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Espondilolistese

A Espondilolistese é uma condição da coluna vertebral (tronco) caracterizada pelo deslizamento de uma vértebra sobre a vértebra adjacente (geralmente para a frente). Mais frequentemente, afeta a coluna lombar (parte inferior das costas), especificamente na junção da quinta vértebra lombar (L5) com a primeira vértebra sacral (S1).

O termo Espondilolistese deriva do grego spondylos (vértebra) e olisthesis (escorregar).


Tipos e Causas

A Espondilolistese é classificada em vários tipos, sendo os mais comuns:

  1. Displásica: Causa congénita, devido a uma anomalia na formação da faceta articular da vértebra (rara).

  2. Istmo (Espondilólise): É a forma mais comum. Resulta de um defeito ou fratura por stress numa parte da vértebra chamada pars interarticularis (o istmo).

    • Causa: Esforços repetitivos e hiperextensão da coluna (comum em ginastas, levantadores de peso, e praticantes de futebol americano). O defeito na pars leva à instabilidade e, subsequentemente, ao deslizamento.

  3. Degenerativa: Ocorre devido ao desgaste e degeneração das articulações da coluna (artrose) e dos discos vertebrais, o que leva à perda de estabilidade vertebral.

    • Causa: Mais comum em adultos com mais de 50 anos, sendo mais frequente em mulheres.


Sintomas

Os sintomas variam consoante a gravidade do deslizamento (que é graduada de I a V, sendo I o mais leve) e se há compressão nervosa:

  • Dor Lombar (Dor nas Costas): É o sintoma mais comum. A dor é sentida na parte inferior das costas e é geralmente crónica, agravando-se com a atividade (especialmente a extensão da coluna) e aliviando com o repouso ou a flexão.

  • Dor Radicular (Ciática): Se o deslizamento for significativo e comprimir as raízes nervosas (estegnose do canal lombar ou foraminai), a dor irradia para as nádegas e para a parte de trás das pernas, seguindo o trajeto do nervo ciático.

  • Contração dos Isquiotibiais: É comum sentir rigidez e tightness (contração) nos músculos da parte de trás das coxas (isquiotibiais), devido a um mecanismo de defesa do corpo para estabilizar a coluna.

  • Dificuldade em Manter a Postura: Dificuldade em permanecer de pé ou andar por longos períodos.

  • Claudicação Neurofénica: Em casos graves, a dor e a dormência na perna pioram ao caminhar e melhoram ao fletir o tronco para a frente (o que abre o canal medular).

  • Alteração da Marcha e da Postura: Pode haver um aumento da curvatura lombar (hiperlordose).

  • Défice Neurológico (Raro e Grave): Em casos extremos, pode ocorrer dormência, fraqueza ou perda de controlo da bexiga/intestino (Síndrome da Cauda Equina), o que é uma emergência médica.


Diagnóstico

O diagnóstico da Espondilolistese é feito por um médico (ortopedista ou neurocirurgião):

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico avalia a dor, a postura, a marcha e realiza testes neurológicos para verificar a força, os reflexos e a sensibilidade. A avaliação da extensão do tronco geralmente provoca a dor.

  • Radiografias (RX): É o exame principal.

    • As radiografias simples (frente e lado) confirmam o diagnóstico e permitem medir o grau de deslizamento da vértebra (Graus I a V).

    • As radiografias dinâmicas (com o paciente a dobrar e a esticar a coluna) são cruciais para determinar se o deslizamento é estável ou instável (se piora com o movimento).

  • Tomografia Computorizada (TAC): Útil para visualizar o defeito ósseo na pars interarticularis (espondilólise) com maior detalhe.

  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): É o melhor exame para avaliar os tecidos moles: nervos, discos intervertebrais e medula espinal. É usada para determinar se o deslizamento está a causar compressão nervosa significativa.


Tratamento

O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do grau de deslizamento/instabilidade, sendo na maioria dos casos conservador.

1. Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)

  • Repouso e Modificação de Atividades: Limitar atividades que envolvam a hiperextensão ou o levantamento de pesos.

  • Medicação: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos para controlar a dor e a inflamação. Relaxantes musculares podem ser úteis para espasmos.

  • Fisioterapia: É fundamental. Inclui:

    • Exercícios para fortalecer os músculos abdominais e glúteos (músculos do core), que são cruciais para estabilizar a coluna.

    • Alongamento dos isquiotibiais.

    • Técnicas de estabilização do tronco.

  • Injeções: Infiltrações epidurais de corticosteroides podem ser usadas para reduzir a inflamação em torno dos nervos e aliviar temporariamente a dor radicular.

  • Coletes (Ortóteses): Podem ser usados por períodos limitados, especialmente no tratamento da espondilólise (defeito na pars) em adolescentes, para imobilizar a coluna e promover a cicatrização.

2. Tratamento Cirúrgico

A cirurgia é considerada para:

  • Pacientes com dor persistente e incapacitante que não melhora após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso.

  • Espondilolistese de alto grau (Graus III, IV ou V).

  • Sinais de progressão do deslizamento ou défice neurológico.

  • Procedimento (Artrodese e Descompressão): A cirurgia mais comum é a Artrodese Lombar (Fusão Vertebral), onde as vértebras afetadas são fundidas com implantes (parafusos e barras) para estabilizar a coluna e evitar mais deslizamentos. Se houver compressão nervosa, é realizada a descompressão (remoção de parte do osso ou disco que comprime o nervo).


Prevenção

A prevenção da Espondilolistese (especialmente a istmo) foca-se na proteção da coluna contra a sobrecarga e hiperextensão repetitiva:

  • Fortalecimento do Core: Manter os músculos abdominais e do tronco fortes é a melhor defesa contra a instabilidade da coluna.

  • Técnica Adequada: Usar a técnica correta ao levantar objetos (dobrar os joelhos, manter as costas direitas) e em atividades desportivas (ex: treino de força, ginástica).

  • Alongamento: Fazer alongamentos regulares, especialmente dos músculos isquiotibiais, para manter a flexibilidade.

  • Evitar a Hiperextensão Extrema: Evitar a repetição de movimentos de extensão máxima da coluna, comum em certos desportos.

  • Vigilância em Atletas de Risco: Monitorização regular em jovens atletas que praticam desportos de alto risco para o desenvolvimento de espondilólise.