Tendinopatia do Tibial Anterior da TT
A Tendinopatia do Tibial Anterior é uma condição clínica caracterizada pela inflamação, irritação ou degeneração do tendão do músculo tibial anterior. Este músculo localiza-se na parte da frente da perna e o seu tendão atravessa a articulação do tornozelo, inserindo-se na parte interna do pé. A sua função principal é a dorsiflexão (elevar o pé para cima) e o controlo do pé durante a caminhada para evitar que este “bata” no chão.
Sintomas
Os sinais variam conforme o estado da lesão (aguda ou crónica):
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Dor na Frente do Tornozelo: Dor localizada na zona anterior do tornozelo ou no peito do pé.
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Dor ao Caminhar ou Correr: Especialmente ao subir ou descer escadas e inclinações.
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Inchaço e Vermelhidão: Pode ocorrer edema leve ao longo do trajeto do tendão.
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Rigidez Matinal: Sensação de “prisão” no tornozelo ao acordar, que melhora com o movimento leve.
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Crepitação: Em casos de inflamação da bainha do tendão (tenossinovite), pode sentir-se um ranger ao mover o pé.
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Fraqueza: Dificuldade em manter o pé elevado, o que pode levar a tropeções frequentes.
Causas
Esta patologia resulta habitualmente de uma sobrecarga mecânica:
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Sobrecarga de Treino: Aumento súbito da distância ou intensidade na corrida.
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Calçado Inadequado: Uso de sapatilhas demasiado apertadas sobre o tendão ou com pouco amortecimento.
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Mecânica do Pé: Pés planos (chatos) ou uma marcha com excesso de pronação colocam tensão extra no tibial anterior.
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Terrenos Irregulares: Correr ou caminhar frequentemente em superfícies duras ou com muitas descidas.
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Compressão Direta: Atar os atacadores das sapatilhas com demasiada força, comprimindo o tendão contra o osso.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser complementado:
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Exame Físico: Avaliação da dor à palpação e teste de força da dorsiflexão contra resistência.
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Ecografia (Ultrassonografia): Permite visualizar o espessamento do tendão, a presença de fluido ao redor ou microrroturas.
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Ressonância Magnética (RMN): Reservada para casos crónicos ou suspeita de rotura total para avaliar a integridade das fibras.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O foco do tratamento é a gestão da dor e a melhoria da capacidade de carga do tendão.
Intervenção Médica:
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Repouso Relativo: Modificação das atividades que provocam dor (evitar corridas ou saltos temporariamente).
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Medicação: Anti-inflamatórios (AINEs) para alívio da dor na fase aguda.
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Infiltrações: Raramente utilizadas no tibial anterior devido ao risco de rotura, sendo reservadas para casos de inflamação da bainha (bursite/tenossinovite).
Intervenção da Fisioterapia:
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Gestão de Carga: O fisioterapeuta ajusta o volume de atividade para que o tendão possa recuperar sem parar totalmente.
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Terapia Manual: Mobilização das articulações do pé e tornozelo para garantir que não há bloqueios que sobrecarreguem o tendão.
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Libertação Miofascial: Massagem profunda e técnicas de relaxamento no ventre muscular do tibial anterior para reduzir a tensão.
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Exercícios Excêntricos: Fortalecimento específico onde o músculo trabalha enquanto alonga; é a técnica “ouro” para a recuperação de tendinopatias.
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Treino de Equilíbrio (Proprioceção): Exercícios em superfícies instáveis para melhorar a estabilidade do tornozelo.
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Taping/Ligaduras: Uso de ligaduras funcionais para aliviar a pressão imediata sobre o tendão durante a marcha.
Prevenção
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Gradualismo: Não aumentar a intensidade do exercício mais de 10% por semana.
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Técnica de Atar Atacadores: Evitar apertar excessivamente na zona superior do peito do pé.
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Fortalecimento Geral: Manter os gémeos e os músculos intrínsecos do pé fortes para equilibrar as forças no tornozelo.
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Análise da Marcha: Consultar um profissional para verificar se necessita de palmilhas corretivas caso tenha uma pronação excessiva.