Sacroilite
A Sacroileíte é a inflamação de uma ou de ambas as articulações sacroilíacas, localizadas no ponto onde a coluna vertebral (sacro) se liga à bacia (ilíaco). Ao contrário da disfunção mecânica (onde o problema é o movimento), a sacroileíte foca-se no processo inflamatório, sendo muitas vezes um sinal precoce de doenças reumatológicas sistémicas.
Sintomas
Os sintomas da sacroileíte podem ser persistentes e agravarem-se em períodos de repouso:
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Dor nas nádegas e zona lombar: Uma dor profunda que pode irradiar para as ancas, virilhas e, por vezes, descendo pela parte posterior das pernas.
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Rigidez matinal: Sensação de “perda de movimento” na bacia ao acordar, que geralmente melhora com o movimento ao longo do dia.
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Dor ao permanecer de pé: O peso do corpo sobre a articulação inflamada torna difícil estar parado em pé ou subir escadas.
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Febre baixa: Em casos onde a inflamação é causada por infeção (raro) ou crises reumatológicas agudas.
Causas
A sacroileíte pode ser originada por diversos fatores:
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Espondiloartrites: Doenças como a Espondilite Anquilosante são as causas mais comuns de inflamação crónica nestas articulações.
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Traumatismos: Um impacto súbito (queda ou acidente) que danifique os ligamentos e desencadeie um processo inflamatório.
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Gravidez: Além da laxidão ligamentar, as alterações na marcha e o peso adicional aumentam o stress inflamatório na zona pélvica.
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Infeções: Embora raro, bactérias podem infetar a articulação (sacroileíte séptica).
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Artrose Degenerativa: O desgaste crónico da cartilagem pode evoluir para um estado inflamatório doloroso.
Diagnóstico
O diagnóstico exige uma combinação de avaliação clínica e exames complementares:
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Exame Físico: Realização de manobras de pressão e estiramento da bacia para localizar a origem exata da dor.
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Análises de Sangue: Pesquisa de marcadores inflamatórios (como a Proteína C Reativa) e do marcador genético HLA-B27 (associado a doenças autoimunes).
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Ressonância Magnética (RMN): É o exame de eleição, pois consegue detetar o edema ósseo (inflamação) muito antes de ser visível num Raio-X.
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Cintigrafia Óssea: Pode ser usada para identificar focos de atividade inflamatória aumentada em todo o esqueleto.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O objetivo principal é controlar a inflamação e manter a mobilidade da bacia.
Intervenção Médica:
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Medicamentos: Anti-inflamatórios (AINEs) para alívio da dor; em casos autoimunes, podem ser prescritos imunossupressores ou biológicos.
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Infiltrações: Injeção de corticosteroides guiada por imagem diretamente na articulação para reduzir a inflamação local.
Intervenção da Fisioterapia:
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Gestão da Inflamação: Uso de crioterapia (gelo) em fases agudas e agentes eletrofísicos (como o LASER de alta intensidade) para estimular a regeneração tecidular e reduzir o edema.
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Mobilização Suave: Técnicas manuais para manter o espaço articular e evitar a anquilose (fusão óssea), sem agredir a zona inflamada.
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Cinesioterapia (Exercício): Foco em exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos das cadeias musculares posteriores (isquiotibiais e glúteos).
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Fortalecimento Estabilizador: Ativação do core e do pavimento pélvico para distribuir melhor as forças que passam pela bacia.
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Hidroterapia: O exercício em água morna é excelente para retirar o peso da gravidade sobre a articulação, permitindo o movimento sem dor.
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Educação Postural: Ensinar o paciente a alternar períodos de descanso com movimento suave para evitar a rigidez característica da inflamação.
Prevenção
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Manter-se Ativo: O movimento é o “lubrificante” natural da articulação sacroilíaca; o sedentarismo piora a inflamação.
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Controlo Médico: Se houver histórico familiar de doenças autoimunes, o diagnóstico precoce é a melhor prevenção contra danos permanentes.
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Postura Ergonómica: Evitar sobrecarregar apenas um lado do corpo ao carregar pesos.
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Peso Saudável: Reduzir a carga mecânica constante sobre a zona pélvica ajuda a prevenir crises inflamatórias.