próprio supra-espinhoso) e da cintura escapular pode levar a uma mecânica deficiente do ombro e sobrecarga do tendão.

Diagnóstico

O diagnóstico da tendinopatia do supra-espinhoso é feito por um médico (ortopedista ou fisiatra) e inclui:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre os sintomas (localização, tipo de dor, fatores que a agravam, atividades profissionais/desportivas) e o histórico de lesões.
  • Exame físico: Avaliação da amplitude de movimento (ativa e passiva), palpação da região do ombro para identificar pontos de dor, e realização de testes específicos (ex: teste de Neer, teste de Hawkins, teste de Jobe) que reproduzem a dor ou avaliam a força do tendão supra-espinhoso.
  • Exames de imagem:
    • Radiografias (RX): Úteis para identificar alterações ósseas, como esporões no acrómio que podem causar conflito, ou sinais de artrose. Não visualizam diretamente o tendão.
    • Ecografia (ultrassonografia) do ombro: É um exame muito útil e acessível para visualizar o tendão do supra-espinhoso em tempo real, detetar inflamação (tendinopatia, com espessamento ou alterações de ecogenicidade) e bursites associadas. Permite a avaliação dinâmica durante o movimento do ombro.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) do ombro: É o exame mais detalhado para avaliar o tendão do supra-espinhoso, identificando tendinopatias, inflamação, degeneração e roturas (parciais ou completas), bem como outras lesões dos tecidos moles.

Tratamento

O tratamento da tendinopatia do supra-espinhoso é geralmente conservador (não cirúrgico) e visa reduzir a inflamação, aliviar a dor, restaurar a função e prevenir a progressão da lesão.

  • Medicação:
    • Analgésicos: Para controlo da dor.
    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
  • Repouso relativo e modificação de atividades: Evitar atividades que agravem a dor e que coloquem stress excessivo no tendão. Adaptar movimentos e a ergonomia no trabalho.
  • Aplicação de gelo ou calor: O gelo pode ajudar a reduzir a inflamação na fase aguda; o calor pode ser útil para relaxar os músculos e aliviar a rigidez em fases mais crónicas.
  • Fisioterapia: É o pilar do tratamento. Inclui:
    • Controlo da dor e inflamação (com modalidades como ultrassom, eletroterapia, laser).
    • Exercícios de alongamento suave para restaurar a amplitude de movimento.
    • Exercícios de fortalecimento progressivo dos músculos da coifa dos rotadores e da cintura escapular, que são cruciais para melhorar a mecânica do ombro e a estabilidade.
    • Reeducação postural e técnica de movimentos.
  • Infiltrações:
    • Corticosteroides: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios potentes) e anestésicos na bursa subacromial (espaço onde o tendão desliza) podem proporcionar um alívio rápido da dor e da inflamação. Devem ser usadas com cautela e limitadas em número devido aos potenciais efeitos adversos no tendão.
    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Uma opção mais recente, onde o plasma do próprio paciente (rico em fatores de crescimento) é injetado para promover a cicatrização. Os resultados ainda são variáveis e requerem mais estudos.
  • Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (ESWT): Pode ser uma opção para tendinopatias crónicas que não respondem a outras abordagens.
  • Cirurgia: Raramente necessária para a tendinopatia isolada. É considerada se o tratamento conservador não for eficaz após vários meses, se houver um conflito subacromial significativo devido a um esporão ósseo que não responde, ou se a tendinopatia progredir para uma rotura. A cirurgia é geralmente artroscópica (minimamente invasiva) e pode envolver a descompressão subacromial (remoção de parte do osso para aumentar o espaço) ou a reparação de pequenas roturas.

Prevenção

A prevenção da tendinopatia do supra-espinhoso foca-se em reduzir a sobrecarga e o desgaste do tendão:

  • Aquecimento e alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física que envolva os ombros e alongamentos regulares para manter a flexibilidade.
  • Fortalecimento muscular equilibrado: Manter os músculos da coifa dos rotadores e da cintura escapular fortes e equilibrados. Exercícios específicos para o manguito rotador são cruciais para a estabilidade e a mecânica do ombro.
  • Técnicas corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos, arremessar ou realizar movimentos acima da cabeça, evitando sobrecarga ou movimentos bruscos e repetitivos.
  • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho e as atividades diárias para manter uma boa postura e evitar stress repetitivo no ombro.
  • Fazer pausas: Em atividades que exijam movimentos repetitivos do ombro.
  • Evitar o tabagismo: O fumo pode comprometer a saúde dos tendões.
  • Gerir o stress: O stress pode levar a tensão muscular no pescoço e ombros, que pode influenciar a mecânica do ombro.
  • Procurar ajuda médica precocemente: Em caso de dor persistente no ombro, procurar um médico para um diagnóstico e tratamento atempados pode prevenir a progressão da tendinopatia para uma rotura.

