Skip to main content

Miopatia do vasto interno

Disfunção e Atrofia do Vasto Medial Oblíquo (VMO)

O Vasto Medial Oblíquo (VMO) é crucial para a estabilidade da rótula (patela). A sua principal função é puxar a rótula medialmente (para dentro) durante a extensão do joelho, garantindo que ela se move corretamente no sulco troclear (na parte inferior do fémur).

Quando o VMO está enfraquecido, atrofiado ou disfuncional, a rótula pode deslizar lateralmente (para fora), levando a dor e instabilidade.


Sintomas

Os sintomas estão tipicamente associados à Síndrome da Dor Patelofemoral (dor na parte anterior do joelho):

  • Dor na parte anterior do Joelho: Dor surda, latejante ou dor ao redor da rótula, especialmente na parte interna ou abaixo dela.

  • Agravamento da Dor com Atividades: A dor piora ao subir ou descer escadas, ao agachar, ao correr ou após longos períodos a sentar-se com os joelhos fletidos (o chamado “sinal do cinema”).

  • Sensação de Instabilidade: O joelho pode dar a sensação de “ceder” ou falhar, embora o VMO não cause instabilidade grave da articulação principal.

  • Crepitação: Sons de “estalo” ou “rangido” (crepitação) ao mover o joelho, resultantes da fricção anormal da rótula.

  • Atrofia Visível: Pode haver uma diminuição visível da massa muscular do VMO em comparação com o joelho não afetado, tornando o músculo menos proeminente na parte interna do joelho.


Causas

A disfunção do VMO é geralmente resultado de um desequilíbrio biomecânico, em vez de uma doença muscular primária:

  • Inibição (Atrofia por Desuso): Após uma lesão no joelho (ex: lesão do ligamento cruzado anterior, entorse, cirurgia), o corpo inibe reflexamente o quadricípete para proteger a articulação. O VMO é o músculo mais difícil de “reativar” após este fenómeno.

  • Desequilíbrio Muscular: Frequentemente, o vasto lateral (a porção externa do quadricípete) torna-se dominante ou mais forte que o VMO. Este desequilíbrio leva a uma tração lateral excessiva da rótula, causando dor.

  • Má Biomecânica dos Membros Inferiores:

    • Pé Pronado (Pés Chatos): A pronação excessiva do pé pode levar a uma rotação interna do fémur, que altera o ângulo de tração do quadricípete sobre a rótula.

    • Fraqueza dos Abdutores/Rotadores da Anca: A fraqueza dos glúteos (especialmente o glúteo médio) leva o fémur a rodar internamente, o que aumenta o stress na articulação patelofemoral e sobrecarrega o VMO.

  • Uso Excessivo e Sobrecarga: Atividades repetitivas que sobrecarregam a articulação patelofemoral (ex: corrida intensa, saltos), especialmente com uma mecânica deficiente.


Diagnóstico

O diagnóstico é primariamente clínico, feito por um médico (ortopedista ou fisiatra) ou fisioterapeuta:

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá avaliar a dor, os padrões de atividade e procurar o ponto de máxima dor.

  • Avaliação do Alinhamento da Rótula: O médico irá observar o trajeto da rótula durante a flexão e extensão do joelho para detetar um desalinhamento ou desvio lateral (sinal de que o VMO não está a exercer a sua tração medial).

  • Medição da Força (Diferencial): Pode ser medida a circunferência do músculo e a força de contração para confirmar a atrofia ou fraqueza do VMO em comparação com o membro não afetado.

  • Radiografias (RX): Podem ser usadas para avaliar o alinhamento ósseo e descartar artrose ou outras causas de dor.

  • Ressonância Magnética Nuclear (RMN): Raramente é necessária, mas pode ser usada para confirmar lesões na cartilagem da rótula (condromalacia patelar) ou outras lesões internas do joelho.


Tratamento

O tratamento para a disfunção do VMO é quase sempre conservador e focado na reabilitação. A cirurgia é reservada para desalinhamentos ósseos graves.

  • Fisioterapia (Reabilitação Muscular): É o tratamento essencial.

    • Fortalecimento Seletivo do VMO: O foco inicial é a reativação e o fortalecimento do VMO. Os exercícios são frequentemente realizados em cadeias cinéticas fechadas (ex: mini-agachamentos) com uma pequena amplitude de movimento para minimizar a compressão patelofemoral.

    • Fortalecimento Global: Treino de todo o quadricípete para restabelecer o equilíbrio, com ênfase no fortalecimento dos abdutores e rotadores da anca (glúteo médio e máximo) para corrigir a biomecânica.

    • Alongamento: Alongar os músculos tensos, como o vasto lateral, o iliotibial band e os flexores da anca.

  • Medicação: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados para aliviar a dor e a inflamação nas fases iniciais.

  • Gelo e Repouso Relativo: Modificação de atividades, evitando aquelas que agravam a dor (agachar, subir/descer escadas).

  • Ortóteses: O uso de joelheiras ou taping (banda elástica) pode ajudar a guiar a rótula para a posição correta, aliviando a dor durante a atividade.

  • Correção Biomecânica: Uso de palmilhas (ortóteses plantares) em caso de pronação excessiva do pé.


Prevenção

A prevenção da disfunção do VMO visa manter o equilíbrio e a força muscular em todo o membro inferior:

  • Fortalecimento Equilibrado: Manter um programa de exercícios que inclua o fortalecimento de todos os grupos do quadricípete, glúteos e core (músculos centrais).

  • Aquecimento e Técnica: Realizar um aquecimento adequado e utilizar a técnica correta durante o exercício (garantir que o joelho segue o eixo do pé durante o agachamento).

  • Calçado Adequado: Usar calçado que forneça o suporte adequado ao arco do pé.

  • Fazer Pausas: Evitar longos períodos de flexão do joelho.

  • Reabilitação Completa: Garantir que qualquer lesão anterior do joelho seja totalmente reabilitada, com ênfase na reativação e fortalecimento do VMO antes de regressar à atividade plena.