Lesões do músculo iliopsoas
As Lesões do Músculo Iliopsoas referem-se a estiramentos, roturas ou inflamações (tendinites) do principal flexor da anca. O iliopsoas é, na verdade, a junção de dois músculos: o grande psoas (que se origina na coluna lombar) e o ilíaco (que nasce na bacia). Ambos se unem num tendão comum que se insere no fémur. Por atravessar a zona pélvica e lombar, as suas lesões têm um impacto direto na postura e na marcha.
Sintomas
Os sintomas podem surgir de forma súbita (aguda) ou progressiva (crónica):
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Dor na Virilha: É o sinal mais comum, localizada na parte anterior da anca e zona pélvica profunda.
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Dor Lombar: Devido à origem do psoas nas vértebras lombares, a sua tensão pode causar dor nas costas.
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Dificuldade em Elevar a Perna: Dor ao subir escadas, entrar no carro ou realizar atividades de impacto como correr ou chutar.
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Sensação de “Estalido”: Conhecida como “anca ressaltante” (snapping hip), onde se sente ou ouve um clique profundo ao mover a anca.
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Rigidez Matinal: Dificuldade em esticar completamente a anca após períodos de repouso.
Causas
As lesões do iliopsoas são frequentes em atletas e pessoas com estilos de vida sedentários:
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Uso Excessivo (Overuse): Atividades repetitivas que exigem flexão da anca (corrida em subidas, futebol, ballet ou artes marciais).
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Contração Brusca: Um movimento explosivo de remate ou uma mudança de direção súbita que causa um estiramento das fibras.
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Sedentarismo: Passar muitas horas sentado mantém o psoas numa posição encurtada, tornando-o fraco e propenso a lesões quando solicitado.
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Encurtamento Muscular: Desequilíbrios posturais que levam a uma compensação excessiva deste músculo.
Diagnóstico
O diagnóstico foca-se na exclusão de outras patologias da anca ou hérnias inguinais:
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Exame Clínico: Realização do Teste de Thomas (para avaliar o encurtamento) e testes de flexão da anca contra resistência.
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Palpação: Identificação de pontos de dor profunda na zona da fossa ilíaca ou junto à inserção no fémur.
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Ecografia: Útil para identificar inflamação no tendão (tendinopatia) ou bursite do iliopsoas.
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Ressonância Magnética (RMN): O exame mais preciso para detetar roturas musculares ou edema ósseo.
Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)
O tratamento foca-se na gestão da carga e no reequilíbrio da musculatura pélvica.
Intervenção Médica:
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Medicação: Anti-inflamatórios (AINEs) na fase aguda para reduzir o edema e a dor.
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Infiltrações: Em casos crónicos de tendinite ou bursite, pode ser feita uma infiltração guiada por ecografia.
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Repouso Funcional: Evitar atividades de impacto ou que exijam flexão explosiva da anca.
Intervenção da Fisioterapia:
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Controlo da Inflamação: Uso de crioterapia (gelo) e modalidades de eletroterapia (TENS ou ultrassom) para alívio sintomático.
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Libertação Miofascial: Técnicas manuais profundas para relaxar o psoas (muitas vezes através do abdómen) e os músculos sinergistas como o reto femoral.
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Alongamento Excêntrico: Exercícios de alongamento controlado que ajudam o tendão a remodelar-se e a ganhar resistência.
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Fortalecimento Progressivo: Fortalecer não só o iliopsoas, mas também os glúteos e abdominais, para reduzir a sobrecarga sobre o flexor da anca.
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Correção Postural: Exercícios de retroversão pélvica para aliviar a tensão constante que uma anteversão excessiva coloca no músculo.
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Reeducação do Gesto Desportivo: Análise da técnica de corrida ou remate para evitar novas recidivas.
Prevenção
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Alternar a Posição Sentada: Levantar-se regularmente para evitar que o músculo permaneça encurtado por horas.
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Fortalecimento do Core: Um tronco estável permite que o iliopsoas trabalhe com menos esforço.
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Aquecimento Dinâmico: Preparar a musculatura da anca antes de atividades desportivas exigentes.
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Equilíbrio Muscular: Garantir que os glúteos (extensores) são fortes o suficiente para contrabalançar a força dos flexores da anca.