Epicondilite
A Epicondilite é uma condição inflamatória ou degenerativa que afeta os tendões que se inserem nos epicôndilos, as proeminências ósseas no cotovelo. Existem dois tipos principais, dependendo da área do cotovelo afetada:
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Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista): Afeta os tendões extensores no lado externo (lateral) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo lateral. É a forma mais comum.
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Epicondilite Medial (Cotovelo de Golfista): Afeta os tendões flexores no lado interno (medial) do cotovelo, onde se ligam ao epicôndilo medial.
Vou detalhar a Epicondilite Lateral por ser a mais comum, mas a descrição é similar para a Epicondilite Medial, alterando apenas a localização e os grupos musculares envolvidos.
Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista)
É uma tendinopatia (condição do tendão) que envolve principalmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo no cotovelo.
Sintomas
Os sintomas da epicondilite lateral (cotovelo de tenista) incluem:
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Dor: O sintoma principal é dor na parte externa (lateral) do cotovelo, que se irradia para o antebraço e, por vezes, para o punho.
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Sensibilidade: Dor e sensibilidade ao toque no epicôndilo lateral (a protuberância óssea na parte de fora do cotovelo).
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Dor com a preensão: A dor agrava-se com movimentos que envolvem o punho e os dedos, especialmente ao agarrar ou torcer objetos (ex: abrir um frasco, pegar numa chávena, apertar as mãos, levantar pesos).
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Fraqueza: Pode sentir-se fraqueza ao tentar levantar ou segurar objetos.
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Dor noturna: Em casos mais avançados, pode ocorrer dor durante a noite.
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Rigidez: Pode haver alguma rigidez no cotovelo, embora não seja o sintoma predominante.
Causas
A epicondilite é causada por uso excessivo e stress repetitivo nos músculos e tendões do antebraço. Este stress leva a microtraumatismos, degeneração e, por vezes, a inflamação dos tendões na sua inserção óssea.
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Atividades repetitivas: É comum em profissões que envolvem movimentos repetitivos do punho e dos dedos (ex: canalizadores, carpinteiros, pintores, cozinheiros, talhantes, trabalhadores de linha de montagem).
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Desportos: Uso incorreto da técnica ou de equipamento inadequado em desportos de raquete (ténis, squash), onde há repetição de movimentos de extensão do punho.
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Má técnica ou ergonomia: Uso incorreto do teclado e do rato do computador, ou ferramentas inadequadas.
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Força repentina: Raramente, um evento de força única e súbita pode desencadear a lesão.
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Idade: Mais comum entre os 30 e os 50 anos.
Diagnóstico
O diagnóstico da epicondilite é primariamente clínico, baseado na avaliação do médico:
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Histórico Clínico: O médico irá questionar sobre o tipo de dor, a sua localização, os fatores que a agravam e as atividades profissionais ou desportivas do paciente.
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Exame Físico: O médico irá palpar o epicôndilo lateral para verificar a sensibilidade. Serão realizados testes específicos, como a extensão do punho contra resistência, que tipicamente reproduz a dor na inserção do tendão no cotovelo.
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Exames de Imagem: Geralmente não são necessários para um diagnóstico de epicondilite simples, mas podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da degeneração ou descartar outras causas de dor no cotovelo:
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Ecografia (Ultrassonografia): Pode visualizar a degeneração do tendão (tendinose), o espessamento e a presença de calcificações ou pequenas roturas.
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Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Usada em casos persistentes ou atípicos, para descartar outras patologias (ex: compressão nervosa) e confirmar a extensão da lesão tendinosa.
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Radiografias (RX): Podem ser feitas para descartar fraturas ou avaliar sinais de artrose.
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Tratamento
O tratamento da epicondilite é quase sempre conservador e requer paciência, pois a recuperação pode ser lenta.
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Repouso e Modificação de Atividades: Evitar ou limitar as atividades que causam dor (as que envolvem a extensão e torção do punho).
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Medicação:
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Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Orais ou tópicos (em gel) para reduzir a dor e a inflamação na fase inicial.
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Analgésicos: Para controlo da dor.
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Aplicação de Gelo: Aplicação de gelo no cotovelo para reduzir a dor e a inflamação.
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Fisioterapia: É o pilar do tratamento a longo prazo:
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Exercícios: Inicialmente, alongamentos suaves; progredir para exercícios de fortalecimento excêntrico (o alongamento do músculo sob tensão) dos músculos do antebraço e extensores do punho.
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Terapia Manual: Massagem de fricção transversal, mobilização.
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Modalidades: Ultrassom, eletroterapia, laser.
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Ortóteses (Cotoveleiras):
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Banda de contraforte (braçadeira): Uma banda colocada no antebraço, um pouco abaixo do cotovelo, que alivia a tensão no tendão.
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Infiltrações:
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Corticosteroides: Injeções perto do tendão podem aliviar temporariamente a dor, mas são usadas com cautela devido ao potencial de enfraquecimento do tendão.
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Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Injeção de fatores de crescimento para promover a reparação do tendão.
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Cirurgia: Reservada para casos crónicos e graves que não melhoraram após 6 a 12 meses de tratamento conservador rigoroso. A cirurgia envolve a remoção do tecido tendinoso degenerado e, por vezes, a reinserção do tendão no osso.
Prevenção
A prevenção da epicondilite foca-se na correção da técnica, ergonomia e fortalecimento:
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Fortalecimento muscular: Fortalecer os músculos do antebraço, punho e ombro para aumentar a sua resistência ao stress.
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Técnica adequada: Em desportos (ténis, golfe) ou no trabalho, garantir que a técnica de movimento está correta. O equipamento (ex: o tamanho do punho da raquete, o peso da ferramenta) deve ser o adequado.
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Aquecimento e alongamento: Realizar alongamentos e aquecimento adequados dos músculos do antebraço e punho antes de atividades repetitivas ou que exijam esforço.
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Ergonomia: Ajustar o posto de trabalho, especialmente o uso do teclado, rato e ferramentas, para minimizar a tensão no cotovelo e antebraço.
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Fazer pausas: Em tarefas repetitivas, fazer pausas regulares para alongar e descansar os músculos.