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Cesariana

A Cesariana é uma intervenção cirúrgica abdominal e uterina para o nascimento de um bebé. Ao contrário de um parto vaginal, requer uma incisão nas várias camadas da parede abdominal (pele, gordura, fáscia e músculo) e no útero.

Sendo uma cirurgia major, o corpo atravessa um processo de cicatrização complexo que beneficia imenso da intervenção da fisioterapia para evitar complicações a longo prazo.


Indicações (Causas)

A cesariana não é uma doença, mas sim uma via de parto indicada por motivos médicos ou eletivos:

  • Disfunção no trabalho de parto: Progressão lenta ou paragem da dilatação.

  • Sofrimento fetal: Sinais de que o bebé não está a tolerar o trabalho de parto.

  • Posição fetal: Bebé em posição pélvica (sentado) ou transversa.

  • Patologias maternas: Placenta prévia, pré-eclâmpsia grave ou infeções ativas (como Herpes).

  • Cesariana anterior: Dependendo do tipo de cicatriz e do intervalo entre partos.


“Sintomas” e Sinais no Pós-Operatório

Após a cirurgia, a mulher apresenta sinais típicos de uma recuperação cirúrgica:

  • Dor na incisão: Especialmente ao tossir, rir ou mudar de posição.

  • Dificuldade de mobilidade: Sensação de que o abdómen “se vai abrir” ao levantar da cama.

  • Alterações de sensibilidade: Dormência, formigueiro ou hipersensibilidade na zona em redor da cicatriz.

  • Disfunção do pavimento pélvico: Apesar de não haver expulsão vaginal, a pressão da gravidez pode causar incontinência ou urgência urinária.

  • Diástase Abdominal: Afastamento dos músculos retos abdominais que pode ser agravado pela cirurgia.


Diagnóstico Fisioterapêutico

O fisioterapeuta especializado em Saúde da Mulher realiza uma avaliação específica:

  • Avaliação da Cicatriz: Verifica a presença de aderências (tecidos colados), fibrose ou queloides.

  • Palpação Abdominal: Avalia o tónus muscular e a presença de diástase.

  • Avaliação Postural: Analisa compensações na coluna lombar e bacia devido à dor e à fragilidade abdominal.

  • Avaliação do Pavimento Pélvico: Verifica a força e a coordenação dos músculos pélvicos.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O foco é a recuperação da funcionalidade, a gestão da dor e a integridade dos tecidos.

Intervenção Médica:

  • Controlo da dor: Administração de analgésicos e anti-inflamatórios compatíveis com a amamentação.

  • Cuidado com a ferida: Vigilância de sinais de infeção (febre, pus ou vermelhidão excessiva).

  • Vigilância uterina: Monitorização da involução do útero e das perdas de sangue (lóquios).

Intervenção da Fisioterapia:

  • Gestão da Cicatriz (Crucial): Após a cicatrização inicial, o fisioterapeuta realiza massagem de libertação tecidular para evitar que a cicatriz cole aos órgãos internos (bexiga/útero), prevenindo dores pélvicas crónicas e dor no ato sexual.

  • Cinesioterapia Respiratória: Ensino de técnicas de tosse e respiração profunda para evitar complicações pulmonares pós-anestesia sem forçar os pontos.

  • Reeducação Abdominal: Exercícios de ativação do músculo transverso do abdómen (a nossa “cinta natural”) para dar suporte à coluna sem aumentar a pressão intra-abdominal.

  • Tratamento da Diástase: Exercícios hipopressivos e de controlo motor para fechar o espaço entre os músculos.

  • Recuperação Postural: Reequilibrar a bacia e a coluna, que sofreram alterações de centro de gravidade durante a gravidez.

  • Radiofrequência ou Laserterapia: Podem ser usados para acelerar a regeneração dos tecidos da cicatriz.


Prevenção de Complicações

  • Mobilização Precoce: Levantar e caminhar o quanto antes (com auxílio) para prevenir tromboses e ajudar a função intestinal.

  • Hidratação da pele: Massajar a zona abdominal (com autorização médica) para manter a elasticidade.

  • Evitar cargas: Não levantar pesos superiores ao do bebé nas primeiras 6 semanas.

  • Uso de cinta (se indicado): Usar apenas sob orientação, para suporte de conforto, não para substituir a função muscular.