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Doença de Peyronie

A Doença de Peyronie é uma condição caracterizada pelo desenvolvimento de tecido cicatricial fibroso (placa) no interior do pénis, mais especificamente na túnica albugínea (a membrana que envolve os corpos cavernosos). Esta placa não é elástica, o que faz com que o pénis se curve ou mude de forma durante a ereção, podendo causar dor e dificuldades na função sexual.

Embora seja uma condição urológica, a fisioterapia pélvica tem ganho um papel fundamental no suporte ao tratamento e na reabilitação da zona pélvica.


Sintomas

Os sintomas podem surgir de forma súbita ou gradual e incluem:

  • Curvatura do Pénis: O pénis curva-se para cima, para baixo ou para um dos lados durante a ereção.

  • Nódulos: Sensação de áreas endurecidas (placas) sob a pele do pénis.

  • Dor: Pode ocorrer dor durante a ereção ou mesmo em estado flácido (frequente na fase aguda).

  • Deformidades: O pénis pode apresentar estreitamentos (efeito “ampulheta”) ou encurtamento.

  • Disfunção Erétil: Dificuldade em manter ou obter uma ereção devido à dor ou às alterações estruturais.


Causas

A causa exata não é totalmente compreendida, mas os principais fatores são:

  • Microtraumatismos: Pequenas lesões durante a atividade sexual ou desportiva que, ao cicatrizarem de forma anormal em indivíduos predispostos, geram a placa fibrosa.

  • Fatores Genéticos: Histórico familiar da doença ou associação com a Contratura de Dupuytren (nas mãos).

  • Idade: É mais comum em homens acima dos 50 anos, embora possa afetar jovens.

  • Disfunções Vasculares: Condições como diabetes ou hipertensão podem dificultar a cicatrização correta dos tecidos.


Diagnóstico

  • Exame Físico: O urologista palpa o pénis para localizar as placas endurecidas.

  • Ereção Induzida: Por vezes, é injetado um fármaco para induzir a ereção em consulta e avaliar o grau exato da curvatura.

  • Ecografia Doppler Peniana: Essencial para medir o tamanho da placa e avaliar o fluxo sanguíneo.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento é dividido entre a fase aguda (inflamatória/dolorosa) e a fase crónica (estabilização da curvatura).

Intervenção Médica:

  • Medicamentos Orais: Utilizados na fase inicial para reduzir a dor e a inflamação.

  • Injeções Intralesionais: Injeção de substâncias (como colagenase ou verapamil) diretamente na placa para a tentar dissolver.

  • Cirurgia: Indicada apenas na fase crónica (após 6 a 12 meses de estabilidade) se a curvatura impedir a relação sexual.

Intervenção da Fisioterapia (Reabilitação Pélvica):

  • Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas (ESWT): Um dos tratamentos mais eficazes na fisioterapia para reduzir a dor na fase aguda e ajudar a desorganizar o tecido fibroso da placa.

  • Dispositivos de Tração Peniana: O fisioterapeuta orienta o uso de aparelhos que aplicam uma tração suave e constante para remodelar a curvatura e evitar o encurtamento do pénis.

  • Vácuoterapia: Uso de bombas de vácuo para promover o fluxo sanguíneo e melhorar a elasticidade dos tecidos.

  • Iontoforese: Aplicação de medicamentos através da pele utilizando uma corrente elétrica suave.

  • Reabilitação do Pavimento Pélvico: Exercícios para relaxar ou fortalecer a musculatura pélvica, muitas vezes tensa devido à dor crónica na zona, o que pode ajudar a melhorar a disfunção erétil associada.

  • Biofeedback: Utilizado para ajudar o paciente a ter consciência da tensão na zona pélvica e aprender a relaxar os músculos profundos.


Prevenção

  • Cuidado durante o ato sexual: Evitar posições ou movimentos que possam causar traumatismos ou “dobras” no pénis.

  • Controlo de doenças metabólicas: Manter a diabetes e a pressão arterial controladas para favorecer a saúde dos tecidos.

  • Tratamento Precoce: Procurar um urologista ou fisioterapeuta pélvico logo aos primeiros sinais de dor ou nódulos, pois o tratamento na fase aguda tem melhores resultados.