Fratura do escafoide
A Fratura do Escafoide é a quebra de um dos oito pequenos ossos do carpo (punho). O escafoide é o osso mais frequentemente fraturado no carpo.
Este osso tem uma importância particular porque a sua forma e posição são cruciais para a estabilidade e o movimento normal do punho. Além disso, o seu suprimento sanguíneo é precário e entra apenas por uma extremidade. Por isso, as fraturas do escafoide, especialmente as do polo proximal (a extremidade mais próxima do antebraço), têm um elevado risco de atraso na consolidação (união) ou de necrose avascular (morte óssea devido à falta de suprimento sanguíneo), o que torna o seu diagnóstico e tratamento urgentes.
Sintomas
Os sintomas de uma Fratura do Escafoide podem ser subtis, o que leva muitos pacientes a confundi-la com uma simples entorse do punho:
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Dor na base do polegar: O sintoma mais característico é a dor e sensibilidade na base do polegar e na “tabaqueira anatómica” (a depressão na parte de trás do punho quando o polegar está estendido).
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Inchaço (Edema): Inchaço leve na área do punho, mas geralmente não é tão dramático como noutras fraturas.
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Dor ao agarrar: Dor ao tentar agarrar ou apertar objetos.
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Dor ao mover o punho: Dor ao mover o punho (especialmente na extensão e desvio radial/ulnar).
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Confusão Inicial: Frequentemente, a dor não é intensa o suficiente para convencer o paciente de que há uma fratura, o que pode levar a um atraso na procura de ajuda médica.
Causas
A Fratura do Escafoide é quase sempre causada por um traumatismo específico:
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Queda sobre a Mão Estendida (FOOSH – Fall Onto an Outstretched Hand): Este é o mecanismo de lesão mais comum. O paciente cai e tenta amortecer a queda com a mão aberta e o punho em extensão e desvio radial (a mão vira para o lado do polegar). A força concentrada comprime o escafoide contra o osso rádio.
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Desportos de Alto Impacto: Desportos como snowboard, skate, ou motocross aumentam o risco.
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Jovens e Adultos Ativos: Esta fratura é mais comum em homens jovens e adultos ativos do que em idosos (que tendem a sofrer Fraturas de Colles no rádio).
Diagnóstico
Devido à subtileza dos sintomas iniciais e ao risco de complicações, o diagnóstico da fratura do escafoide exige atenção:
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Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá avaliar o mecanismo da lesão e testar a sensibilidade na tabaqueira anatómica e no tubérculo do escafoide na palma da mão. A dor nestes locais é altamente sugestiva de fratura.
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Radiografias (RX): São o primeiro exame. Devem ser tiradas múltiplas projeções, incluindo as projeções específicas para o escafoide. O problema é que as fraturas não deslocadas ou ocultas podem não ser visíveis nas radiografias iniciais (nas primeiras 2 semanas).
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Protocolo de Lesão Oculta: Se houver forte suspeita clínica de fratura do escafoide, mas as radiografias iniciais forem negativas, o médico pode adotar um dos seguintes procedimentos:
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Imobilização e Repetição de RX: Imobilizar o punho com gesso ou tala por 1 a 2 semanas e repetir as radiografias. A reabsorção óssea que ocorre no local da fratura passadas 2 semanas pode torná-la visível.
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Tomografia Computorizada (TAC) ou Ressonância Magnética (RMN): Estes exames são mais sensíveis e podem detetar a fratura imediatamente. A RMN é o melhor exame na fase aguda para detetar fraturas ocultas.
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Tratamento
O tratamento depende da localização da fratura no escafoide (polo distal, cintura ou polo proximal) e do grau de deslocamento.
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Tratamento Não Cirúrgico (Conservador):
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Indicado para fraturas não deslocadas ou minimamente deslocadas e localizadas no polo distal (o terço mais afastado da fratura).
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Imobilização: O punho e o polegar são imobilizados num gesso (muitas vezes, incluindo o polegar) por um período prolongado, que pode variar entre 6 a 12 semanas (ou mais). A consolidação é lenta.
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Tratamento Cirúrgico:
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Indicado para fraturas deslocadas (mais de 1 mm de desvio), fraturas no polo proximal (pelo risco de necrose avascular) ou fraturas que não consolidam após 2 a 3 meses de tratamento conservador (não-união ou pseudoartrose).
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Fixação Interna: O cirurgião alinha o fragmento ósseo e insere um parafuso (parafuso de Herbert ou outro parafuso sem cabeça) para comprimir e estabilizar os fragmentos. A cirurgia é frequentemente minimamente invasiva (percutânea).
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Enxerto Ósseo: Em casos de não-união ou necrose avascular, pode ser necessário remover osso de outra parte do corpo (enxerto ósseo) para estimular a consolidação.
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Reabilitação: Após a consolidação (confirmação por RX ou TAC) ou após a cirurgia, a fisioterapia é fundamental para recuperar a mobilidade do punho, a força e a destreza da mão, dado o longo período de imobilização.
Prevenção
A prevenção da Fratura do Escafoide foca-se em evitar o mecanismo de lesão comum:
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Proteção em Desportos de Risco: Utilizar protetores de punho rígidos em desportos como snowboard, patinagem ou skate.
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Técnica de Queda: Em desportos de contacto ou alto risco, aprender a cair com o corpo em vez de tentar amortecer o impacto com a mão estendida e o punho.
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Força e Flexibilidade: Manter uma boa força e flexibilidade nos músculos do antebraço e punho pode ajudar a proteger o osso durante um impacto.
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Vigilância Médica: Se sentir dor persistente na tabaqueira anatómica após uma queda, mesmo que o inchaço seja mínimo, deve procurar um médico e ser insistente no diagnóstico. O tratamento precoce é vital para o sucesso da consolidação.