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Tendinopatia Coifa Rotadores

Tendinopatia Coifa Rotadores


A Tendinopatia da Coifa dos Rotadores (também conhecida como Tendinopatia do Manguito Rotador) é uma condição comum caracterizada pela inflamação, irritação e/ou degeneração de um ou mais dos quatro tendões que compõem a coifa dos rotadores no ombro. Estes tendões (supra-espinhoso, infra-espinhoso, redondo menor e subescapular) são essenciais para os movimentos de elevação e rotação do braço, bem como para a estabilidade da articulação do ombro.


Sintomas

Os sintomas da tendinopatia da coifa dos rotadores geralmente desenvolvem-se gradualmente e pioram com o tempo:

  • Dor no ombro: É o sintoma principal, sentida na parte frontal ou lateral do ombro, que pode irradiar para o lado do braço, mas raramente desce abaixo do cotovelo. A dor pode ser surda e constante, ou aguda com certos movimentos.
  • Dor ao levantar o braço: A dor agrava-se ao levantar o braço acima da cabeça, ao alcançar objetos ou ao realizar movimentos de rotação do ombro. Pode haver um “arco doloroso” (dor entre os 60 e os 120 graus de elevação do braço).
  • Dor noturna: Frequentemente, a dor piora à noite, dificultando o sono, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado.
  • Fraqueza: Dificuldade em levantar objetos ou realizar tarefas que exigem força no ombro.
  • Rigidez: Pode haver alguma rigidez ou limitação da amplitude de movimento, embora menos grave do que na capsulite adesiva (ombro congelado).
  • Crepitação: Sensação de estalo ou ranger no ombro ao movê-lo.

Causas

A tendinopatia da coifa dos rotadores é geralmente causada por:

  • Uso excessivo e movimentos repetitivos: Atividades que envolvem elevação repetitiva do braço acima da cabeça (ex: desportos como natação, ténis, andebol; profissões como pintores, eletricistas, carpinteiros) podem causar microtraumatismos e desgaste nos tendões.
  • Envelhecimento (Degeneração): Com a idade, os tendões perdem elasticidade e a sua capacidade de cicatrização diminui, tornando-os mais suscetíveis a lesões mesmo com atividades diárias. É a causa mais comum em pessoas com mais de 40 anos.
  • Conflito subacromial (Impingement): Ocorre quando o espaço entre o acrómio (uma projeção óssea da omoplata) e os tendões da coifa dos rotadores é estreito. Isso pode ser devido a esporões ósseos no acrómio ou a alterações na cinemática do ombro, levando à compressão e atrito repetitivo dos tendões durante o movimento.
  • Traumatismos: Quedas sobre o ombro ou impactos diretos, embora mais frequentemente causem roturas do que apenas tendinopatia.
  • Má postura: Uma postura curvada para a frente pode reduzir o espaço subacromial, contribuindo para o conflito.
  • Fraqueza muscular: Desequilíbrio ou fraqueza dos músculos do manguito rotador e da cintura escapular pode levar a uma mecânica deficiente do ombro e sobrecarga dos tendões.

