Periostite Tibial
A Periostite Tibial, vulgarmente conhecida como “canelite”, é uma inflamação do periósteo (a membrana que reveste o osso) da tíbia. É uma das lesões mais comuns em corredores e atletas de modalidades de impacto, resultando de uma sobrecarga mecânica na zona interna da canela.
Sintomas
Os sintomas tendem a evoluir conforme o nível de atividade:
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Dor na face interna da canela: Geralmente sentida nos dois terços inferiores da tíbia.
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Dor ao início do exercício: A dor surge mal se começa a correr, pode diminuir durante o treino, mas regressa com maior intensidade após o repouso.
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Sensibilidade ao toque: O osso da canela fica muito sensível à palpação direta.
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Inchaço ligeiro: Em casos mais agudos, pode notar-se um pequeno edema na zona afetada.
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Dor ao caminhar ou saltar: Em estados avançados, a dor torna-se constante, mesmo em atividades diárias simples.
Causas
A periostite ocorre quando o stress aplicado no osso ultrapassa a sua capacidade de remodelação:
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Erros de treino: Aumento súbito da distância, intensidade ou frequência da corrida (o famoso “muito, muito rápido”).
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Superfícies duras: Correr constantemente em asfalto ou pisos de betão sem amortecimento adequado.
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Biomecânica do pé: Pés excessivamente pronadores (que “caem” para dentro) colocam uma tensão extra nos músculos que se inserem na tíbia.
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Calçado desadequado: Utilizar sapatilhas gastas ou que não oferecem o suporte necessário para o tipo de passada.
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Fraqueza muscular: Músculos dos gémeos e do pé pouco fortalecidos, que não absorvem o impacto de forma eficiente.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas importa excluir fraturas de stress:
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Exame Físico: Avaliação da dor à palpação e análise da marcha e da corrida.
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Radiografia (RX): Normalmente não revela alterações na fase inicial, servindo apenas para descartar fraturas.
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Cintigrafia Óssea ou Ressonância Magnética (RMN): São os exames mais precisos para identificar o edema ósseo e distinguir a periostite de uma fratura de stress.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O foco do tratamento é controlar a inflamação e corrigir a causa mecânica do problema.
Intervenção Médica:
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Repouso Funcional: Substituir a corrida por atividades de baixo impacto (natação ou ciclismo).
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Medicação: Uso de anti-inflamatórios (AINEs) para reduzir a dor na fase aguda.
Intervenção da Fisioterapia:
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Gestão da Dor e Inflamação: Aplicação de gelo local (crioterapia) e uso de laserterapia ou ultrassom para acelerar a cicatrização do tecido periosteal.
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Terapia Manual: Libertação miofascial dos músculos gémeos, sóleo e tibial posterior, que costumam estar excessivamente tensos, “puxando” o periósteo.
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Ligaduras Funcionais (Taping): Aplicação de bandas neuromusculares para aliviar a tração do músculo sobre o osso durante a marcha.
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Correção Biomecânica: Exercícios para controlar a pronação excessiva e fortalecer a musculatura intrínseca do pé.
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Fortalecimento Excêntrico: Trabalho progressivo dos músculos da perna para que suportem melhor as forças de impacto.
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Análise da Passada: Reeducação da corrida (ex: aumentar a cadência) para reduzir a força de impacto vertical.
Prevenção
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Progressão Gradual: Seguir a regra dos 10% (não aumentar o volume de treino semanal em mais de 10%).
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Calçado Correto: Substituir as sapatilhas a cada 600-800 km e usar calçado adequado ao tipo de pisada.
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Fortalecimento Regular: Não descurar o treino de força para pernas e pés.
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Variar o Piso: Alternar treinos em asfalto com treinos em terra batida ou relva.
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Recuperação: Permitir dias de descanso adequados para que o tecido ósseo se recupere do stress sofrido.