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Rotura Tendinosa do Aquiles

A Rotura do Tendão de Aquiles é uma lesão grave que ocorre quando o tendão que liga os músculos da gémea (gastrocnémios e sóleo) ao osso do calcanhar (calcâneo) se rompe, parcial ou totalmente. Este é o tendão mais forte do corpo humano, sendo essencial para caminhar, correr e saltar.


Sintomas

Os sinais de uma rotura são geralmente súbitos e dramáticos:

  • Sensação de “Pedrada”: O paciente sente um impacto súbito na parte de trás da perna, como se tivesse levado um pontapé ou uma pancada.

  • Estalido Audível: É comum ouvir-se um som seco no momento da rotura.

  • Dor Aguda: Dor intensa no calcanhar ou na barriga da perna, que pode estabilizar para uma dor surda.

  • Incapacidade de “Ficar em Pontas”: Dificuldade severa ou impossibilidade de empurrar o pé para baixo ou de se apoiar na ponta dos pés.

  • Inchaço e Hematoma: Edema rápido na zona do tornozelo e, mais tarde, o aparecimento de uma nódoa negra.

  • Depressão Palpável: É possível sentir um “degrau” ou falha no trajeto do tendão acima do calcanhar.


Causas

A rotura acontece quando o tendão é submetido a uma tensão superior à sua resistência:

  • Esforço Súbito: Arrancadas rápidas ou saltos (muito comum no ténis, padel ou futebol).

  • Degeneração Crónica: Microlesões prévias (tendinites) que enfraquecem a estrutura do tendão ao longo do tempo.

  • Fatores de Risco: Idade (mais comum entre os 30 e 50 anos), sexo masculino, obesidade e o uso de certos medicamentos (como corticosteroides ou alguns antibióticos específicos).

  • Mudança de Piso: Passar de superfícies macias para pisos duros sem adaptação.


Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser complementado com exames:

  • Teste de Thompson: O médico ou fisioterapeuta aperta a barriga da perna com o paciente deitado; se o pé não se mover para baixo, o teste é positivo para rotura.

  • Palpação: Identificação do hiato no tendão.

  • Ecografia: Exame rápido que confirma a extensão da rotura (parcial ou total).

  • Ressonância Magnética (RMN): Utilizada para avaliar a qualidade das fibras e planear a cirurgia, se necessário.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento pode ser conservador (imobilização) ou cirúrgico, dependendo da idade e nível de atividade do paciente.

Intervenção Médica:

  • Cirurgia: União das extremidades do tendão através de suturas. É a opção preferencial para atletas e pessoas ativas.

  • Imobilização: Uso de gesso ou bota ortopédica (Walker) com o pé em posição de “equino” (pontas) para permitir a cicatrização das fibras.

  • Controlo da Dor: Prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios na fase aguda.

Intervenção da Fisioterapia: A fisioterapia é obrigatória em ambos os casos para garantir que o tendão recupera a sua elasticidade e força sem romper novamente.

    • Fase Inicial (Proteção): Controlo do edema com drenagem linfática e gestão da carga com o uso de canadianas. Mobilização precoce dos dedos e joelho.

    • Mobilização do Tornozelo: Técnicas manuais suaves para recuperar a amplitude de movimento sem colocar o tendão em tensão excessiva prematuramente.

    • Trabalho Cicatricial: Massagem na zona da cicatriz (pós-cirúrgica) para evitar aderências que limitem o movimento.

    • Exercícios Excêntricos: Fortalecimento progressivo onde o músculo trabalha enquanto se alonga; esta é a “chave de ouro” para a remodelação das fibras do tendão.

    • Propriocepção e Equilíbrio: Treino em superfícies instáveis para reeducar o corpo a estabilizar o tornozelo.

    • Retorno à Corrida e Pliometria: Na fase final, introduzem-se saltos e corrida de forma controlada para preparar o tendão para o gesto desportivo.

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Prevenção

  • Aquecimento Dinâmico: Nunca iniciar atividades explosivas sem preparar a temperatura dos tecidos.

  • Fortalecimento Progressivo: Manter as gémeas fortes e resilientes ao longo de todo o ano.

  • Cuidado com o Calçado: Utilizar sapatilhas com amortecimento adequado e que não estejam excessivamente gastas.

  • Aumentar a Carga Gradualmente: Seguir a regra dos 10% (não aumentar a intensidade ou volume de treino mais do que 10% por semana).