Lesão da fibrocartilagem triangular do punho
A Lesão da Fibrocartilagem Triangular do Punho (LFT), ou Complexo da Fibrocartilagem Triangular (CFT), é uma lesão comum que afeta uma estrutura crítica localizada no lado ulnar (lado do dedo mínimo) do punho. O CFT é um conjunto de cartilagem e ligamentos que atua como o principal estabilizador das articulações radioulnar distal (entre o rádio e o cúbito/ulna) e ulnocárpica (entre o cúbito e os ossos do carpo).
O CFT tem funções cruciais:
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Estabilidade: Mantém os ossos do antebraço unidos (rádio e cúbito) e estabiliza o punho.
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Amortecedor: Atua como amortecedor de choques para o punho.
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Suporte: Permite a rotação suave do antebraço (pronação e supinação).
Sintomas
Os sintomas de uma lesão do CFT são geralmente localizados no lado do cúbito do punho (lado do dedo mínimo):
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Dor Ulnar (Lado do Cúbito): Dor crónica ou aguda localizada na parte interna (lado do dedo mínimo) do punho.
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Dor com o Movimento: A dor agrava-se com movimentos que envolvem:
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Torção do punho (pronação/supinação): Ex: rodar uma chave, abrir um frasco, segurar uma ferramenta pesada.
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Desvio Ulnar: Inclinar o punho em direção ao dedo mínimo.
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Crepitação ou Estalido: Muitos pacientes referem sentir um clique, estalido ou ranger na parte interna do punho com o movimento.
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Fraqueza: Pode ocorrer uma sensação de fraqueza no punho e na preensão (agarrar objetos).
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Instabilidade: Em casos graves de rotura ligamentar, pode haver uma sensação de que o punho está “a sair do lugar”.
Causas
As lesões do CFT podem ser classificadas como traumáticas (Tipo I) ou degenerativas (Tipo II):
1. Lesões Traumáticas (Roturas Agudas)
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Queda sobre o Punho Estendido: A causa mais comum, onde o punho é forçado para a hiperextensão, torção e desvio ulnar (lado do cúbito).
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Força de Rotação Violenta: Uma força de torção súbita no punho, como em acidentes desportivos.
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Fraturas Associadas: Roturas do CFT frequentemente ocorrem em conjunto com fraturas do rádio distal (Fratura de Colles).
2. Lesões Degenerativas (Desgaste Crónico)
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Variação Ulnar Positiva: Uma condição anatómica onde o osso do cúbito (ulna) é ligeiramente mais longo do que o rádio, causando compressão excessiva e desgaste crónico do CFT (impacção ulnocárpica).
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Uso Excessivo Repetitivo: Atividades que envolvem carga e torção repetitivas do punho, como certos desportos (golfe, ténis) ou atividades ocupacionais.
Diagnóstico
O diagnóstico da lesão do CFT pode ser desafiante, mas é realizado por um médico (ortopedista ou cirurgião da mão):
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Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá questionar sobre o mecanismo da lesão e irá testar o punho, procurando dor à palpação no lado ulnar e dor ao realizar movimentos que comprimam ou estiquem o CFT (ex: compressão axial em desvio ulnar).
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Radiografias (RX): São cruciais para:
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Descartar fraturas associadas.
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Avaliar a variação ulnar (o comprimento relativo do cúbito em relação ao rádio), que é um fator predisponente nas lesões degenerativas.
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Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o exame não invasivo mais importante para visualizar a fibrocartilagem. No entanto, o CFT é uma estrutura pequena, e a RMN pode falhar roturas parciais ou apresentar falsos positivos.
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Artroscopia do Punho: É o padrão-ouro para o diagnóstico. Um procedimento minimamente invasivo onde o cirurgião insere uma pequena câmara na articulação para visualizar diretamente e inspecionar o CFT, o que permite o diagnóstico definitivo e, muitas vezes, o tratamento imediato.
Tratamento
O tratamento depende do tipo de lesão (aguda/crónica, traumática/degenerativa) e da estabilidade do punho.
1. Tratamento Conservador
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Indicado para a maioria das lesões traumáticas recentes e lesões degenerativas sem instabilidade significativa.
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Imobilização: Uso de uma tala ou órtese por 4 a 6 semanas para restringir a rotação do antebraço e o desvio ulnar.
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Medicação: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controlar a dor e a inflamação.
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Infiltrações: Injeções de corticosteroides na articulação ulnocárpica podem proporcionar alívio temporário da dor.
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Fisioterapia: Essencial após a fase aguda para restaurar a amplitude de movimento e fortalecer os músculos do antebraço e do punho.
2. Tratamento Cirúrgico
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Recomendado para lesões que causam instabilidade persistente, roturas que não cicatrizaram com o tratamento conservador, ou impacção ulnocárpica (variação ulnar positiva).
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Reparação Artroscópica: Roturas agudas ou periféricas (com boa vascularização) podem ser reparadas por via artroscópica (sutura da cartilagem).
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Desbridamento Artroscópico: Roturas degenerativas ou centrais podem ser tratadas com a remoção das partes danificadas do CFT.
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Encurtamento do Cúbito (Ulna): Em casos de variação ulnar positiva, um procedimento cirúrgico pode ser realizado para encurtar ligeiramente o cúbito, aliviando a compressão crónica sobre o CFT.
Prevenção
A prevenção foca-se na proteção do punho contra traumatismos e sobrecargas:
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Técnica Desportiva: Corrigir a técnica em desportos de raquete (ex: backhand no ténis) para evitar a sobrecarga ulnar.
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Fortalecimento: Manter a força e a flexibilidade dos músculos do antebraço e do punho para aumentar a estabilidade articular.
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Equipamento de Proteção: Usar protetores de punho em atividades de alto risco (ex: skate, snowboard).
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Ergonomia: Adaptar o posto de trabalho e as ferramentas para minimizar a torção e a sobrecarga repetitiva do punho.
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Atenção aos Sintomas: Procurar avaliação médica após qualquer dor ulnar persistente no punho, especialmente após uma queda.