Entorse da TT inversão
A Entorse da Tibiotársica (TT) por Inversão é uma das lesões desportivas e traumáticas mais comuns. Ocorre quando o pé “dobra” para dentro, forçando a parte externa do tornozelo para baixo. Este movimento excessivo causa um estiramento ou rotura dos ligamentos laterais, sendo o Ligamento Talofibular Anterior (LTFA) o mais frequentemente afetado.
Sintomas
Os sintomas variam conforme o grau da lesão (Grau I – Estiramento; Grau II – Rotura parcial; Grau III – Rotura total):
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Dor Aguda: Localizada na face externa do tornozelo (perto do maléolo lateral).
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Edema (Inchaço): Surge rapidamente devido à inflamação e possível hemorragia interna.
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Equimose (Nódoa negra): Resultante da rotura de pequenos vasos sanguíneos na zona lateral.
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Dificuldade na Marcha: Dor ao apoiar o peso no pé afetado.
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Instabilidade: Sensação de que o tornozelo “falha” ao tentar caminhar.
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Causas
O mecanismo de inversão é geralmente acidental e ocorre em situações de instabilidade:
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Terrenos Irregulares: Caminhar ou correr em superfícies instáveis ou com buracos.
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Quedas: Descer degraus ou saltar de uma altura e aterrar com o pé mal posicionado.
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Desportos de Impacto: Mudanças bruscas de direção ou contacto direto em modalidades como futebol, basquetebol ou trail.
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Calçado Inadequado: Uso de saltos altos ou sapatilhas que não oferecem suporte lateral suficiente.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, mas pode exigir exames complementares para excluir fraturas:
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Exame Físico: O profissional avalia a sensibilidade óssea e realiza testes de gaveta (para testar a integridade dos ligamentos).
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Regras de Ottawa: Critérios clínicos usados para decidir se é necessário realizar um Raio-X (para excluir fratura do maléolo ou do 5.º metatarso).
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Ecografia: Excelente para avaliar a extensão da rotura ligamentar.
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Ressonância Magnética (RMN): Reservada para casos crónicos ou suspeita de lesões na cartilagem.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O tratamento inicial segue habitualmente o protocolo PEACE & LOVE (proteção, elevação, evitar anti-inflamatórios na fase aguda, compressão e educação).
Intervenção Médica:
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Medicação: Analgésicos para controlo da dor. O uso de anti-inflamatórios (AINEs) deve ser ponderado, pois podem atrasar a cicatrização inicial do tecido.
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Imobilização: Uso de tala, bota ortopédica ou ligaduras funcionais (Tape) nos primeiros dias.
Intervenção da Fisioterapia: A fisioterapia é crucial para evitar a instabilidade crónica do tornozelo.
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Controlo do Edema: Uso de drenagem linfática manual, pressoterapia e aplicação de gelo.
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Terapia Manual: Mobilizações articulares para evitar que o tornozelo fique “preso” e para recuperar a flexibilidade (especialmente a dorsiflexão).
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Proprioceção (Treino de Equilíbrio): Uso de planos instáveis (bosu, pranchas) para reeducar os recetores do tornozelo a reagirem rapidamente a desequilíbrios.
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Fortalecimento dos Peroniais: Estes músculos (na lateral da perna) são os principais protetores contra a inversão; fortalecê-los é vital.
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Eletroterapia: Laser ou ultrassom para acelerar a cicatrização dos ligamentos.
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Treino de Marcha e Retorno ao Desporto: Exercícios pliométricos e mudanças de direção controladas.
Prevenção
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Treino de Equilíbrio: Exercícios de apoio unipodal (apoiado só num pé) diariamente.
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Fortalecimento Muscular: Focar nos músculos laterais da perna e nos gémeos.
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Escolha do Calçado: Utilizar calçado adequado à atividade física praticada.
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Ligaduras Funcionais: Em atletas com historial de entorses, o uso de taping ou ortóteses durante o desporto pode prevenir recidivas.