Skip to main content

Lesões do músculo iliopsoas

As Lesões do Músculo Iliopsoas referem-se a estiramentos, roturas ou inflamações (tendinites) do principal flexor da anca. O iliopsoas é, na verdade, a junção de dois músculos: o grande psoas (que se origina na coluna lombar) e o ilíaco (que nasce na bacia). Ambos se unem num tendão comum que se insere no fémur. Por atravessar a zona pélvica e lombar, as suas lesões têm um impacto direto na postura e na marcha.


Sintomas

Os sintomas podem surgir de forma súbita (aguda) ou progressiva (crónica):

  • Dor na Virilha: É o sinal mais comum, localizada na parte anterior da anca e zona pélvica profunda.

  • Dor Lombar: Devido à origem do psoas nas vértebras lombares, a sua tensão pode causar dor nas costas.

  • Dificuldade em Elevar a Perna: Dor ao subir escadas, entrar no carro ou realizar atividades de impacto como correr ou chutar.

  • Sensação de “Estalido”: Conhecida como “anca ressaltante” (snapping hip), onde se sente ou ouve um clique profundo ao mover a anca.

  • Rigidez Matinal: Dificuldade em esticar completamente a anca após períodos de repouso.


Causas

As lesões do iliopsoas são frequentes em atletas e pessoas com estilos de vida sedentários:

  • Uso Excessivo (Overuse): Atividades repetitivas que exigem flexão da anca (corrida em subidas, futebol, ballet ou artes marciais).

  • Contração Brusca: Um movimento explosivo de remate ou uma mudança de direção súbita que causa um estiramento das fibras.

  • Sedentarismo: Passar muitas horas sentado mantém o psoas numa posição encurtada, tornando-o fraco e propenso a lesões quando solicitado.

  • Encurtamento Muscular: Desequilíbrios posturais que levam a uma compensação excessiva deste músculo.


Diagnóstico

O diagnóstico foca-se na exclusão de outras patologias da anca ou hérnias inguinais:

  • Exame Clínico: Realização do Teste de Thomas (para avaliar o encurtamento) e testes de flexão da anca contra resistência.

  • Palpação: Identificação de pontos de dor profunda na zona da fossa ilíaca ou junto à inserção no fémur.

  • Ecografia: Útil para identificar inflamação no tendão (tendinopatia) ou bursite do iliopsoas.

  • Ressonância Magnética (RMN): O exame mais preciso para detetar roturas musculares ou edema ósseo.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento foca-se na gestão da carga e no reequilíbrio da musculatura pélvica.

Intervenção Médica:

  • Medicação: Anti-inflamatórios (AINEs) na fase aguda para reduzir o edema e a dor.

  • Infiltrações: Em casos crónicos de tendinite ou bursite, pode ser feita uma infiltração guiada por ecografia.

  • Repouso Funcional: Evitar atividades de impacto ou que exijam flexão explosiva da anca.

Intervenção da Fisioterapia:

  • Controlo da Inflamação: Uso de crioterapia (gelo) e modalidades de eletroterapia (TENS ou ultrassom) para alívio sintomático.

  • Libertação Miofascial: Técnicas manuais profundas para relaxar o psoas (muitas vezes através do abdómen) e os músculos sinergistas como o reto femoral.

  • Alongamento Excêntrico: Exercícios de alongamento controlado que ajudam o tendão a remodelar-se e a ganhar resistência.

  • Fortalecimento Progressivo: Fortalecer não só o iliopsoas, mas também os glúteos e abdominais, para reduzir a sobrecarga sobre o flexor da anca.

  • Correção Postural: Exercícios de retroversão pélvica para aliviar a tensão constante que uma anteversão excessiva coloca no músculo.

  • Reeducação do Gesto Desportivo: Análise da técnica de corrida ou remate para evitar novas recidivas.


Prevenção

  • Alternar a Posição Sentada: Levantar-se regularmente para evitar que o músculo permaneça encurtado por horas.

  • Fortalecimento do Core: Um tronco estável permite que o iliopsoas trabalhe com menos esforço.

  • Aquecimento Dinâmico: Preparar a musculatura da anca antes de atividades desportivas exigentes.

  • Equilíbrio Muscular: Garantir que os glúteos (extensores) são fortes o suficiente para contrabalançar a força dos flexores da anca.