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Epicondilite

A Epicondilite é uma condição inflamatória ou degenerativa que afeta os tendões que se inserem nos epicôndilos, as proeminências ósseas no cotovelo. Existem dois tipos principais, dependendo da área do cotovelo afetada:

  1. Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista): Afeta os tendões extensores no lado externo (lateral) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo lateral. É a forma mais comum.

  2. Epicondilite Medial (Cotovelo de Golfista): Afeta os tendões flexores no lado interno (medial) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo medial.

Vou detalhar a Epicondilite Lateral por ser a mais comum, mas a descrição é similar para a Epicondilite Medial, alterando apenas a localização e os grupos musculares envolvidos.


Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista)

É uma tendinopatia (condição do tendão) que envolve principalmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo no cotovelo.


Sintomas

Os sintomas da epicondilite lateral (cotovelo de tenista) incluem:

  • Dor: O sintoma principal é dor na parte externa (lateral) do cotovelo, que se irradia para o antebraço e, por vezes, para o punho.

  • Sensibilidade: Dor e sensibilidade ao toque no epicôndilo lateral (a protuberância óssea na parte de fora do cotovelo).

  • Dor com a preensão: A dor agrava-se com movimentos que envolvem o punho e os dedos, especialmente ao agarrar ou torcer objetos (ex: abrir um frasco, pegar numa chávena, apertar as mãos, levantar pesos).

  • Fraqueza: Pode sentir-se fraqueza ao tentar levantar ou segurar objetos.

  • Dor noturna: Em casos mais avançados, pode ocorrer dor durante a noite.

  • Rigidez: Pode haver alguma rigidez no cotovelo, embora não seja o sintoma predominante.


Causas

A epicondilite é causada por uso excessivo e stress repetitivo nos músculos e tendões do antebraço. Este stress leva a microtraumatismos, degeneração e, por vezes, a inflamação dos tendões na sua inserção óssea.

  • Atividades repetitivas: É comum em profissões que envolvem movimentos repetitivos do punho e dos dedos (ex: canalizadores, carpinteiros, pintores, cozinheiros, talhantes, trabalhadores de linha de montagem).

  • Desportos: Uso incorreto da técnica ou de equipamento inadequado em desportos de raquete (ténis, squash), onde há repetição de movimentos de extensão do punho.

  • Má técnica ou ergonomia: Uso incorreto do teclado e do rato do computador, ou ferramentas inadequadas.

  • Força repentina: Raramente, um evento de força única e súbita pode desencadear a lesão.

  • Idade: Mais comum entre os 30 e os 50 anos.


Diagnóstico

O diagnóstico da epicondilite é primariamente clínico, baseado na avaliação do médico:

  • Histórico Clínico: O médico irá questionar sobre o tipo de dor, a sua localização, os fatores que a agravam e as atividades profissionais ou desportivas do paciente.

  • Exame Físico: O médico irá palpar o epicôndilo lateral para verificar a sensibilidade. Serão realizados testes específicos, como a extensão do punho contra resistência, que tipicamente reproduz a dor na inserção do tendão no cotovelo.

  • Exames de Imagem: Geralmente não são necessários para um diagnóstico de epicondilite simples, mas podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da degeneração ou descartar outras causas de dor no cotovelo:

    • Ecografia (Ultrassonografia): Pode visualizar a degeneração do tendão (tendinose), o espessamento e a presença de calcificações ou pequenas roturas.

    • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Usada em casos persistentes ou atípicos, para descartar outras patologias (ex: compressão nervosa) e confirmar a extensão da lesão tendinosa.

    • Radiografias (RX): Podem ser feitas para descartar fraturas ou avaliar sinais de artrose.


Tratamento

O tratamento da epicondilite é quase sempre conservador e requer paciência, pois a recuperação pode ser lenta.

  • Repouso e Modificação de Atividades: Evitar ou limitar as atividades que causam dor (as que envolvem a extensão e torção do punho).

  • Medicação:

    • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Orais ou tópicos (em gel) para reduzir a dor e a inflamação na fase inicial.

    • Analgésicos: Para controlo da dor.

  • Aplicação de Gelo: Aplicação de gelo no cotovelo para reduzir a dor e a inflamação.

  • Fisioterapia: É o pilar do tratamento a longo prazo:

    • Exercícios: Inicialmente, alongamentos suaves; progredir para exercícios de fortalecimento excêntrico (o alongamento do músculo sob tensão) dos músculos do antebraço e extensores do punho.

    • Terapia Manual: Massagem de fricção transversal, mobilização.

    • Modalidades: Ultrassom, eletroterapia, laser.

  • Ortóteses (Cotoveleiras):

    • Banda de contraforte (braçadeira): Uma banda colocada no antebraço, um pouco abaixo do cotovelo, que alivia a tensão no tendão.

  • Infiltrações:

    • Corticosteroides: Injeções perto do tendão podem aliviar temporariamente a dor, mas são usadas com cautela devido ao potencial de enfraquecimento do tendão.

    • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Injeção de fatores de crescimento para promover a reparação do tendão.

  • Cirurgia: Reservada para casos crónicos e graves que não melhoraram após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso. A cirurgia envolve a remoção do tecido tendinoso degenerado e, por vezes, a reinserção do tendão no osso.


Prevenção

A prevenção da epicondilite foca-se na correção da técnica, ergonomia e fortalecimento:

  • Fortalecimento muscular: Fortalecer os músculos do antebraço, punho e ombro para aumentar a sua resistência ao stress.

  • Técnica adequada: Em desportos (ténis, golfe) ou no trabalho, garantir que a técnica de movimento está correta. O equipamento (ex: o tamanho do punho da raquete, o peso da ferramenta) deve ser o adequado.

  • Aquecimento e alongamento: Realizar alongamentos e aquecimento adequados dos músculos do antebraço e punho antes de atividades repetitivas ou que exijam esforço.

  • Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho, especialmente o uso do teclado, rato e ferramentas, para minimizar a tensão no cotovelo e antebraço.

  • Fazer pausas: Em tarefas repetitivas, fazer pausas regulares para alongar e descansar os músculos.