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Osteoartrite da mão

A sua questão refere-se à Osteoartrite da Mão, sendo que a menção “triangular do punho” pode ser uma confusão com a articulação do Carpo (trapeziometacarpiana), que é a articulação mais comummente afetada pela osteoartrite no punho/mão, ou com a Fibrocartilagem Triangular (que, quando lesionada, pode levar à artrose radiocubital, mas não é a principal forma de osteoartrite da mão).


Osteoartrite da Mão (Artrose da Mão)

A Osteoartrite (ou Artrose) é a forma mais comum de artrite. É uma doença degenerativa crónica que causa o desgaste da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos nas articulações, levando a dor, rigidez e perda de função.

Na mão, as articulações mais frequentemente afetadas são:

  1. Articulação Trapeziometacarpiana (Rizartrose): A base do polegar (entre o osso trapézio e o primeiro metacarpo). É o tipo mais comum e incapacitante de artrose da mão.

  2. Articulações Interfalângicas Distais (DIP): As articulações mais próximas da ponta dos dedos.

  3. Articulações Interfalângicas Proximais (PIP): As articulações do meio dos dedos.

Sintomas

Os sintomas variam consoante a articulação afetada, mas geralmente incluem:

  • Dor: Dor profunda e dolorosa nas articulações afetadas. A dor agrava-se com a atividade (ex: apertar, agarrar) e melhora com o repouso, mas pode ocorrer dor noturna em fases avançadas.

  • Rigidez: Rigidez, especialmente de manhã ou após períodos de inatividade. A rigidez matinal geralmente dura menos de 30 minutos.

  • Inchaço: As articulações podem parecer ligeiramente inchadas.

  • Perda de Força e Função: Dificuldade em agarrar, apertar (pinçar) e usar os dedos e o polegar, resultando em fraqueza e perda de destreza.

  • Nódulos:

    • Nódulos de Heberden: Caroços ósseos duros nas articulações interfalângicas distais (DIP).

    • Nódulos de Bouchard: Caroços ósseos duros nas articulações interfalângicas proximais (PIP).

  • Deformidade (Rizartrose): Na artrose do polegar, a base do polegar pode parecer volumosa e, com a progressão da doença, o polegar pode colapsar numa deformidade em “Z”, tornando o movimento de pinça (agarrar objetos pequenos) muito difícil.

Causas

A Osteoartrite é causada pelo desgaste da cartilagem, mas é influenciada por vários fatores:

  • Envelhecimento: É o principal fator. O desgaste ocorre naturalmente ao longo do tempo.

  • Traumatismo Prévio: Fraturas ou luxações anteriores na mão ou no punho que afetam as superfícies articulares (artrose pós-traumática).

  • Genética: Há uma forte predisposição genética, especialmente na artrose que afeta as articulações interfalângicas.

  • Uso Repetitivo: Embora não seja uma causa direta, o uso excessivo ou repetitivo da articulação do polegar (ex: em certas profissões) pode acelerar o desgaste em pessoas suscetíveis (particularmente na rizartrose).

  • Género: É mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um médico (ortopedista ou reumatologista):

  • Histórico Clínico e Exame Físico: O médico irá avaliar a dor, a rigidez, a sensibilidade, a presença de nódulos ósseos e a estabilidade das articulações. Testes específicos, como o teste de Grind (para a rizartrose), podem ser realizados para confirmar a dor na articulação.

  • Radiografias (RX): São o exame fundamental. As radiografias mostram:

    • Estreitamento do Espaço Articular: Indica perda de cartilagem.

    • Osteófitos (Esporões ósseos): Formação de novo osso nas bordas da articulação.

    • Esclerose Subcondral: Aumento da densidade óssea logo abaixo da cartilagem.

    • Deformidade Articular: Desalinhamento da articulação (especialmente no polegar).

  • Análises de Sangue: Podem ser feitas para descartar outras formas de artrite (como a artrite reumatoide), se houver suspeita.

Tratamento

O tratamento visa aliviar a dor, reduzir a rigidez e manter a função da mão.

  • Tratamento Conservador (Primeira Linha):

    • Modificação de Atividades: Evitar ou adaptar atividades que exijam preensão forte e prolongada.

    • Medicação: Analgésicos (paracetamol) e Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs) orais ou tópicos para alívio da dor e inflamação.

    • Órteses (Talas/Splints): O uso de talas (especialmente no polegar) imobiliza a articulação, alivia a dor e estabiliza a articulação durante atividades que provocam dor ou durante a noite.

    • Fisioterapia/Terapia da Mão: Exercícios para manter a amplitude de movimento das articulações não afetadas e para fortalecer os músculos que estabilizam as articulações.

    • Calor e Frio: Aplicação de calor húmido (ex: parafina) para aliviar a dor e a rigidez.

    • Infiltrações: Injeções de corticosteroides diretamente na articulação (especialmente na base do polegar) podem proporcionar um alívio temporário e significativo da dor.

  • Tratamento Cirúrgico:

    • Reservado para casos avançados, onde a dor é incapacitante e o tratamento conservador falhou.

    • Rizartrose (Polegar): A cirurgia mais comum é a Trapeziectomia, onde o osso trapézio (o osso afetado na base do polegar) é removido. Pode ser complementada com uma artroplastia ou interposição de tendão.

    • Articulações dos Dedos: Pode ser realizada uma artroplastia (substituição da articulação por um implante) ou uma artrodese (fusão permanente da articulação) para eliminar a dor, sendo esta última mais comum nas articulações DIP e PIP, resultando numa mão estável e indolor, mas fixa.

Prevenção

Não há como prevenir o desenvolvimento da osteoartrite, mas é possível retardar a progressão e gerir os fatores de risco:

  • Proteção Articular: Utilizar talas durante atividades de alto stress (especialmente no polegar) e usar ferramentas ergonómicas para reduzir a tensão nas articulações.

  • Manter a Força e Flexibilidade: Realizar exercícios suaves para a mão e dedos, recomendados por um terapeuta da mão, para manter a mobilidade articular.

  • Gestão de Peso: Manter um peso saudável para reduzir o stress geral nas articulações.

  • Dieta Anti-inflamatória: Uma dieta rica em ómega-3 e antioxidantes pode ajudar a gerir a inflamação sistémica.