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Contratura Dupuytren

A Contratura de Dupuytren (ou Doença de Dupuytren) é uma condição progressiva que afeta a fáscia palmar (o tecido fibroso resistente que se encontra logo abaixo da pele na palma da mão). Esta fáscia engrossa, encurta e forma nódulos e cordas, que puxam um ou mais dedos para dentro da palma da mão, tornando difícil ou impossível esticá-los completamente.

É uma condição benigna (não cancerosa), mas pode causar incapacidade funcional significativa.


Sintomas

A Contratura de Dupuytren desenvolve-se lentamente, geralmente ao longo de anos, e afeta mais frequentemente os dedos anelar e mínimo.

  • Nódulos (Caroços): O primeiro sinal é tipicamente a formação de um ou mais nódulos firmes e pequenos sob a pele da palma da mão. Estes nódulos são frequentemente indolores ou apenas ligeiramente sensíveis no início.

  • Espessamento da Fáscia: Os nódulos transformam-se em cordas fibrosas duras que se estendem da palma até aos dedos.

  • Contratura: À medida que estas cordas encurtam, puxam progressivamente um ou mais dedos (mais comummente o anelar e o mínimo) para a palma, tornando a extensão total do(s) dedo(s) impossível.

  • Dificuldade Funcional: A incapacidade de esticar os dedos afeta atividades diárias como:

    • Colocar luvas.

    • Lavar o rosto ou as mãos.

    • Apertar as mãos ou pegar em objetos grandes.

  • Dor: Geralmente, a condição é indolor, mas algumas pessoas podem sentir dor ou desconforto na fase inicial ou se a articulação for forçada.

  • Afeção de Outras Áreas: Raramente, tecidos fibrosos semelhantes podem formar-se nas solas dos pés (Doença de Ledderhose) ou no pénis (Doença de Peyronie).


Causas

A causa exata da Doença de Dupuytren é desconhecida, mas acredita-se que seja o resultado de uma predisposição genética e de fatores de risco associados à alteração e ao espessamento do tecido fibroso:

  • Hereditariedade (Genética): O fator de risco mais importante. A condição é frequentemente observada em vários membros da mesma família.

  • Ascendência: É muito mais comum em pessoas de ascendência do Norte da Europa (especialmente nórdica e celta), por vezes sendo chamada de “Doença Viking”.

  • Idade: Ocorre mais frequentemente após os 50 anos.

  • Género: É mais comum e, frequentemente, mais grave em homens do que em mulheres.

  • Tabagismo e Consumo de Álcool: Ambos são considerados fatores de risco, potencialmente devido ao impacto na microcirculação ou à formação de radicais livres.

  • Diabetes: Pacientes com diabetes têm um risco aumentado de desenvolver a condição.

  • Traumatismo ou Uso Excessivo: Embora o traumatismo não seja a causa direta, alguns estudos sugerem que lesões nas mãos podem, ocasionalmente, desencadear ou acelerar a doença em indivíduos predispostos.

  • Epilepsia: Existe uma associação entre a Doença de Dupuytren e o uso de certos medicamentos anticonvulsivos.


Diagnóstico

O diagnóstico é geralmente clínico, feito por um médico (ortopedista ou cirurgião de mão):

  • Exame Físico: O médico irá inspecionar e palpar a palma da mão para identificar a presença de nódulos, cordas e o grau de contratura.

  • Teste da Mesa: O teste mais simples. O paciente tenta colocar a palma da mão totalmente aberta e plana sobre uma superfície, como uma mesa. Se o paciente não conseguir fazê-lo (isto é, os dedos não esticam o suficiente para tocar a mesa), o diagnóstico de contratura é confirmado.

  • Medição da Contratura: O ângulo de flexão da articulação do dedo é medido para monitorizar a progressão da doença e determinar o momento ideal para o tratamento.

  • Exames de Imagem: Raramente são necessários, mas podem ser usados para excluir outras causas de dor ou massas na mão.


Tratamento

O tratamento para a Contratura de Dupuytren não existe para curar a doença, mas sim para retardar a progressão e corrigir a deformidade, restaurando a capacidade de esticar os dedos.

  • Observação (Fase Inicial): Se a condição for leve, dolorosa (apenas nódulos) e não houver limitação funcional significativa (o paciente ainda consegue colocar a mão totalmente plana), o tratamento é apenas a observação e o acompanhamento regular.

  • Tratamento Não Cirúrgico (Contraturas Leves a Moderadas):

    • Injeção de Colagenase (Colagenase de Clostridium Histolyticum): Esta é uma enzima injetada diretamente na corda fibrosa para a dissolver. Após 24 a 48 horas, o médico manipula o dedo para tentar romper a corda e esticar o dedo.

    • Aponofasciotomia por Agulha (Percutânea): Um procedimento minimamente invasivo onde o médico utiliza uma agulha para perfurar e romper a corda fibrosa através da pele.

    • Fisioterapia/Terapia da Mão: Pode ser útil após procedimentos para manter a mobilidade e gerir o inchaço.

  • Tratamento Cirúrgico (Contraturas Avançadas e Recorrentes):

    • A cirurgia é o padrão-ouro para casos graves ou recorrentes, onde a contratura limita severamente a função (por exemplo, incapacidade de esticar o dedo em 30 graus ou mais).

    • Fasciectomia Parcial: É a cirurgia mais comum, onde o cirurgião remove a porção da fáscia e das cordas doentes.


Prevenção

Devido à forte componente genética, não existe uma prevenção garantida para a Contratura de Dupuytren. No entanto, é possível gerir os fatores de risco e a progressão:

  • Gestão de Fatores de Risco:

    • Evitar o Tabagismo e Limitar o Álcool: Estes fatores estão associados a uma progressão mais rápida da doença.

    • Controlo de Diabetes: Manter a diabetes bem controlada pode reduzir o risco.

  • Proteção das Mãos: Embora o traumatismo não seja a causa, evitar lesões desnecessárias e usar luvas de trabalho pode ser útil, especialmente em indivíduos predispostos.

  • Vigilância: Se houver histórico familiar ou o aparecimento de nódulos na palma da mão, fazer um acompanhamento regular com um médico para detetar a contratura precocemente, o que pode permitir um tratamento menos invasivo.

  • Fisioterapia: Em casos de doença precoce, exercícios de alongamento e splints (talas) podem ser tentados para retardar o encurtamento, mas não curam a condição.