Obstipação
A Obstipação Feminina (comumente conhecida como prisão de ventre) é uma condição caracterizada pela dificuldade persistente em evacuar, fezes endurecidas ou uma sensação de evacuação incompleta. Embora afete ambos os sexos, é significativamente mais prevalente nas mulheres devido a fatores hormonais, anatómicos e funcionais específicos do pavimento pélvico.
Sintomas
Os critérios clínicos (Critérios de Roma IV) definem a obstipação quando dois ou mais dos seguintes sintomas estão presentes em pelo menos 25% das defecações:
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Esforço excessivo ao evacuar.
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Fezes duras ou fragmentadas (tipo “cíbalos”).
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Sensação de obstrução ou bloqueio anorretal.
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Sensação de evacuação incompleta.
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Necessidade de manobras manuais para facilitar a saída das fezes.
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Menos de três evacuações por semana.
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Causas
As causas na mulher são multifatoriais e muitas vezes sobrepostas:
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Fatores Hormonais: As flutuações de progesterona (na fase lútea do ciclo menstrual, na gravidez ou na menopausa) abrandam a motilidade intestinal.
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Disfunção do Pavimento Pélvico: O anismo (contração paradoxal do esfíncter anal em vez do seu relaxamento durante o esforço) impede a saída das fezes.
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Alterações Anatómicas: A presença de um retocelo (prolapso do reto em direção à vagina) pode fazer com que as fezes fiquem “presas” numa bolsa, dificultando a expulsão.
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Dieta e Hidratação: Baixo consumo de fibras e ingestão insuficiente de água.
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Ignorar o reflexo: O hábito de adiar a ida à casa de banho por falta de tempo ou privacidade.
Diagnóstico
O diagnóstico foca-se em distinguir se o problema é de trânsito lento (o intestino não se move) ou de saída (o pavimento pélvico não relaxa):
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História Clínica: Avaliação do diário intestinal e dos hábitos alimentares.
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Exame Físico Pélvico: Avaliação da coordenação dos músculos do pavimento pélvico.
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Manometria Anorretal: Mede as pressões e a coordenação dos esfíncteres e do reto.
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Defecografia: Um exame de imagem que observa o ato da evacuação em tempo real para detetar retocelos ou intussusceções.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O tratamento moderno da obstipação feminina exige uma abordagem multidisciplinar onde a fisioterapia desempenha um papel central, especialmente na obstipação de “saída”.
Intervenção Médica:
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Suplementação de Fibras: Aumento gradual para evitar flatulência.
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Laxantes Osmóticos: Para amolecer as fezes sem causar dependência intestinal.
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Procinéticos: Medicamentos que estimulam o movimento do cólon.
Intervenção da Fisioterapia (Reabilitação Pélvica):
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Biofeedback: Utilização de sensores para ensinar a mulher a visualizar e a controlar o relaxamento do esfíncter anal durante o esforço evacuatório. É o “padrão-ouro” para o anismo.
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Treino de Coordenação Muscular: Exercícios para garantir que, ao fazer força abdominal, o pavimento pélvico relaxa em vez de contrair.
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Massagem Abdominal: Técnicas específicas de massagem no sentido do cólon (sentido horário) para estimular o peristaltismo.
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Cinesiterapia Respiratória: Ensino da “prensa abdominal” correta, utilizando o diafragma para empurrar sem lesionar os tecidos pélvicos.
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Treino de Posicionamento: Ensino da postura correta na sanita (utilização de um banco para elevar os pés), o que retifica o ângulo anorretal e facilita a passagem das fezes.
Prevenção
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Hidratação: Beber pelo menos 1,5L a 2L de água por dia.
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Rotina Intestinal: Tentar ir à casa de banho sempre à mesma hora (preferencialmente após o pequeno-almoço, aproveitando o reflexo gastro-cólico).
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Atividade Física: O movimento do corpo estimula o movimento do intestino.
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Não adiar: Responder prontamente ao primeiro sinal de vontade de evacuar.
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Saúde Pélvica: Realizar uma avaliação com um fisioterapeuta pélvico após o parto para garantir que a musculatura recuperou a função de relaxamento.