Diagnóstico

O diagnóstico da tendinopatia da coifa dos rotadores é feito por um médico (ortopedista ou fisiatra) e inclui:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre os sintomas (localização, tipo de dor, fatores que a agravam, atividades profissionais/desportivas) e o histórico de lesões.
  • Exame físico: Avaliação da amplitude de movimento (ativa e passiva), palpação da região do ombro para identificar pontos de dor, e realização de testes específicos (ex: teste de Neer, teste de Hawkins, teste de Jobe) que reproduzem a dor ou avaliam a força dos tendões da coifa.
  • Exames de imagem:
    • Radiografias (RX): Úteis para identificar alterações ósseas, como esporões no acrómio que podem causar conflito, ou sinais de artrose. Não visualizam diretamente os tendões.
    • Ecografia (ultrassonografia) do ombro: É um exame muito útil e acessível para visualizar os tendões da coifa dos rotadores em tempo real, detetar inflamação (tendinopatia, com espessamento ou alterações de ecogenicidade) e bursites associadas. Permite a avaliação dinâmica durante o movimento do ombro.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) do ombro: É o exame mais detalhado para avaliar o tendão da coifa dos rotadores, identificando tendinopatias, inflamação, degeneração e roturas (parciais ou completas), bem como outras lesões dos tecidos moles (ex: labrum, cartilagem).

Tratamento

O tratamento da tendinopatia da coifa dos rotadores é geralmente conservador (não cirúrgico) e visa reduzir a inflamação, aliviar a dor, restaurar a função e prevenir a progressão da lesão.

  • Medicação:
    • Analgésicos: Para controlo da dor.
    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.
  • Repouso relativo e modificação de atividades: Evitar atividades que agravem a dor e que coloquem stress excessivo nos tendões. Adaptar movimentos e a ergonomia no trabalho.
  • Aplicação de gelo ou calor: O gelo pode ajudar a reduzir a inflamação na fase aguda; o calor pode ser útil para relaxar os músculos e aliviar a rigidez em fases mais crónicas.
  • Fisioterapia: É o pilar do tratamento. Inclui:
    • Controlo da dor e inflamação (com modalidades como ultrassom, eletroterapia, laser).
    • Exercícios de alongamento suave para restaurar a amplitude de movimento.
    • Exercícios de fortalecimento progressivo dos músculos da coifa dos rotadores e da cintura escapular, que são cruciais para melhorar a mecânica do ombro e a estabilidade.
    • Reeducação postural e técnica de movimentos.
  • Infiltrações:
    • Corticosteroides: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios potentes) e anestésicos na bursa subacromial podem proporcionar um alívio rápido da dor e da inflamação. Devem ser usadas com cautela e limitadas em número devido aos potenciais efeitos adversos no tendão.
    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Uma opção mais recente, onde o plasma do próprio paciente (rico em fatores de crescimento) é injetado para promover a cicatrização. Os resultados ainda são variáveis e requerem mais estudos.
  • Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (ESWT): Pode ser uma opção para tendinopatias crónicas que não respondem a outras abordagens.
  • Cirurgia: Raramente necessária para a tendinopatia isolada. É considerada se o tratamento conservador não for eficaz após vários meses, se houver um conflito subacromial significativo devido a um esporão ósseo que não responde, ou se a tendinopatia progredir para uma rotura. A cirurgia é geralmente artroscópica (minimamente invasiva) e pode envolver a descompressão subacromial (remoção de parte do osso para aumentar o espaço) ou a reparação de pequenas roturas.

Prevenção

A prevenção da tendinopatia da coifa dos rotadores foca-se em reduzir a sobrecarga e o desgaste dos tendões:

  • Aquecimento e alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física que envolva os ombros e alongamentos regulares para manter a flexibilidade.
  • Fortalecimento muscular equilibrado: Manter os músculos da coifa dos rotadores e da cintura escapular fortes e equilibrados. Exercícios específicos para o manguito rotador são cruciais para a estabilidade e a mecânica do ombro.
  • Técnicas corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos, arremessar ou realizar movimentos acima da cabeça, evitando sobrecarga ou movimentos bruscos e repetitivos.
  • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho e as atividades diárias para manter uma boa postura e evitar stress repetitivo no ombro.
  • Fazer pausas: Em atividades que exijam movimentos repetitivos do ombro.
  • Evitar o tabagismo: O fumo pode comprometer a saúde dos tendões.
  • Gerir o stress: O stress pode levar a tensão muscular no pescoço e ombros, que pode influenciar a mecânica do ombro.
  • Procurar ajuda médica precocemente: Em caso de dor persistente no ombro, procurar um médico para um diagnóstico e tratamento atempados pode prevenir a progressão da tendinopatia para uma rotura.

