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Fratura de Metatarso

As Fraturas do Metatarso são lesões ósseas que ocorrem num ou mais dos cinco ossos longos do pé, situados entre os ossos do tarso (tornozelo) e as falanges (dedos). Estes ossos são fundamentais para o apoio do peso corporal e para a propulsão durante a marcha.

Existem três tipos principais: as fraturas por traumatismo direto (agudas), as fraturas por stress (fissuras devido ao uso excessivo) e a Fratura de Jones (uma zona específica do 5.º metatarso com dificuldades de cicatrização).


Sintomas

Os sinais variam conforme a gravidade, mas os mais comuns incluem:

  • Dor Intensa: Dor imediata no caso de fratura aguda, ou dor que surge gradualmente durante o exercício no caso de fratura por stress.

  • Inchaço (Edema): O peito do pé costuma inchar significativamente.

  • Equimose: Aparecimento de nódoas negras na parte superior ou na planta do pé.

  • Dificuldade em Caminhar: Incapacidade de colocar peso no pé afetado.

  • Deformidade: Em fraturas com grande deslocamento, o pé pode apresentar um alinhamento anormal.


Causas

  • Traumatismo Direto: Queda de um objeto pesado sobre o pé ou um impacto direto (muito comum no futebol).

  • Torção: Rodar o pé bruscamente enquanto o antepé está fixo ao chão.

  • Stress/Sobrecarga: Microtraumatismos repetitivos, comuns em corredores, bailarinos ou militares (muitas vezes devido ao aumento súbito da intensidade do treino).

  • Osteoporose: Fragilidade óssea que permite a fratura com impactos mínimos.


Diagnóstico

  • Exame Clínico: Palpação dos ossos para identificar pontos de dor aguda e avaliação da capacidade de carga.

  • Radiografia (RX): É o exame inicial padrão para detetar fraturas agudas.

  • Ressonância Magnética (RMN) ou Cintigrafia Óssea: Essenciais para diagnosticar fraturas por stress, que muitas vezes não são visíveis no Raio-X nas primeiras semanas.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento depende do osso afetado, do desalinhamento e do tipo de fratura.

Intervenção Médica:

  • Imobilização: Uso de gesso, bota ortopédica (tipo Walker) ou calçado de sola rígida por um período de 4 a 8 semanas.

  • Cirurgia (Osteossíntese): Colocação de fios de Kirschner, parafusos ou placas se houver desalinhamento significativo ou se for uma Fratura de Jones.

  • Controlo Farmacológico: Analgésicos e, em certos casos, suplementação de Cálcio e Vitamina D.

Intervenção da Fisioterapia:

  • Fase de Imobilização: Exercícios para manter a mobilidade do joelho e anca, treino de marcha com canadianas sem apoio do pé no chão.

  • Controlo do Edema: Drenagem linfática manual e técnicas de compressão para reduzir o inchaço após a retirada da imobilização.

  • Mobilização Articular: Técnicas manuais para recuperar a mobilidade perdida nos ossos do tarso, tornozelo e dedos (muitas vezes o pé fica rígido após o gesso).

  • Fortalecimento Intrínseco: Exercícios para os pequenos músculos do pé (como o “exercício da toalha”) para restaurar o arco plantar.

  • Reeducação da Marcha: Treino progressivo de apoio de peso, ensinando o pé a fazer novamente o movimento de “rolamento” durante o passo.

  • Propriocepção: Exercícios de equilíbrio em superfícies instáveis para reativar os sensores de posição do pé e prevenir novas torções.


Prevenção

  • Calçado Adequado: Utilizar sapatos que ofereçam bom suporte e amortecimento, adequados à atividade praticada.

  • Progressão de Treino: Evitar aumentos bruscos de distância ou intensidade na corrida.

  • Fortalecimento de Gémeos e Tibiais: Músculos fortes ajudam a absorver o impacto, poupando os ossos.

  • Alimentação: Garantir níveis adequados de cálcio para manter a densidade óssea.