Espondilolistese
A Espondilolistese é uma condição da coluna vertebral (tronco) caracterizada pelo deslizamento de uma vértebra sobre a vértebra adjacente (geralmente para a frente). Mais frequentemente, afeta a coluna lombar (parte inferior das costas), especificamente na junção da quinta vértebra lombar (L5) com a primeira vértebra sacral (S1).
O termo Espondilolistese deriva do grego spondylos (vértebra) e olisthesis (escorregar).
Tipos e Causas
A Espondilolistese é classificada em vários tipos, sendo os mais comuns:
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Displásica: Causa congénita, devido a uma anomalia na formação da faceta articular da vértebra (rara).
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Istmo (Espondilólise): É a forma mais comum. Resulta de um defeito ou fratura por stress numa parte da vértebra chamada pars interarticularis (o istmo).
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Causa: Esforços repetitivos e hiperextensão da coluna (comum em ginastas, levantadores de peso, e praticantes de futebol americano). O defeito na pars leva à instabilidade e, subsequentemente, ao deslizamento.
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Degenerativa: Ocorre devido ao desgaste e degeneração das articulações da coluna (artrose) e dos discos vertebrais, o que leva à perda de estabilidade vertebral.
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Causa: Mais comum em adultos com mais de 50 anos, sendo mais frequente em mulheres.
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Sintomas
Os sintomas variam consoante a gravidade do deslizamento (que é graduada de I a V, sendo I o mais leve) e se há compressão nervosa:
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Dor Lombar (Dor nas Costas): É o sintoma mais comum. A dor é sentida na parte inferior das costas e é geralmente crónica, agravando-se com a atividade (especialmente a extensão da coluna) e aliviando com o repouso ou a flexão.
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Dor Radicular (Ciática): Se o deslizamento for significativo e comprimir as raízes nervosas (estegnose do canal lombar ou foraminai), a dor irradia para as nádegas e para a parte de trás das pernas, seguindo o trajeto do nervo ciático.
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Contração dos Isquiotibiais: É comum sentir rigidez e tightness (contração) nos músculos da parte de trás das coxas (isquiotibiais), devido a um mecanismo de defesa do corpo para estabilizar a coluna.
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Dificuldade em Manter a Postura: Dificuldade em permanecer de pé ou andar por longos períodos.
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Claudicação Neurofénica: Em casos graves, a dor e a dormência na perna pioram ao caminhar e melhoram ao fletir o tronco para a frente (o que abre o canal medular).
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Alteração da Marcha e da Postura: Pode haver um aumento da curvatura lombar (hiperlordose).
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Défice Neurológico (Raro e Grave): Em casos extremos, pode ocorrer dormência, fraqueza ou perda de controlo da bexiga/intestino (Síndrome da Cauda Equina), o que é uma emergência médica.
Diagnóstico
O diagnóstico da Espondilolistese é feito por um médico (ortopedista ou neurocirurgião):
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Histórico Clínico e Exame Físico: O médico avalia a dor, a postura, a marcha e realiza testes neurológicos para verificar a força, os reflexos e a sensibilidade. A avaliação da extensão do tronco geralmente provoca a dor.
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Radiografias (RX): É o exame principal.
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As radiografias simples (frente e lado) confirmam o diagnóstico e permitem medir o grau de deslizamento da vértebra (Graus I a V).
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As radiografias dinâmicas (com o paciente a dobrar e a esticar a coluna) são cruciais para determinar se o deslizamento é estável ou instável (se piora com o movimento).
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Tomografia Computorizada (TAC): Útil para visualizar o defeito ósseo na pars interarticularis (espondilólise) com maior detalhe.
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Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o melhor exame para avaliar os tecidos moles: nervos, discos intervertebrais e medula espinal. É usada para determinar se o deslizamento está a causar compressão nervosa significativa.
Tratamento
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do grau de deslizamento/instabilidade, sendo na maioria dos casos conservador.
1. Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)
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Repouso e Modificação de Atividades: Limitar atividades que envolvam a hiperextensão ou o levantamento de pesos.
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Medicação: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos para controlar a dor e a inflamação. Relaxantes musculares podem ser úteis para espasmos.
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Fisioterapia: É fundamental. Inclui:
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Exercícios para fortalecer os músculos abdominais e glúteos (músculos do core), que são cruciais para estabilizar a coluna.
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Alongamento dos isquiotibiais.
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Técnicas de estabilização do tronco.
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Injeções: Infiltrações epidurais de corticosteroides podem ser usadas para reduzir a inflamação em torno dos nervos e aliviar temporariamente a dor radicular.
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Coletes (Ortóteses): Podem ser usados por períodos limitados, especialmente no tratamento da espondilólise (defeito na pars) em adolescentes, para imobilizar a coluna e promover a cicatrização.
2. Tratamento Cirúrgico
A cirurgia é considerada para:
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Pacientes com dor persistente e incapacitante que não melhora após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso.
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Espondilolistese de alto grau (Graus III, IV ou V).
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Sinais de progressão do deslizamento ou défice neurológico.
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Procedimento (Artrodese e Descompressão): A cirurgia mais comum é a Artrodese Lombar (Fusão Vertebral), onde as vértebras afetadas são fundidas com implantes (parafusos e barras) para estabilizar a coluna e evitar mais deslizamentos. Se houver compressão nervosa, é realizada a descompressão (remoção de parte do osso ou disco que comprime o nervo).
Prevenção
A prevenção da Espondilolistese (especialmente a istmo) foca-se na proteção da coluna contra a sobrecarga e hiperextensão repetitiva:
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Fortalecimento do Core: Manter os músculos abdominais e do tronco fortes é a melhor defesa contra a instabilidade da coluna.
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Técnica Adequada: Usar a técnica correta ao levantar objetos (dobrar os joelhos, manter as costas direitas) e em atividades desportivas (ex: treino de força, ginástica).
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Alongamento: Fazer alongamentos regulares, especialmente dos músculos isquiotibiais, para manter a flexibilidade.
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Evitar a Hiperextensão Extrema: Evitar a repetição de movimentos de extensão máxima da coluna, comum em certos desportos.
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Vigilância em Atletas de Risco: Monitorização regular em jovens atletas que praticam desportos de alto risco para o desenvolvimento de espondilólise.