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Entorse da TT eversão

A Entorse da Articulação Tibiotársica (TT) em Eversão é uma lesão que ocorre nos ligamentos da face interna do tornozelo. Ao contrário da entorse comum (em inversão), esta é muito menos frequente (cerca de 5% a 10% das entorses de tornozelo), mas tende a ser mais grave e de recuperação mais lenta.

Nesta lesão, o pé é forçado para fora, estirando ou rompendo o ligamento deltoide, um complexo ligamentar muito forte e robusto que liga a tíbia aos ossos do pé.


Sintomas

Os sinais dependem do grau da lesão (I, II ou III), mas geralmente incluem:

  • Dor na face interna do tornozelo: Localizada especificamente abaixo do maléolo medial (o osso interno do tornozelo).

  • Edema e Equimose: Inchaço e nódoa negra que surgem na parte de dentro do pé, podendo estender-se para o arco plantar.

  • Instabilidade: Sensação de que o tornozelo “falha” ao apoiar o pé no chão.

  • Dificuldade na marcha: Dor intensa ao tentar caminhar, especialmente na fase de propulsão (dar o passo).

  • Sensibilidade ao toque: Dor aguda ao pressionar os ligamentos internos.


Causas

A eversão ocorre quando o bordo interno do pé colapsa para dentro e o tornozelo roda para fora:

  • Traumatismo direto: Um impacto na parte externa da perna enquanto o pé está fixo no solo (comum no futebol ou râguebi).

  • Quedas em superfícies irregulares: Pisar um buraco ou um desnível que force o pé para fora.

  • Aterragens incorretas: Saltar e cair com o pé em posição de pronação excessiva.

  • Calçado inadequado: Falta de suporte lateral que permita o movimento excessivo do tornozelo.


Diagnóstico

O diagnóstico foca-se em avaliar a integridade do ligamento deltoide e excluir fraturas associadas:

  • Exame Clínico: O profissional realiza o Teste de Stress em Eversão (valgo) para verificar a frouxidão ligamentar.

  • Palpação: Avaliação de possíveis fraturas no maléolo ou na fíbula (Fratura de Maisonneuve), que frequentemente acompanham estas entorses.

  • Radiografia (RX): Essencial para descartar fraturas ósseas ou afastamento da pinça maleolar.

  • Ressonância Magnética (RMN): Indicada para avaliar a extensão da rotura ligamentar e possíveis lesões na cartilagem (astrágalo).


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

Devido à força do complexo ligamento deltoide, o tratamento deve ser rigoroso para evitar a cronicidade.

Intervenção Médica:

  • Protocolo inicial: Proteção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação.

  • Imobilização: Em graus II ou III, pode ser necessário o uso de uma bota de imobilização (tipo Walker) ou tala gessada por um período curto.

  • Medicação: Anti-inflamatórios (AINEs) para gerir a dor e o edema inicial.

Intervenção da Fisioterapia:

  • Gestão do Edema: Drenagem linfática manual e utilização de ligaduras funcionais ou kinesio taping para reduzir o inchaço.

  • Mobilização Precoce: Técnicas manuais suaves para evitar a rigidez da articulação tibiotársica sem colocar em stress o ligamento lesionado.

  • Fortalecimento dos Inversores: Exercícios específicos para os músculos que fazem o movimento oposto à lesão (como o tibial posterior), que ajudam a proteger o lado interno do tornozelo.

  • Treino de Proprioceção: Exercícios de equilíbrio em superfícies instáveis (discos de equilíbrio) para “reinstruir” o sistema nervoso a estabilizar o tornozelo.

  • Treino de Marcha: Reeducação do caminhar correto, garantindo que o paciente não compensa o movimento com o joelho ou anca.

  • Retorno à Atividade: Exercícios pliométricos e de mudança de direção controlada antes da alta desportiva.


Prevenção

  • Reforço do Tibial Posterior: Este músculo é o principal suporte ativo do arco plantar e do lado interno do tornozelo.

  • Uso de Calçado Estável: Sapatos com bom suporte de arco e contraforte rígido.

  • Treino de Equilíbrio: Manter o treino propriocecional mesmo após a recuperação para evitar recidivas.

  • Controlo Biomecânico: Avaliação da pisada; em casos de “pé chato” excessivo (pronação), o uso de palmilhas personalizadas pode ser preventivo.