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Escoliose

A Escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral caracterizada por uma curvatura lateral (para os lados) da coluna, geralmente acompanhada por uma rotação das vértebras. Em vez de se desenvolver numa linha reta, a coluna vertebral de uma pessoa com escoliose apresenta a forma de um “S” ou de um “C”.

A escoliose é classificada com base na sua causa e na idade de início. A mais comum é a Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA), que afeta crianças entre os 10 e os 18 anos e cuja causa é desconhecida.


Sintomas

Muitas vezes, a escoliose é detetada por familiares ou durante rastreios escolares, pois os sinais são maioritariamente visuais e posturais. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Assimetria Postural: O sintoma mais evidente, que se manifesta como:

    • Ombros Desiguais: Um ombro parece mais alto que o outro.

    • Anca Desigual: Uma anca parece mais proeminente que a outra.

    • Escápula Proeminente: Uma omoplata pode parecer mais saliente que a outra.

    • Assimetria da Cintura: A cintura parece desnivelada ou o corpo parece inclinado para um lado.

  • Corcova Costal (Gibosidade): Quando a pessoa se inclina para a frente, a rotação da coluna faz com que a caixa torácica no lado da convexidade da curva fique mais proeminente e elevada.

  • Dor: A dor nas costas (lombalgia) é comum em adultos com escoliose e também pode ocorrer em adolescentes, especialmente em curvaturas mais graves ou com grande atividade física.

  • Fadiga: Os músculos das costas ficam fatigados devido ao esforço para manter a postura ereta.

  • Problemas Respiratórios (em casos graves): Em curvaturas muito acentuadas (geralmente acima de $70^\circ$ ou $80^\circ$), o tórax pode ficar comprimido, afetando a função pulmonar.


Causas

A escoliose é classificada pela sua causa:

  1. Escoliose Idiopática (Causa Desconhecida):

    • É o tipo mais comum, representando cerca de 80% dos casos. Ocorre em crianças e adolescentes sem uma causa subjacente conhecida.

  2. Escoliose Congénita (Presente à Nascença):

    • Resulta de um problema no desenvolvimento da coluna vertebral no útero (ex: vértebras malformadas ou vértebras que não se separam corretamente).

  3. Escoliose Neuromuscular:

    • Desenvolve-se como resultado de doenças que afetam os músculos ou o sistema nervoso, como paralisia cerebral, distrofia muscular, mielomeningocele ou lesões na medula espinal. A fraqueza muscular ou o desequilíbrio leva à incapacidade de suportar a coluna.

  4. Escoliose Degenerativa (do Adulto):

    • Desenvolve-se mais tarde na vida devido ao desgaste da coluna vertebral (artrose, osteoporose, degeneração dos discos intervertebrais), levando ao colapso e à curvatura.


Diagnóstico

O diagnóstico é realizado por um médico (ortopedista) e baseia-se numa combinação de exame físico e exames de imagem:

  • Exame Físico:

    • Teste de Adams: O paciente inclina-se para a frente, com os pés juntos e os braços pendurados. Este teste revela a gibosidade (corcova costal) ou a assimetria na coluna, que é um forte indicador de escoliose estrutural.

    • Plumbline: O médico avalia a simetria dos ombros, ancas e cintura.

  • Exames de Imagem:

    • Radiografias (RX): São essenciais. São tiradas radiografias de toda a coluna (geralmente na posição de pé) para medir o grau da curva.

    • Medição do Ângulo de Cobb: É o método padrão para quantificar a curvatura da escoliose. O ângulo de Cobb é medido entre a vértebra mais inclinada acima da curva e a vértebra mais inclinada abaixo da curva.

    • Ressonância Magnética (RMN): Pode ser solicitada para escolioses atípicas ou de início precoce, a fim de descartar anormalidades da medula espinhal ou do sistema nervoso (ex: siringomielia).

A escoliose é geralmente diagnosticada quando o ângulo de Cobb é igual ou superior a $10^\circ$.


Tratamento

O tratamento da escoliose depende da idade do paciente, do tipo de escoliose e, mais importante, do ângulo de Cobb e do risco de progressão.

Ângulo de Cobb Tratamento Típico (Adolescentes)
Abaixo de $20^\circ$ Observação e Monitorização com radiografias a cada 6 a 12 meses.
$20^\circ$ a $40^\circ$ Uso de Coletes Ortopédicos (Braces), usados para interromper ou diminuir a progressão da curva enquanto a coluna ainda está a crescer.
Acima de $40^\circ$ a $50^\circ$ Cirurgia (Fusão Vertebral): A curva é considerada grave e a progressão é provável mesmo após a idade adulta. A cirurgia é realizada para corrigir a curva e fundir as vértebras afetadas com hastes e parafusos para estabilizar a coluna.
  • Fisioterapia e Exercícios: São frequentemente utilizados em conjunto com a observação ou o colete. Embora os exercícios não curem a escoliose, são importantes para melhorar a força, a flexibilidade, a postura e a função pulmonar.


Prevenção

Não há medidas definitivas para prevenir o tipo mais comum de escoliose (a idiopática), pois a sua causa é desconhecida e não está relacionada com a má postura, o peso das mochilas ou a dieta. No entanto, a prevenção e a gestão focam-se na deteção precoce e na prevenção da progressão:

  • Rastreio Regular: Fazer rastreios anuais na escola ou no médico de família durante os anos de crescimento (dos 8 aos 16 anos). A deteção precoce permite iniciar o uso do colete antes que a curva se torne muito grave.

  • Postura e Ergonomia: Embora não previnam a escoliose, manter uma boa postura e ergonomia (especialmente no local de trabalho ou estudo) pode ajudar a aliviar a dor associada e a melhorar o bem-estar geral da coluna.

  • Exercício e Força Muscular: Manter um bom tónus muscular e flexibilidade ajuda a suportar a coluna e a compensar os desequilíbrios causados pela curva.

  • Gestão de Condições Subjacentes: No caso da escoliose neuromuscular, um controlo rigoroso da doença subjacente (ex: paralisia cerebral) é fundamental para tentar minimizar a progressão da curva.

Se suspeitar de escoliose em si ou num familiar, deve procurar um médico para uma avaliação imediata, especialmente se a pessoa ainda estiver em fase de crescimento.