Fraturas vertebrais
A Fratura Vertebral é a quebra ou colapso de uma ou mais vértebras (os ossos que compõem a coluna vertebral). A coluna vertebral é dividida em cervical (pescoço), torácica (tórax) e lombar (região inferior das costas). A gravidade da fratura varia desde uma compressão leve e estável até uma fratura instável com fragmentos ósseos que podem lesionar a medula espinhal e os nervos.
Tipos Comuns de Fraturas Vertebrais
As fraturas são geralmente classificadas pelo seu padrão e estabilidade:
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Fraturas por Compressão (Compressão wedge): Comuns na coluna torácica e lombar. O corpo vertebral colapsa na parte da frente, criando uma forma de “cunha” (ou wedge). Geralmente são estáveis e associadas à osteoporose ou a traumatismos de baixa energia.
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Fraturas por Explosão (Burst): O corpo vertebral é esmagado em todas as direções, e os fragmentos ósseos espalham-se. Estes fragmentos podem deslocar-se para o canal medular, sendo potencialmente instáveis e perigosos para a medula espinhal.
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Fraturas por Flexão-Distração (Fraturas de Chance): Ocorrem devido a uma força de separação (distração) ao longo da coluna, comum em acidentes de viação com cinto de segurança (lesão por lap belt). São geralmente instáveis.
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Fraturas-Luxações: A vértebra desliza para fora da sua posição normal e há rotura das estruturas ligamentares. Estas fraturas são extremamente instáveis e, frequentemente, causam lesões medulares graves.
Sintomas
Os sintomas variam dependendo da causa da fratura, da sua localização e, crucialmente, se houve ou não lesão da medula espinhal ou nervos:
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Dor nas Costas: O sintoma mais comum. Pode ser uma dor súbita e intensa no local da lesão (em fraturas traumáticas) ou uma dor que piora gradualmente (em fraturas osteoporóticas).
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Dor que Piora com o Movimento: A dor agrava-se ao levantar-se, caminhar, dobrar-se ou rodar o corpo.
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Deformidade da Coluna: Em fraturas de compressão graves, pode haver perda de altura e, na coluna torácica, desenvolvimento de uma corcunda (cifose).
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Sinais de Lesão Neurológica (Se a fratura for instável ou afetar a medula):
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Dormência, formigueiro ou fraqueza: Nos membros (braços ou pernas).
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Perda de controlo da bexiga ou intestinos: (Incontinência ou retenção urinária), indicando potencial lesão medular grave (Síndrome da Cauda Equina).
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Paralisia: Perda total de movimento abaixo do nível da lesão.
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Causas
As fraturas vertebrais resultam de uma força que excede a resistência do osso. As causas podem ser divididas em:
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Traumatismo de Alta Energia: A causa mais comum de fraturas instáveis.
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Acidentes de viação.
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Quedas de altura.
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Lesões desportivas de alto impacto (ex: mergulho em água rasa).
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Ferimentos de arma de fogo.
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Traumatismo de Baixa Energia (Fraturas Patológicas): Comum em pessoas com ossos enfraquecidos.
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Osteoporose: A causa mais comum de fraturas vertebrais por compressão em idosos. Uma simples queda, um movimento de tosse ou levantar um objeto leve pode causar a fratura.
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Tumores: Lesões cancerosas que enfraquecem o osso (metástases).
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Infeções: Osteomielite vertebral.
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Diagnóstico
O diagnóstico é feito por um médico (ortopedista ou neurocirurgião, dependendo da lesão):
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Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá avaliar o mecanismo da lesão, a dor, e realizar um exame neurológico detalhado para avaliar a força, a sensibilidade e os reflexos nos membros.
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Radiografias (RX): O exame inicial para visualizar o alinhamento da coluna, a altura da vértebra (para detetar compressão) e a presença de fraturas óbvias.
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Tomografia Computorizada (TAC): É fundamental. Fornece imagens ósseas detalhadas para classificar a fratura, avaliar a sua estabilidade e, crucialmente, determinar se fragmentos ósseos estão a invadir o canal medular.
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Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o melhor exame para visualizar os tecidos moles. É essencial quando há suspeita de lesão da medula espinhal, ligamentos ou discos intervertebrais.
Tratamento
O tratamento depende da estabilidade da fratura, da presença de défice neurológico e da causa subjacente:
1. Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)
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Indicado para fraturas estáveis, como a maioria das fraturas por compressão osteoporóticas e fraturas de compressão leves sem défice neurológico.
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Controlo da Dor: Repouso relativo (em casos agudos) e medicação analgésica e anti-inflamatória.
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Imobilização: O uso de coletes ou ortóteses (aparelhos ortopédicos) pode ser necessário para limitar o movimento e suportar a coluna enquanto o osso cicatriza.
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Fisioterapia: Essencial após a fase aguda para restaurar a força muscular do tronco e a mobilidade.
2. Tratamento Cirúrgico
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Indicado para fraturas instáveis (ex: fraturas por explosão ou fraturas-luxações) ou qualquer fratura com défice neurológico.
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Descompressão: Remover fragmentos ósseos ou discos que estejam a comprimir a medula espinhal ou os nervos.
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Estabilização (Fusão Vertebral): O cirurgião utiliza hastes, parafusos e ganchos para fixar as vértebras adjacentes e estabilizar a coluna, permitindo a consolidação dos ossos.
3. Procedimentos Minimamente Invasivos (Para Fraturas por Compressão)
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Vertebroplastia e Cifoplastia: Indicados para fraturas de compressão osteoporóticas dolorosas. Envolvem a injeção de cimento ósseo no corpo vertebral colapsado para estabilizá-lo e aliviar a dor. A cifoplastia utiliza um balão para restaurar alguma altura da vértebra antes de injetar o cimento.
Prevenção
A prevenção de fraturas vertebrais deve ser adaptada à principal causa de risco:
1. Prevenção da Osteoporose (Para Idosos)
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Avaliação de Densidade Óssea: Rastreio regular para osteoporose (Densitometria Óssea).
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Suplementação: Ingestão adequada de cálcio e vitamina D.
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Medicação Específica: Uso de bifosfonatos ou outros medicamentos para aumentar a densidade óssea, conforme prescrito pelo médico.
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Prevenção de Quedas: Garantir a segurança em casa e fazer exercícios de equilíbrio.
2. Prevenção de Traumatismos (Para Todas as Idades)
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Segurança no Trânsito: Usar sempre cinto de segurança e conduzir com precaução.
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Prevenção de Acidentes Desportivos: Usar equipamento de proteção adequado e evitar mergulhos em águas de profundidade desconhecida.
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Fortalecimento Muscular: Manter a força dos músculos do core (músculos abdominais e lombares) para dar suporte à coluna e prevenir lesões.