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Rotura da junção mio-tendinosa do aquiles

A Rotura da Junção Mio-tendinosa do Aquiles é uma lesão que ocorre no ponto de transição onde as fibras musculares dos gémeos (gastrocnémios) se fundem com o tendão de Aquiles. Ao contrário da rotura do tendão propriamente dita (que ocorre mais perto do calcanhar), esta lesão localiza-se mais acima, na parte média da “barriga” da perna. É frequentemente apelidada de “pedrada”, devido à sensação súbita que o paciente experiencia.


Sintomas

Os sintomas surgem de forma abrupta durante a atividade física:

  • Sensação de “Estalo” ou “Pedrada”: O paciente sente um impacto súbito na parte posterior da perna, como se tivesse sido atingido por um objeto.

  • Dor Aguda: Localizada na zona média da panturrilha, que dificulta imediatamente a marcha.

  • Edema e Equimose: Inchaço local e o aparecimento de uma nódoa negra que pode descer até ao tornozelo nos dias seguintes.

  • Dificuldade na Flexão Plantar: Incapacidade ou dor extrema ao tentar ficar em bicos de pés.

  • Depressão Palpável: Em roturas completas ou extensas, pode sentir-se um “degrau” ou falha ao palpar o músculo.


Causas

Esta lesão ocorre geralmente devido a uma contração excêntrica violenta (quando o músculo se alonga enquanto está contraído):

  • Arranques Súbitos: Comum em desportos como ténis, padel, futebol ou squash.

  • Saltos e Aterragens: O impacto da aterragem força o alongamento brusco do tendão enquanto o músculo tenta travar o movimento.

  • Fadiga Muscular: Músculos cansados têm menos capacidade de absorver energia, transferindo o stress para a junção mio-tendinosa.

  • Falta de Aquecimento: Fibras musculares “frias” são menos elásticas e mais propensas a romper.


Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se na clínica e em exames de confirmação:

  • Exame Físico: Avaliação da integridade do tendão através do Teste de Thompson (apertar a barriga da perna para ver se o pé se move).

  • Ecografia Musculoesquelética: É o exame de primeira linha, pois permite ver a extensão da rotura, a presença de hematoma e a distância entre os bordos da lesão.

  • Ressonância Magnética (RMN): Reservada para casos mais complexos ou quando a ecografia não é conclusiva, permitindo detalhar melhor as fibras profundas.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento da junção mio-tendinosa é, na grande maioria dos casos, conservador (não cirúrgico), uma vez que esta zona tem um bom suprimento sanguíneo facilitando a cicatrização.

Intervenção Médica:

  • Protocolo RICE/POLICE: Proteção, repouso, gelo, compressão e elevação nos primeiros dias.

  • Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios para controlo da dor.

  • Imobilização Temporária: Uso de uma bota de imobilização (tipo Walker) ou uma ligeira elevação do calcanhar (calcanheira) para retirar tensão da zona lesionada.

Intervenção da Fisioterapia:

  • Fase Aguda (0-2 semanas): Controlo do hematoma e dor com drenagem linfática manual, ultrassom pulsado e laserterapia para estimular a regeneração tecidular.

  • Fase de Remodelação (2-6 semanas): Início de mobilização passiva e ativa suave. Introdução de técnicas de massagem transversal profunda (Cyriax) para evitar aderências e garantir que as novas fibras colagénias se alinhem corretamente.

  • Fase de Fortalecimento (6 semanas+): Início de exercícios excêntricos (descida controlada do calcanhar), que são o “padrão-ouro” para a recuperação do tendão e músculo.

  • Treino de Proprioceção: Exercícios de equilíbrio para reeducar o tornozelo e prevenir novas roturas.

  • Retorno ao Desporto: Treino pliométrico (saltos controlados) e corrida progressiva, garantindo que o tecido cicatricial suporta as cargas elásticas.


Prevenção

  • Aquecimento Específico: Realizar movimentos dinâmicos que preparem a perna para a explosão antes do jogo.

  • Fortalecimento Excêntrico: Incluir exercícios de descida de calcanhar na rotina de ginásio para tornar a junção mio-tendinosa mais resiliente.

  • Hidratação: Tecidos desidratados perdem elasticidade e rompem mais facilmente.

  • Respeitar os Tempos de Descanso: Evitar o overtraining, garantindo que as microlesões diárias cicatrizam antes do próximo esforço intenso.