Disfunção da Articulação Sacroilíaca (ASI)
A Disfunção da Articulação Sacroilíaca ocorre quando há uma falha na mecânica das articulações que ligam o sacro (base da coluna) aos ossos ilíacos (bacia). Estas articulações funcionam como amortecedores de choque e distribuidores de carga. A dor surge quando a articulação se torna instável (hipermobilidade) ou quando fica “bloqueada” (hipomobilidade), gerando um desequilíbrio em toda a cintura pélvica.
Sintomas
Os sintomas são frequentemente confundidos com problemas na coluna lombar ou anca:
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Dor Localizada: Dor profunda num dos lados da base da coluna ou na nádega.
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Irradiação: A dor pode descer pela parte posterior ou lateral da coxa, geralmente não ultrapassando o joelho.
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Dificuldade em Cargas Unilaterais: Dor ao subir escadas, ao vestir calças em pé ou ao caminhar.
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Rigidez Matinal: Sensação de bloqueio na bacia ao levantar-se da cama.
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Agravamento ao Sentar: Desconforto ao permanecer sentado por longos períodos, especialmente em superfícies duras.
Causas
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Fatores Hormonais: Gravidez e pós-parto (devido à laxidão ligamentar causada pela relaxina).
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Biomecânica Alterada: Diferença no comprimento das pernas (dismetria) ou escoliose.
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Traumatismos: Quedas sobre as nádegas, entorses bruscas do tornozelo ou acidentes rodoviários.
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Sobrecarga Repetitiva: Desportos de impacto ou atividades que exijam movimentos assimétricos frequentes.
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Degeneração: Desgaste da cartilagem (artrose) devido ao envelhecimento ou inflamação crónica (sacroileíte).
Diagnóstico
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Avaliação Clínica: É o método principal. Consiste na realização de testes de provocação (como o Teste de Distração, Compressão, Thigh Thrust e Gaenslen). Se a maioria dos testes for positiva, a origem é sacroilíaca.
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Avaliação Funcional: Análise da marcha, do equilíbrio pélvico e da ativação muscular.
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Exames de Imagem: RX ou Ressonância Magnética (RMN) para descartar outras patologias ou avaliar o estado da cartilagem.
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Injeção de Diagnóstico: Infiltração com anestésico na articulação para confirmar se a dor cessa.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O tratamento é maioritariamente conservador, focando-se na redução da dor e na restauração da função mecânica.
Intervenção Médica:
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Medicação: Anti-inflamatórios e analgésicos para a fase aguda.
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Infiltrações: Injeção de corticoides para reduzir a inflamação em casos de sacroileíte.
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Radiofrequência: Denervação dos nervos que transmitem a dor da articulação em casos crónicos.
Intervenção da Fisioterapia:
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Terapia Manual: Técnicas de mobilização ou manipulação (“estalos” controlados) para restaurar o movimento em articulações bloqueadas (hipomóveis).
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Libertação Miofascial: Massagem profunda e técnicas de pontos gatilho nos músculos que rodeiam a bacia (como o piriforme, glúteos e psoas) para reduzir espasmos.
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Estabilização Segmentar: Exercícios específicos para fortalecer os estabilizadores profundos (transverso do abdómen e multífidos).
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Controlo Motor: Reeducação dos glúteos para garantir que a bacia permanece estável durante a marcha e atividades diárias.
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Cinta Sacroilíaca: Aplicação e ajuste de um cinto pélvico para dar suporte externo em casos de instabilidade (hipermobilidade).
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Correção da Marcha: Ensino de estratégias para subir escadas ou caminhar sem sobrecarregar a articulação.
Prevenção
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Fortalecimento de Glúteos: O glúteo médio é o principal protetor desta articulação.
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Evitar Posturas Assimétricas: Não cruzar as pernas repetidamente e evitar apoiar o peso apenas numa perna ao estar de pé.
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Correção de Dismetrias: Uso de palmilhas de compensação se houver uma diferença real no comprimento das pernas.
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Ergonomia: Manter uma boa postura ao sentar e evitar carregar pesos excessivos apenas de um lado do corpo.