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Periostite Tibial

A Periostite Tibial, vulgarmente conhecida como “canelite”, é uma inflamação do periósteo (a membrana que reveste o osso) da tíbia. É uma das lesões mais comuns em corredores e atletas de modalidades de impacto, resultando de uma sobrecarga mecânica na zona interna da canela.


Sintomas

Os sintomas tendem a evoluir conforme o nível de atividade:

  • Dor na face interna da canela: Geralmente sentida nos dois terços inferiores da tíbia.

  • Dor ao início do exercício: A dor surge mal se começa a correr, pode diminuir durante o treino, mas regressa com maior intensidade após o repouso.

  • Sensibilidade ao toque: O osso da canela fica muito sensível à palpação direta.

  • Inchaço ligeiro: Em casos mais agudos, pode notar-se um pequeno edema na zona afetada.

  • Dor ao caminhar ou saltar: Em estados avançados, a dor torna-se constante, mesmo em atividades diárias simples.


Causas

A periostite ocorre quando o stress aplicado no osso ultrapassa a sua capacidade de remodelação:

  • Erros de treino: Aumento súbito da distância, intensidade ou frequência da corrida (o famoso “muito, muito rápido”).

  • Superfícies duras: Correr constantemente em asfalto ou pisos de betão sem amortecimento adequado.

  • Biomecânica do pé: Pés excessivamente pronadores (que “caem” para dentro) colocam uma tensão extra nos músculos que se inserem na tíbia.

  • Calçado desadequado: Utilizar sapatilhas gastas ou que não oferecem o suporte necessário para o tipo de passada.

  • Fraqueza muscular: Músculos dos gémeos e do pé pouco fortalecidos, que não absorvem o impacto de forma eficiente.


Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas importa excluir fraturas de stress:

  • Exame Físico: Avaliação da dor à palpação e análise da marcha e da corrida.

  • Radiografia (RX): Normalmente não revela alterações na fase inicial, servindo apenas para descartar fraturas.

  • Cintigrafia Óssea ou Ressonância Magnética (RMN): São os exames mais precisos para identificar o edema ósseo e distinguir a periostite de uma fratura de stress.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O foco do tratamento é controlar a inflamação e corrigir a causa mecânica do problema.

Intervenção Médica:

  • Repouso Funcional: Substituir a corrida por atividades de baixo impacto (natação ou ciclismo).

  • Medicação: Uso de anti-inflamatórios (AINEs) para reduzir a dor na fase aguda.

Intervenção da Fisioterapia:

  • Gestão da Dor e Inflamação: Aplicação de gelo local (crioterapia) e uso de laserterapia ou ultrassom para acelerar a cicatrização do tecido periosteal.

  • Terapia Manual: Libertação miofascial dos músculos gémeos, sóleo e tibial posterior, que costumam estar excessivamente tensos, “puxando” o periósteo.

  • Ligaduras Funcionais (Taping): Aplicação de bandas neuromusculares para aliviar a tração do músculo sobre o osso durante a marcha.

  • Correção Biomecânica: Exercícios para controlar a pronação excessiva e fortalecer a musculatura intrínseca do pé.

  • Fortalecimento Excêntrico: Trabalho progressivo dos músculos da perna para que suportem melhor as forças de impacto.

  • Análise da Passada: Reeducação da corrida (ex: aumentar a cadência) para reduzir a força de impacto vertical.


Prevenção

  • Progressão Gradual: Seguir a regra dos 10% (não aumentar o volume de treino semanal em mais de 10%).

  • Calçado Correto: Substituir as sapatilhas a cada 600-800 km e usar calçado adequado ao tipo de pisada.

  • Fortalecimento Regular: Não descurar o treino de força para pernas e pés.

  • Variar o Piso: Alternar treinos em asfalto com treinos em terra batida ou relva.

  • Recuperação: Permitir dias de descanso adequados para que o tecido ósseo se recupere do stress sofrido.