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TCE (Traumatismo Cranioencefálico)

O TCE (Traumatismo Cranioencefálico) é uma lesão física no tecido cerebral causada por uma força externa, como um impacto, uma pancada ou uma aceleração/desaceleração brusca. Dependendo da gravidade, o TCE pode causar desde uma confusão mental passageira até danos neurológicos permanentes e graves.

Clinicamente, é classificado pela Escala de Coma de Glasgow em três níveis: Ligeiro (concussão), Moderado ou Grave.


Sintomas

Os sintomas variam consoante a área do cérebro afetada e a extensão da lesão:

    • Físicos: Dor de cabeça persistente, tonturas, náuseas, fadiga extrema e convulsões.

    • Cognitivos: Perda de memória (amnésia), dificuldade de concentração, desorientação e lentidão no raciocínio.

    • Motores: Fraqueza muscular, perda de equilíbrio, falta de coordenação e alterações na fala.

    • Sensoriais: Visão turva, zumbidos nos ouvidos ou alterações no paladar.

    • Emocionais: Irritabilidade, ansiedade, depressão ou alterações súbitas de humor.

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Causas

As principais causas de TCE são:

  • Acidentes Rodoviários: Colisões de automóveis, motos e atropelamentos.

  • Quedas: Especialmente em idosos e crianças pequenas.

  • Agressões Físicas: Violência interpessoal ou ferimentos por projéteis.

  • Acidentes Desportivos: Desportos de contacto (futebol, boxe, rugby).

  • Acidentes de Trabalho: Quedas de altura ou impacto com objetos pesados.


Diagnóstico

O diagnóstico exige rapidez para minimizar danos secundários:

  • Avaliação Clínica: Uso da Escala de Coma de Glasgow para avaliar o nível de consciência.

  • Exames de Imagem:

    • Tomografia Computorizada (TC): O exame de eleição na fase aguda para detetar hemorragias, fraturas cranianas ou edema (inchaço) cerebral.

    • Ressonância Magnética (RMN): Utilizada numa fase posterior para detetar lesões mais subtis e difusas.

  • Monitorização da PIC: Em casos graves, monitoriza-se a Pressão Intracraniana.


Tratamento (Médico e Fisioterapêutico)

O tratamento do TCE é multidisciplinar e evolui desde os cuidados intensivos até à reintegração na comunidade.

Intervenção Médica:

  • Emergência: Estabilização dos sinais vitais e garantia de oxigenação cerebral.

  • Cirurgia: Para remover coágulos (hematomas), reparar fraturas ou aliviar a pressão intracraniana (craniotomia descompressiva).

  • Farmacologia: Diuréticos (para o edema), anticonvulsivantes e sedativos.

Intervenção da Fisioterapia: A fisioterapia neurológica é vital para a neuroplasticidade (capacidade do cérebro de se reorganizar).

  • Fase Hospitalar/UCI: Prevenção de complicações respiratórias, posicionamento no leito para evitar escaras e mobilizações passivas para prevenir deformidades articulares.

  • Reeducação Motora: Treino de controlo do tronco e equilíbrio sentado e de pé.

  • Treino de Marcha: Utilização de auxiliares de marcha ou suspensão de peso para reensinar o doente a caminhar.

  • Estimulação Sensorial: Exercícios para melhorar a perceção do corpo no espaço (proprioceção).

  • Treino de Atividades da Vida Diária (AVD): Exercícios funcionais que mimetizam tarefas como vestir-se ou alcançar objetos, focando na independência.

  • Gestão da Espasticidade: Técnicas manuais e exercícios para reduzir a rigidez muscular excessiva comum após lesões cerebrais.


Prevenção

  • Segurança Rodoviária: Uso obrigatório de cinto de segurança e capacete. Nunca conduzir sob o efeito de álcool.

  • Prevenção de Quedas: Instalação de barras de apoio em casas de banho e eliminação de tapetes soltos para idosos.

  • Proteção Laboral: Uso de capacetes de proteção em obras e indústrias.

  • Desporto: Utilização de equipamento de proteção adequado e cumprimento das regras de segurança.