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Coxartrose

A Coxartrose (também conhecida como Osteoartrite da Anca) é uma doença degenerativa crónica que afeta a articulação da anca (coxofemoral). Caracteriza-se pelo desgaste progressivo da cartilagem articular que reveste as superfícies ósseas da cabeça do fémur (osso da coxa) e do acetábulo (cavidade da bacia).

Com a perda da cartilagem, os ossos esfregam-se diretamente, resultando em dor, rigidez e perda de função da articulação.


Sintomas

Os sintomas da coxartrose desenvolvem-se geralmente de forma lenta e progressiva:

  • Dor na Anca: É o sintoma mais comum. A dor é sentida na virilha, mas pode irradiar para a coxa e, frequentemente, para o joelho (dor referida). Pode também ser sentida na nádega.

  • Dor Agravada pelo Movimento: A dor piora com a atividade física, como caminhar, correr, subir escadas ou levantar-se de uma cadeira, e melhora com o repouso.

  • Rigidez: A articulação fica rígida, especialmente de manhã ou após longos períodos de inatividade. Isto limita a capacidade de movimentar a anca.

  • Limitação da Amplitude de Movimento: A capacidade de rodar a anca (especialmente a rotação interna) e de a afastar do corpo (abdução) torna-se progressivamente difícil.

  • Claudicação (Manqueira): Devido à dor e à rigidez, o paciente pode mancar para aliviar a pressão sobre a articulação dolorosa.

  • Crepitação: Pode sentir-se ou ouvir-se um som de “ranger” ou “estalo” (crepitação) ao mover a anca.


Causas

A coxartrose pode ser classificada em primária (sem causa específica conhecida) ou secundária (causada por um problema identificável).

  • Coxartrose Primária:

    • Envelhecimento: O desgaste natural e gradual da cartilagem ao longo dos anos é a causa mais frequente. Ocorre geralmente após os 60 anos.

  • Coxartrose Secundária:

    • Anomalias Congénitas e de Desenvolvimento: Problemas como a Displasia da Anca (a articulação não se formou corretamente) levam a um stress mecânico anormal, acelerando o desgaste.

    • Traumatismos Anteriores: Fraturas da cabeça do fémur ou do acetábulo, ou luxações graves da anca, podem danificar a cartilagem e predispor à artrose pós-traumática.

    • Doenças da Infância: Doença de Legg-Calvé-Perthes ou Epifisiólise da Cabeça Femoral.

    • Necrose Avascular da Cabeça Femoral: Condição em que o fluxo sanguíneo para a cabeça do fémur é interrompido, levando à morte do osso e ao colapso da articulação.

    • Artrite Inflamatória: Doenças como a artrite reumatoide ou espondilite anquilosante podem causar destruição da cartilagem.

  • Fatores de Risco:

    • Obesidade: Aumenta a carga mecânica sobre a anca.

    • Atividades de Alto Impacto: O stress repetitivo em desportos de contacto ou levantamento de pesos pode contribuir para o desgaste.


Diagnóstico

O diagnóstico da coxartrose é feito por um médico (ortopedista ou fisiatra) e baseia-se em:

  • Histórico Clínico Detalhado: O médico irá questionar sobre o início da dor, a sua localização, a sua relação com a atividade e o impacto na vida diária.

  • Exame Físico: Avaliação da marcha (claudicação), da amplitude de movimento da anca (especialmente a rotação interna) e da força muscular.

  • Radiografias (RX): São o exame principal. As radiografias mostram:

    • Estreitamento do espaço articular: Indicativo da perda de cartilagem.

    • Formação de Osteófitos: Esporões ósseos nas margens da articulação.

    • Esclerose Subcondral: Aumento da densidade óssea abaixo da cartilagem desgastada.

    • Cistos Ósseos.

  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TAC): Podem ser usadas para diagnosticar causas secundárias, como Necrose Avascular ou para um planeamento cirúrgico mais detalhado.

  • Análises de Sangue: Raramente necessárias, mas podem ser feitas para descartar causas inflamatórias (artrite reumatoide).


Tratamento

O tratamento visa aliviar a dor, melhorar a função e atrasar a progressão da doença. O tratamento é progressivo, começando com medidas conservadoras.

    • Tratamento Conservador (Não Cirúrgico):

      • Medicação:

        • Analgésicos: Paracetamol para alívio da dor.

        • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Para reduzir a dor e a inflamação.

      • Fisioterapia: Essencial para manter a força e a flexibilidade da anca, coxas e tronco. Inclui exercícios de alongamento e fortalecimento muscular.

      • Modificação de Atividades: Evitar atividades de alto impacto (correr, saltar) e substituí-las por atividades de baixo impacto (natação, bicicleta).

      • Apoios Técnicos: Uso de bengalas ou andarilhos para reduzir a carga sobre a articulação dolorosa.

      • Perda de Peso: Reduzir a carga sobre a anca.

      • Infiltrações: Injeções de corticoides e anestésicos (para alívio temporário da dor) ou de ácido hialurónico (viscossuplementação, com eficácia variável na anca) podem ser usadas.

    • Tratamento Cirúrgico: É considerado quando o tratamento conservador falha em controlar a dor e a limitação funcional afeta significativamente a qualidade de vida.

      • Artroplastia Total da Anca (Substituição da Anca):

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É o tratamento mais eficaz para a coxartrose avançada. O cirurgião remove a cabeça e colo do fémur doentes e a superfície danificada do acetábulo, substituindo-os por implantes (próteses) metálicos e/ou cerâmicos. * Osteotomia:Mais comum em pacientes mais jovens com deformidades, visa realinhar os ossos para distribuir o peso de forma mais uniforme. * Reabilitação Pós-Cirúrgica: A fisioterapia intensiva é crucial após a cirurgia para garantir a recuperação da força e da amplitude de movimento da nova anca.


Prevenção

A prevenção foca-se em retardar o desgaste e gerir os fatores de risco:

  • Controlo de Peso: Manter um peso corporal saudável para minimizar o stress nas articulações.

  • Exercício de Baixo Impacto: Praticar atividades como natação, caminhada suave ou bicicleta para fortalecer os músculos em torno da anca sem sobrecarregar a cartilagem.

  • Fortalecimento Muscular: Realizar exercícios que fortalecem os músculos glúteos e da coxa para estabilizar a articulação.

  • Diagnóstico e Tratamento Precoce: Corrigir precocemente anomalias da anca (como a Displasia) detetadas na infância ou adolescência.

  • Evitar Traumatismos Repetitivos: Usar calçado adequado e evitar atividades de alto impacto excessivas.

Se sentir dor persistente na virilha ou na anca, é importante procurar um médico ortopedista para um diagnóstico e plano de tratamento adequado.