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Rotura da Coifa dos Rotadores

Rotura da Coifa dos Rotadores


A Rotura da Coifa dos Rotadores (ou Rotura do Manguito Rotador, como também é conhecido em Portugal) é uma lesão que afeta um ou mais dos quatro tendões que compõem a coifa dos rotadores: o supra-espinhoso, o infra-espinhoso, o redondo menor e o subescapular. Estes tendões formam uma “coifa” em volta da cabeça do úmero (osso do braço), permitindo e estabilizando os movimentos do ombro, como levantar e rodar o braço. A rotura pode ser parcial (o tendão está danificado, mas não completamente separado) ou completa (o tendão separa-se totalmente do osso).


Sintomas

Os sintomas de uma rotura da coifa dos rotadores podem variar dependendo da gravidade e da causa (aguda ou degenerativa):

  • Dor no ombro: É o sintoma principal. A dor pode ser sentida na parte frontal ou lateral do ombro e pode irradiar para o lado do braço, mas raramente desce abaixo do cotovelo.
    • Dor aguda: Se a rotura for traumática e súbita, a dor é intensa e imediata.
    • Dor crónica: Se a rotura for degenerativa, a dor pode desenvolver-se gradualmente, piorando com o tempo.
  • Dor noturna: É muito comum, especialmente ao deitar-se sobre o ombro afetado, o que pode dificultar o sono.
  • Fraqueza: Dificuldade em levantar o braço acima da cabeça, em alcançar objetos ou em realizar tarefas que exijam força no ombro (ex: pegar numa chávena, abotoar a roupa).
  • Limitação da amplitude de movimento: Dificuldade em mover o ombro em certas direções, como levantar o braço ou rodá-lo.
  • Crepitação: Pode sentir-se um “estalo” ou “raspar” no ombro ao movê-lo.
  • Atrofia muscular: Em roturas crónicas e de longa duração, pode haver um enfraquecimento visível dos músculos do ombro.

Causas

As roturas da coifa dos rotadores podem ser causadas por:

  • Lesões agudas: Um traumatismo súbito e significativo, como uma queda sobre o braço estendido ou sobre o ombro, ou um levantamento brusco de um peso excessivo.
  • Degeneração do tendão (desgaste relacionado com a idade): É a causa mais comum, especialmente em pessoas com mais de 40 anos. Com o envelhecimento, os tendões perdem elasticidade e tornam-se mais frágeis, sendo mais propensos a roturas mesmo com traumatismos mínimos ou atividades diárias.
  • Movimentos repetitivos: Atividades que envolvem elevação repetitiva do braço acima da cabeça (ex: desportos como natação, ténis, andebol; profissões como pintores, eletricistas, carpinteiros) podem causar desgaste e microtraumatismos nos tendões, levando à rotura ao longo do tempo.
  • Conflito subacromial (Impingement): Quando o espaço entre o acrómio (osso do ombro) e os tendões da coifa dos rotadores é estreito, pode haver compressão e atrito repetitivo nos tendões, levando à sua inflamação e, eventualmente, à rotura.
  • Fatores genéticos: Algumas pessoas podem ter uma predisposição genética para a degeneração dos tendões.
  • Tabagismo: O fumo pode reduzir o fluxo sanguíneo para os tendões, comprometendo a sua saúde e capacidade de cicatrização.

Diagnóstico

O diagnóstico da rotura da coifa dos rotadores é feito por um médico (ortopedista) e inclui:

  • Histórico clínico detalhado: O médico irá questionar sobre os sintomas, o mecanismo da lesão (se houve), atividades profissionais ou desportivas, e o histórico de dor no ombro.
  • Exame físico: O médico irá inspecionar o ombro, palpar para identificar áreas de dor e espasmos, e avaliar a amplitude de movimento (ativa e passiva). Serão realizados testes específicos para avaliar a força de cada músculo da coifa dos rotadores e para tentar reproduzir a dor ou identificar a rotura.
  • Exames de imagem:
    • Radiografias (RX): Podem mostrar esporões ósseos no acrómio que contribuem para o conflito, sinais de artrose ou alterações relacionadas com roturas de longa data. No entanto, não visualizam diretamente os tendões.
    • Ecografia (ultrassonografia) do ombro: É um exame muito útil e acessível para visualizar os tendões da coifa dos rotadores em tempo real, detetar inflamação (tendinopatia), roturas (parciais ou completas) e bursites associadas. É dinâmico e permite avaliar os tendões durante o movimento.
    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) do ombro: É o exame mais detalhado para avaliar o tendão da coifa dos rotadores, identificando com precisão a localização, o tamanho e o tipo da rotura (parcial ou completa), bem como a qualidade do músculo e outras lesões associadas (ex: lesões do labrum, artrose). Pode ser realizada com injeção de contraste (artro-RMN) para maior detalhe.

