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Fratura/fissura costela

A Fratura/Fissura Costal (ou Fratura/Fissura da Costela) é uma lesão comum que afeta os ossos finos e curvos que protegem os órgãos internos na caixa torácica. A fissura é uma fratura incompleta, onde o osso está rachado, mas não está totalmente separado nem desalinhado. A fratura é a rutura completa do osso.

A maioria das fraturas costais são fraturas simples, mas podem ser dolorosas. O risco mais significativo, embora raro, reside nas fraturas múltiplas ou deslocadas, que podem perfurar os pulmões ou outros órgãos.


Sintomas

Os sintomas de uma fratura ou fissura costal são geralmente muito localizados e pioram com o movimento e a respiração:

  • Dor Aguda: O sintoma mais proeminente é uma dor intensa no local da lesão, que piora significativamente.

  • Dor ao Respirar: A dor agrava-se com a inspiração profunda, tosse, espirros ou riso, porque o movimento do osso fraturado irrita o tecido circundante.

  • Dor ao Tocar: Dor e sensibilidade ao toque direto na área da costela lesada.

  • Dor com o Movimento: A dor aumenta ao dobrar o corpo, torcer o tronco ou levantar objetos pesados.

  • Crepitação: Em alguns casos, pode sentir-se ou ouvir-se um som de ranger (crepitação) quando o paciente respira ou move o tronco, devido ao atrito dos fragmentos ósseos.

  • Dificuldade em Respirar (Dispneia): Se a dor for muito intensa, o paciente pode limitar a respiração para evitar a dor, resultando em respiração superficial. Em casos de lesão pulmonar associada (pneumotórax), pode haver falta de ar grave.


Causas

As fraturas/fissuras costais são quase sempre causadas por traumatismos ou forças repetitivas:

  • Traumatismo Direto: É a causa mais comum. Um impacto forte no peito ou nas costas (ex: acidente de carro, queda de altura, contacto em desportos como o rugby ou o hóquei).

  • Traumatismo por Compressão: O tórax é esmagado (ex: esmagamento em acidentes de trabalho).

  • Stress Repetitivo (Fraturas de Stress): Causado por movimentos repetitivos e vigorosos que forçam o músculo a puxar a costela (ex: tosse crónica intensa, remar, golfe).

  • Fatores de Risco:

    • Osteoporose: Ossos enfraquecidos são mais suscetíveis a fraturas.

    • Cancro: Tumores nos ossos podem enfraquecer as costelas, tornando-as mais fáceis de fraturar.


Diagnóstico

O diagnóstico é realizado por um médico e inclui:

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá perguntar sobre o mecanismo da lesão e os sintomas. Irá inspecionar o tórax e palpar a área para identificar o ponto exato de dor. É crucial avaliar a respiração e a ausência de sinais de lesão pulmonar.

  • Radiografias Torácicas (RX): É o exame de primeira linha. Confirma a presença da fratura e ajuda a descartar lesões pulmonares graves, como o pneumotórax (ar no espaço à volta do pulmão). No entanto, as fissuras podem ser difíceis de ver nas radiografias iniciais.

  • Tomografia Computorizada (TAC): Mais sensível do que o RX. É utilizada se houver suspeita de fraturas mais complexas, múltiplas ou lesões de tecidos moles (pulmão, vasos sanguíneos).

  • Cintigrafia Óssea: Pode ser usada para detetar fraturas de stress ou fissuras não visíveis no RX.


Tratamento

O tratamento para fraturas costais visa essencialmente o controlo da dor, pois as costelas curam-se sozinhas. A imobilização não é possível nem recomendada.

  • Controlo da Dor (Analgésicos): Este é o ponto mais importante do tratamento, pois uma dor bem controlada permite ao paciente respirar fundo e tossir, prevenindo a pneumonia. São utilizados analgésicos de venda livre, AINEs ou, em casos de dor intensa, analgésicos mais fortes.

  • Bloqueios Nervosos (Anestésicos): Em casos de dor severa que impede a respiração adequada, podem ser realizadas injeções de anestésico no local dos nervos da costela (bloqueio intercostal) para um alívio temporário, mas potente.

  • Repouso e Modificação de Atividades: Evitar atividades que envolvam esforço, levantamento de pesos ou movimentos de torção do tronco.

  • Fisioterapia Respiratória: Exercícios de respiração profunda e tosse suave são essenciais para manter os pulmões ventilados e prevenir a pneumonia, apesar da dor.

  • Cirurgia: Raramente é necessária. É reservada para casos muito graves, como o tórax instável (flail chest, onde há múltiplas fraturas costais adjacentes que se movem de forma paradoxal), ou se a fratura for a causa de uma lesão pulmonar que não melhora.

  • Duração da Recuperação: A dor intensa dura geralmente 3 a 6 semanas, mas a consolidação completa do osso pode levar vários meses.


Prevenção

A prevenção de fraturas costais foca-se em minimizar o risco de traumatismo e fortalecer a saúde óssea:

  • Segurança no Trânsito: Usar sempre cinto de segurança em veículos para reduzir o risco de impacto torácico em caso de acidente.

  • Equipamento de Proteção: Utilizar coletes protetores ou acolchoamento adequado em desportos de contacto ou de alto risco.

  • Prevenção de Quedas: Garantir a segurança em casa, especialmente em idosos (remover tapetes soltos, boa iluminação).

  • Saúde Óssea:

    • Dieta: Ingestão adequada de cálcio e vitamina D.

    • Exercício: Praticar exercícios de suporte de peso para manter a densidade óssea.

    • Tratamento: Se for diagnosticada osteoporose, seguir o tratamento médico para fortalecer os ossos.

  • Gestão de Tosse Crónica: Se tiver tosse persistente, procurar tratamento médico para evitar o stress repetitivo nas costelas.

Se houver dor após um traumatismo ou dor persistente ao respirar, deve procurar aconselhamento médico para descartar lesões pulmonares graves e iniciar o tratamento de controlo da dor.