Tratamento

O tratamento da rotura da coifa dos rotadores depende de vários fatores: o tipo e tamanho da rotura, a idade e o nível de atividade do paciente, a duração dos sintomas e a sua resposta ao tratamento. Pode ser conservador ou cirúrgico.

  • Tratamento Conservador (não cirúrgico): É a primeira linha de tratamento para muitas roturas parciais ou degenerativas, especialmente em pacientes mais idosos ou com baixas demandas funcionais.

    • Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controlar a dor e a inflamação.
    • Repouso relativo: Evitar atividades que agravem a dor ou que coloquem stress nos tendões.
    • Aplicação de gelo ou calor: O gelo na fase aguda para reduzir a inflamação; o calor pode ser útil mais tarde para relaxar os músculos e aliviar a rigidez.
    • Fisioterapia: É fundamental. Inclui:
      • Controlo da dor e inflamação (com modalidades como ultrassom, eletroterapia).
      • Restaurar a amplitude de movimento através de alongamentos suaves e mobilizações.
      • Fortalecer os músculos restantes da coifa dos rotadores e os músculos da cintura escapular para compensar a fraqueza e melhorar a estabilidade e a mecânica do ombro.
      • Reeducação postural e técnica de movimentos.
    • Infiltrações: Injeções de corticosteroides (anti-inflamatórios potentes) na bursa subacromial podem aliviar a dor e a inflamação, mas devem ser usadas com cautela e sem serem repetidas com frequência, devido a possíveis efeitos a longo prazo nos tendões.
  • Tratamento Cirúrgico: É geralmente recomendado para roturas completas agudas (especialmente em pacientes jovens e ativos), roturas completas que não respondem ao tratamento conservador após um período de tempo (3-6 meses), ou roturas que progridem e causam fraqueza significativa. O objetivo é reparar o tendão (suturá-lo de volta ao osso).

    • Reparação artroscópica da coifa dos rotadores: É a técnica cirúrgica mais comum. É minimamente invasiva, feita através de pequenas incisões, com o cirurgião a usar uma câmara e instrumentos para reparar o tendão.
    • Reparação aberta: Em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia mais aberta.
    • Descompressão subacromial: Muitas vezes realizada em conjunto com a reparação do tendão, para remover esporões ósseos e aumentar o espaço para os tendões.
    • Reabilitação pós-cirúrgica: A fisioterapia é essencial e intensiva após a cirurgia (começando com imobilização e depois exercícios progressivos) para recuperar a força e a amplitude de movimento total do ombro. Este processo pode levar vários meses.

Prevenção

A prevenção da rotura da coifa dos rotadores foca-se em reduzir a sobrecarga e o desgaste dos tendões:

  • Aquecimento e alongamento: Realizar um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física que envolva os ombros e alongamentos regulares para manter a flexibilidade.
  • Fortalecimento muscular: Manter os músculos da coifa dos rotadores e da cintura escapular fortes e equilibrados. Exercícios específicos para o manguito rotador são importantes.
  • Técnicas corretas: Aprender e aplicar as técnicas adequadas para levantar pesos e realizar atividades que envolvam o ombro, evitando sobrecarga ou movimentos bruscos e repetitivos.
  • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho e as atividades diárias para manter uma boa postura e evitar stress repetitivo no ombro.
  • Fazer pausas: Em atividades que exijam movimentos repetitivos do ombro.
  • Evitar o tabagismo: O fumo pode comprometer a saúde dos tendões e a cicatrização.
  • Prevenção de quedas: Especialmente em idosos, para reduzir o risco de lesões agudas.
  • Procurar ajuda médica precocemente: Em caso de dor persistente no ombro, procurar um médico para um diagnóstico e tratamento atempados pode prevenir a progressão para uma rotura.

Em caso de dor persistente no ombro, especialmente se houver fraqueza ou dificuldade em levantar o braço, é fundamental procurar um médico para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

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